Nas Referencias O Que Fica Em Negrito - O que fica em negrito nas Referências ABNT?
O que fica em negrito nas Referências ABNT?

Como formatar referências bibliográficas quando você não quer perder horas

A maioria das pessoas que tem que montar uma referência para um trabalho acadêmico vai parar na pergunta errada. Elas querem saber se o ano fica em negrito ou se é o autor. O problema é que a resposta muda dependendo da norma que você está usando. ABNT, APA, Vancouver, Chicago — cada uma tem um jeitinho diferente. E se você copiou um modelo da internet que foi passado adiante por sete sites, provavelmente tá errada. Eu já perdi tempo demais refazendo referências porque alguém na minha turma falou "ah, título em negrito é padrão", e aí a banca não aceitou. A norma correta pra publicar no Brasil é a ABNT NBR 6023. Se o seu trabalho é pra uma revista internacional, pode ser APA. Mas aí o negrito some completamente e entra itálico. Entende o que eu quero dizer?

nas referencias o que fica em negrito

Na ABNT, o que fica em negrito é o título da obra. Só isso. É o título principal, aquele que aparece na capa do livro ou no cabeçalho do artigo. Todo o resto — autor, título do periódico, local, editora, ano, volume, número — fica em fonte normal. Não tem segredo, não tem exceção, a menos que a obra seja traduzida ou tenha subtítulo, que aí a coisa muda um pouco. Um exemplo prático rápido. Vou montar uma referência de livro em ABNT:

CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de pessoas. 14. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2020. Percebeu? Só "Gestão de pessoas" tá em negrito. O resto é tudo normal. Autor em caixa alta, título da obra em negrito, edição em algarismo arábico, cidade, editora, ano. Essa é a estrutura básica que funciona pra quase todo livro, artigo ou dissertação.

Agora, com artigo de periódico, a regra do negrito é a mesma. O que leva negrito é o título do artigo, não o nome da revista. Muita gente inverte isso sem querer porque acha que o nome da revista é "mais importante" visualmente. Não é. O título do artigo que fica em negrito, e o nome da revista em itálico ou normal dependendo da instituição. CARVALHO, M. A. et al. Análise de redes sociais aplicadas à saúde pública. Ciência & Saúde Coletiva, v. 25, n. 3, p. 1089-1100, mar. 2020.

Nesse caso, só o título do artigo tá em negrito. O resto segue a norma. Alguns programas de referência automaticamente colocam o negrito no título certo, mas outros não. O EndNote e o Zotero funcionam bem se você escolher o estilo ABNT completo. O Mendeley às vezes erra a posição do negrito e você precisa corrigir manualmente. Tem uma pegadinha que quase ninguém menciona. Se a obra é um capítulo dentro de um livro organizado, o negrito vai no título do capítulo, não no título do livro inteiro. O título do livro fica em itálico. Isso confunde muita gente porque parece contraditório. Mas faz sentido: o que você está citando é o capítulo, não o livro todo. Já vi gente colocar o título do livro em negrito e o capítulo em itálico, e a banca volta com uma seta vermelha em cima.

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Vou dar um exemplo pra ficar claro. Um trabalho dentro de um livro organizado por outro autor: SILVA, J. R. Metodologia mista em pesquisa educacional. In: FREIRE, A. L. (Org.). Perspectivas contemporâneas da educação. São Paulo: Cortez, 2019. p. 45-72.

Título do capítulo em negrito. Título do livro em itálico. Autor do livro em caixa alta. Org. entre parênteses. Tudo isso tá explicado na NBR 6023, seção 4.3.4. Mas a seção 4.3.4 não entra muito nos resumos que as pessoas copiam da internet. Uma situação real que eu enfrentei. Eu tava montando as referências de uma revisão sistemática e apareceu um artigo sem data. A fonte dizia apenas "Acesso em 12 mar. 2024" no final. O revisor pediu pra colocar o ano em negrito porque "tinha que ter algo em destaque". Eu expliquei que não era pra ter nada em negrito fora do título da obra e que o acesso é apenas um elemento de complemento, não parte do título. O revisor cedeu, mas demorou três dias pra devolver porque ele mesmo não tinha certeza. Isso é a vida real quando você não segue a norma à risca. Você gasta tempo discutindo o óbvio.

