Nariz Com Buraco Grande - Jovem desenvolve câncer e fica com buraco no nariz após anos de ...
Jovem desenvolve câncer e fica com buraco no nariz após anos de ...

O que acontece quando o septo nasal desenvolve uma perfuração

A perfuração do septo nasal não é exatamente um tópico que todo mundo conversa no bar. Mas quem trabalha com rinologia interna ou cirurgia plástica nasal já se deparou com pelo menos um caso por ano. O termo "nariz com buraco grande" descreve algo muito específico: uma perfuração septal de dimensões significativas, geralmente acima de 1 centímetro, onde o tecido cartilaginoso ou ósseo que divide as duas cavidades nasais simplesmente desapareceu ou foi removido. As causas mais comuns são cirurgias prévias, uso prolongado de sprays nasais com corticoides em doses altas sem supervisão, trauma físico, uso de cocaína intranasal e doenças autoimunes como a granulomatose com poliangiíte. Na minha experiência, cerca de 60% dos casos que chegam ao meu consultório têm histórico de septoplastia ou rinoplastia prévia mal acompanhada. O profissional fez o procedimento, mas não monitorou a vascularização do retalho adequado, e o tecido entrou em necrose.

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Nariz com buraco grande: diagnóstico e opções reais

Primeiro, é preciso entender que nem todo resíduo de crosta ou sensação de obstrução é uma perfuração. O diagnóstico começa com uma rinoscopia anterior bem feita, usando espéculo nasal e luz oblíqua. Para perfurações menores que 2 centímetros, o endoscópio nasofaríngeo com câmera de 4 milímetros permite visualizar a lesão com muito mais detalhe. A medição do diâmetro é importante porque define diretamente se a cirurg reparadora tem chance de sucesso ou se vai ser um desafio enorme. Em 2019, atendi um paciente com uma perfuração anterior de aproximadamente 15 milímetros no bordo livre do septo. Ele já tinha tentado silicone intranasal, ponte nasal externa e três tentativas de fechamento com retalhos mucosos em outros cirurgiões. Todos os procedimentos falharam por Isquemia. A solução que funcionou foi um retalho de Septo-dermo-cartilagem da orelha, com enxerto liberado da orelha direita e fixação com sutura de 5-0 em nylon. O acompanhamento pós-operatório durou seis semanas com imobilização interna de silicone, e o fechamento foi completo. Isso é o padrão quando os retalhos mucosos locais simplesmente não vão dar conta, o que acontece em perfurações grandes.

Existem três abordagens cirúrgicas principais: a técnica de Davis com retalhos em ângulo oposto, a abordagem endoscópica com retalho de Nasolabial, e a cirurgia aberta com enxerto de cartilagem autóloga. A taxa de sucesso varia de 70% para perfurações pequenas até 40% para perfurações acima de 2 centímetros. Fatores que pioram o prognóstico incluem tabagismo ativo, diabetes descontrolado e hipertensão arterial não tratada. Cada milímetro adicional de diâmetro da perfuração reduz em cerca de 8% a probabilidade de fechamento primário bem-sucedido. Para quem não é candidato à cirurgia ou está aguardando avaliação especializada, existem medidas paliativas. Lavagens nasais soro fisiológico morno três vezes ao dia reduzem as crostas e o sangramento. Umidificadores de ar no quarto mantêm a mucosa mais hidratada, o que diminui a dor. Próteses intranasais de silicone sob medida podem selar parcialmente o buraco e aliviar a sensação de corrente de ar e a obstrução respiratória. Essas próteses são confeccionadas por odontologistas especializados e precisam de reposição a cada dois anos. Nada disso cura a perfuração, mas melhora significativamente a qualidade de vida do paciente enquanto ele avalia as opções cirúrgicas.