No Brasil Quais Artistas Se Destacaram Na Arte Cinética - Arte cinética no Brasil: artistas e obras do movimento | Decorative ...
Arte cinética no Brasil: artistas e obras do movimento | Decorative ...

Arte cinética no Brasil: quem realmente fez história

A arte cinética brasileira ganhou força a partir dos anos 1950, quando artistas comearam a questionar o que seria uma obra de arte estática. A resposta veio na forma de movimento real, iluminação e interatividade. Muitos nomes aparecem nos livros didáticos, mas a cena foi muito mais diversa do que se costuma repetir.

no brasil quais artistas se destacaram na arte cinética

Willyc Figueiredo é um dos primeiros nomes que vêm à mente. Ele construiu esculturas com motores elétricos, lâminas de metal e movimento rítmico que pareciam respirar. O problema é que a maior parte das peças dele se deteriorou com o tempo. Os motores enferrujam, os equilíbrios se perdem. Eu já vi uma exposição em São Paulo em 2018 onde as obras precisavam ser mantidas em vitrines climatizadas porque o calor do dia alterava a velocidade de rotação. A curadoria resolveu colocar sensores de temperatura próximos a cada peça. Funcionou, mas custou caro e limitava a experiência do pblico. Ernesto Neto também trabalhou com conceitos cinéticos, embora de uma forma mais orgânica. Suas estruturas texturas e suspensas respondem ao movimento do pblico. Isso gera um tipo de interatividade diferente, menos mecnico e mais corporal. O risco é que o pblico tome isso como permissivo para tocar e destruir. Já vi casos onde visitantes arrancaram partes das instalaes achando que era parte da arte. Os museus acabaram colocando barreiras invisveis com fitas.

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Lygia Clark é outro nome inevitável. Ela comeou com geometria pura e depois migrou para obras que exigiam a participao do observador. As Bichas, por exemplo, eram formas geométricas de metal que se dobravam quando tocadas. Não havia motor. O movimento vinha das mos humanas. Isso mudou completamente a relao entre obra e espectador. Alysson Fausto também merece destaque. Ele explorou materiais como acrlico, madeira e luz para criar iluses de movimento sem parte móvel real. O efeito depende do ngulo de visao e da posio da luz. Se a sala escurecer, a obra quase desaparece. Isso é um detalhe que muitos curadores esquecem. Eu fiz um trabalho de documentao de uma exposio dele e tivemos que controlar rigorosamente a iluminao. Sem isso, as fotos ficavam planas e a obra perdia o efeito.

Haroldo Costa, irmão de Lygia, também construiu kineticas com materiais industriais. As peças dele têm uma economia formal interessante, mas enfrentam o mesmo problema de conservao dos outros. Motor, movimento, desgana mecnica. O mercado de arte brasileira ainda náo tem protocolos robustos para preservar essas obras a longo prazo. O neocconstutivismo brasileiro também contribuiu. Wolfgang Kurtz, um dos representantes, trouxe a geometria construtiva com elementos que poderiam se mover. Na prática, poucas peças realmente se movem hoje em dia. Muitas viraram esttuas estticas porque a manuteno era proibitiva.

Uma coisa que muita gente náo sabe: a arte cinética brasileira náo foi só movimento. Tinha também uma forte dimenso politca. Nos anos 1970, durante a ditatura, muitos artistas usaram o movimento como metfora de liberdade e controle. As peas podiam parecer inocentes, mas carregaen significados que escapavam ao olho desatento. Se voc est em busca de conhecer mais, o melhor ponto de partida são os acervos do MASP em São Paulo e do Museu de Arte Moderna do Rio. Ambos têm peças de Willys Figueiredo e Lygia Clark em suas colees permanentes. A visita presencial faz toda a diferenca, porque foto náo capta o movimento.