Se você tá usando um computador, não tente fazer isso na mão. Use um gerenciador de referências. O Zotero é gratuito e funciona bem. Você instala a extensão no navegador, clica num botão quando tá lendo um artigo, e ele baixa os metadados. Depois você gera a bibliografia inteira com um clique. O único problema é que os metadados às vezes vêm errados. Eu já vi um livro vir com o título todo em minúsculo e o autor com sobrenome errada porque o site da editora tinha informações confusas. Sempre verifique dois ou três referências antes de confiar no export. Se você não quer instalar nada, o gerador online da biblioteca da USP ou da Unicamp resolve pra casos simples. Eles aplicam a NBR 6023 corretamente. Mas cuidado com geradores genéricos que prometem "formatar em segundos". Muitos deles não atualizaram pra versão de 2018 da norma, que mudou alguns detalhes sobre como tratar obras sem autor e periódicos com número zero.

Um detalhe que todo mundo esquece. Quando a referência é em inglês e você segue a ABNT, o negrito ainda vai no título da obra. A norma brasileira não muda o critério só porque o idioma é outro. Já vi gente deixar o título em itálico num artigo da Nature porque "é internacional". Não é. Se a norma pedida é ABNT, a formatação é ABNT, independente do idioma. Outra coisa que causa confusão: obras com subtítulo. O subtítulo não entra em negrito. Só o título principal. Você separa com dois-pontos e depois continua em fonte normal. Então se o livro é "O poder do hábito: por que fazemos o que fazemos", só "O poder do hábito" fica em negrito. O subtítulo vem depois dos dois-pontos, em texto corrido.

Se o seu trabalho exige uma norma diferente, tipo APA 7ª edição, aí a história muda totalmente. Em APA, nada fica em negrito nas referências. O que existe é itálico no título do livro ou do periódico, e nos nomes dos periódicos. Os títulos dos artigos ficam em fonte normal. Isso é tão diferente da ABNT que muita gente que tá acostumada com uma norma estraga a outra por impulso. Se você vai enviar pros dois veículos, faça dois arquivos separados. Não tente adaptar um pra outro editando manualmente. A probabilidade de erro é alta e o tempo que você gasta corrigindo não compensa. Vou ser direto sobre as limitações dessa abordagem. A ABNT com negrito no título da obra funciona bem para livros e artigos tradicionais. Mas ela é bastante rígida com formatos mais novos, como documentos online, pré-prints, teses em repositórios institucionais e materiais de mídia social. A norma de 2018 tenta cobrir isso, mas na prática muitas universidades ainda seguem a de 2002, que não trata bem esses casos. Se você tá citando um vídeo do YouTube ou um post de Twitter, a formatação vai depender muito do orientador ou da revista. Não existe um consenso forte aí.

A saída que eu recomendo nesses casos é perguntar explicitamente ao orientador ou ao periódico como eles querem que seja tratado. Não tente adivinhar. Eu já vi aluno colocar um tweet formatado como se fosse livro inteiro só porque achava que era o mais seguro. Voltou correto na revisão. Melhor gastar dez minutos perguntando do que duas horas refazendo. Resumindo o que realmente importa: na ABNT, o negrito vai no título da obra. Em APA, não tem negrito, tem itálico. Em Vancouver, também não tem negrito padrão nas referências. O resto varia de acordo com a norma e com as exigências específicas da sua instituição. Verifique sempre. Use ferramentas automatizadas quando possível, mas nunca confie cegamente. E se estiver na dúvida, pergunte. A norma existe pra evitar ambiguidade, não pra confundir quem tá tentando fazer certo.