Modelo De Requerimento Para Cartorio - Modelo De Requerimento Para Cartório
Modelo De Requerimento Para Cartório

Como escrever um requerimento para cartório que realmente funciona

A maioria dos formulários que os cartórios recebem é rejeitada na hora. Não porque o conteúdo seja errado, mas porque a forma não respeita o registo em si. Eu vi muita gente mandando papelada que voltava na hora, com a portaria devolvendo apenas por falta de cláusulas obrigatórias. Isso é frustrante e custa tempo. Vou explicar como fazer, direto.

Primeiro, um requerimento para cartório não é um ofício formal endereçado ao Juiz. É um pedido dirigido ao próprio tabelião ou ao oficial do cartório, sob a sua responsabilidade. A diferença é pequena, mas faz o registo ser aceito sem precisar de intermediação judicial. Quando você trata o pedido como uma solicitação administrativa, o protocolo entra direto. Eu já passei por um caso muito específico em que uma requerimento simples foi devolvido porque o solicitante escreveu "requer se faz necessária a inscrição do imóvel..." — essa frase soa elegante, mas não diz qual o ato registral que se quer. O tabelião tem que adivinhar entre averbação, transferênca, ou retificação. A solução foi reescrever o pedido declarando claramente: "Solicito a averbação da escritura pública nº X, lavrada nesta serventia, com base no artigo 167 da Lei 6.015/73". Foi isso. Mais nada. O formulário entrou no dia seguinte.

modelo de requerimento para cartório

Vou te dar um esqueleto que eu uso quando preciso enviar um pedido para qualquer serventia. Ele não é perfeito, mas funciona na prática.

Estrutura básica de um requerimento para cartório

1. Cabeçalho Endereço do cartório (serventia, comarca, estado).

Nome completo do solicitante, nacionalidade, estado civil, profissão, RG, CPF, endereço completo, telefone e e-mail. Data de elaboração do documento.

2. Qualificação do objeto Descreva o bem ou fato que está sendo pedido. Exemplo: "Imóvel situado à Rua das Flores, 123, Bairro Centro, Cidade X, CEP 12345-000, inscrito no Registro de Imóveis sob matrícula nº 45678, da Comarca de Y". Se houver mais de um imóvel, liste cada um com matrícula separada.

3. Fundamentação legal Cite o artigo da Lei 6.015/73 que autoriza o pedido. Por exemplo, para averbação: artigo 167. Para cancelamento: artigo 168. Para retificação de área: artigo 177. Quanto mais específico, melhor. Não precisa explicar a lei; só cite o número do dispositivo.

4. Pedido propriamente dito Diga exatamente o que quer. "Requer-se a averbação da escritura pública nº X, lavrada nesta serventia, com fundamento no artigo 167 da Lei 6.015/73". Use "requeiro" no singular, porque quem pede é você, o solicitante. Evite verbos no infinitivo ("solicitar", "requerer") no corpo do texto. O pedido deve estar no presente do indicativo.

5. Documentos anexos Liste tudo que está enviando: cópia autenticada da escritura, certidão de óbito, declaração de quitação de impostos, comprovante de residência, documentos pessoais. Cada documento deve ter um número, para facilitar a conferência pelo oficial.

6. Local, data e assinatura Cidade, data, nome legível, assinatura. Se houver procurador, anexe a procuração com firmas reconhecidas. Sem reconhecimento de firma, o pedido volta.

7. Anexos A última folha deve conter a relação numerada dos documentos anexados. Isso facilita a conferência pelo escrivão.

Erros comuns que fazem o pedido ser devolvido

Cartórios devolvem pedidos por erros previsíveis. Aqui vão os mais frequentes que eu já vi: Erro 1: Endereço incompleto ou impreciso do imóvel. "Rua das Flores, 123" pode não existir no sistema. Use a matrícula completa e o endereço tal como consta no registro. Se o endereço registrado estiver desatualizado, peça a retificação primeiro.

Erro 2: Falta de qualificação do solicitante. Nome social, nome de mãe, nome de pai, CPF. Tudo isso precisa estar no início. Sem CPF, não há protocolização. Sem nome da mãe, o registro não reconhece a identidade. Erro 3: Pedido vago. "Quero que faça o que for necessário" não serve. O tabelião não faz tarefas genéricas. O pedido tem que ser específico e lastreado em norma.

Erro 4: Ausência de fundamentação legal. Sem citar o artigo, o oficial não sabe qual procedimento aplicar. Pode haver mais de um caminho para o mesmo fim. A omissão gera devolução. Erro 5: Documentos desatualizados ou ilegíveis. Certidões negativas com mais de 90 dias são muitas vezes rejeitadas. O prazo varia por estado. Verifique a.portaria local antes de anexar.

Quando um requerimento não resolve

Às vezes o que você quer não é um requerimento administrativo, mas uma decisão judicial. Por exemplo: ação de usucapião extrajudicial exige petição inicial, não requerimento. Penhora, arresto, busca e apreensão — tudo isso é matéria judicial. Um requerimento simplesmente não substitui um processo. Você gasta tempo e dinheiro redigindo um documento que vai cair na gaveta do escrivão e retornar. Outro caso: quando o pedido depende de homologação judicial, como a averbação de sentença de divórcio. Aí o caminho é outro. Não adianta insubstituir o pedido judicial com um requerimento administrativo.

Exemplo prático (simplificado)

Aqui vai um modelo realista, adaptado para uso geral. Substitua os campos entre colchetes pelas informações do seu caso. Ilmo. Sr. Tabelião do 1º Ofício de Registro de Imóveis da Comarca de [Cidade/UF]

[Nome completo do solicitante], [nacionalidade], [estado civil], [profissão], portador do RG nº [número] e CPF nº [número], residente e domiciliado na [endereço completo], por meio deste requerimento, vêm respeitosamente solicitar a [averbação/cancelamento/retificação/inscrição] do imóvel situado à [endereço completo], inscrito na matrícula nº [número] deste registro, com fundamento no artigo [número] da Lei 6.015/73. Requer, portanto, a [ação específica desejada], anexando os documentos listados a fls. [número da folha de anexos].

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Nestes termos, Pede deferimento.

[Cidade], [data por extenso]. [Assinatura]

[Nome legível]

Documentos que quase sempre são exigidos

Dependendo do ato, os documentos mudam. Mas, de forma geral, prepare-se para enviar: Cópia autenticada do documento de origem (escritura, contrato, sentença). Autenticação pode ser feita no próprio cartório onde o documento foi lavrado ou por reconhecimento de firma simples, se a lei permitir.

Comprovante de quitação de IPTU e ITBI, quando aplicável. O ITBI é exigido na transmissão onerosa. Se não houver, apresente declaração de isenção, se houver. Certidão negativa de débitos federais, estaduais e municipais do solicitante. O prazo de validade varia. Em São Paulo, por exemplo, a certidão federal tem validade de 180 dias; a estadual, 90 dias.

Certidão de habilitação para casamento, se o pedido envolver partilha de bens decorrente de divórcio. Certidão de óbito, se o pedido for hereditário.

Procuração com firma reconhecida, se houver representante. Comprovante de residência do solicitante.

Comprovante de pagamento das custas registrais. O valor depende do estado e do tipo de ato. Em SP, custas para averbação de escritura variam entre R$ 300 e R$ 800, dependendo da tabela vigente.

Processo prático: do pedido à averbação

O caminho típico leva de 15 a 45 dias úteis, dependendo da complexidade e da demanda do cartório. Passo a passo: 1. Reúna todos os documentos. Verifique os prazos de validade das certidões. Certidões vencidas são devolvidas na hora.

2. Redija o requerimento com a estrutura descrita. Seja claro, direto, fundamentado. 3. Leve o pedido pessoalmente ao cartório ou protocolize online, se a serventia oferecer essa opção. Muitos cartórios em capitais já têm portal de protocolo eletrônico.

4. Aguarde o despacho. O tabelião pode solicitar complementação. Isso é normal. Responda em até 10 dias, sob pena de arquivamento do pedido. 5. Pague as custas. O protocolo informa o valor. Após o pagamento, o oficial profere despacho de aceite.

6. Aguarde a averbação. O prazo varia. Em média, 15 a 30 dias úteis após o aceite. 7. Receba o certificado de matrícula atualizada. Pode ser retirado no cartório ou enviado por correio, se solicitado no momento do pedido.

O que não funciona (e por quê)

Requerimento genérico sem fundamentação legal. O tabelião não pode criar o direito para você. Ele só executa o que a lei permite. Documento entregue sem pagamento de custas. O pedido não avança.

Falta de reconhecimento de firma em procuração. A procuração sem firma reconhecida é nula para fins registrais. Certidões com mais de 90 dias. O cartório pode aceitar, mas muitos rejeitam. Verifique a portaria local.

Solicitação de ato que não compete ao cartório. Por exemplo, pedrimento de averbação de partilha judicial sem a competente sentença transita em julgado. O cartório não julga.

Alternativa: pedido através de advogado

Se o caso for complexo — múltiplas matrículas, questões successórias, conflitos de fronteira — vale a pena contratar um advogado especializado em direito registral. O custo varia, mas o risco de devolução diminui significativamente. Um profissional experiente conhece as particularidades de cada comarca e evita os erros mais comuns. Para pedidos simples, como averbação de escritura própria ou cancelamento de ônus, o custo de um advogado pode não compensar. Nesses casos, seguir a estrutura acima é suficiente.

Conclusão implícita

Um requerimento para cartório bem feito economiza tempo, dinheiro e sofrimento. O segredo está na especificidade: documento correto, fundamentação legal exata, documentos atualizados e pagamento das custas. Sem isso, o ciclo de devolução e reenvio começa, e você perde semanas.