Medico Proctologista Trata O Que - Conheça o proctologista, médico que trata hemorroidas e outras doenças ...
Conheça o proctologista, médico que trata hemorroidas e outras doenças ...

O que esse profissional faz na prática

Um médico proctologista é quem atende questões relacionadas ao trato digestivo inferior, especificamente ânus, reto e cólon. O nome vem de "procto", que em grego significa ânus, e "logia", que significa estudo. Ele não é um clínico geral que também atende essa área por falta de opção. É um especialista com formação própria. A formação normalmente inclui residência em cirurgia do aparelho digestivo ou coloproctologia, com exames de suficiência ou títulos de especialização reconhecidos pelo Conselho Federal de Medicina. No Brasil, o termo "proctologista" é amplamente usado no dia a dia, mas o registro oficial mais comum para quem atua nessa área é cirurgião do aparelho digestivo.

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Ele trata hemorroidas (internas, externas e thrombosadas), fissuras anais, fístulas anorretais, prolapso retal, doenças inflamatórias intestinais quando envolvem acompanhamento especializado local, polipose e câncer colorretal. Também faz o rastreamento de câncer de cólon e reto através de colonoscopia e sigmoideoscopia. Abscessos anorretais, estenoses anais, mucocele de reto e doenças do assoalho pélvico fazem parte do leque de atendimento. Um ponto que muita gente não sabe: proctologista não trata só "problemas no bumbum". Ele acompanha pacientes com doença de Crohn que tem comprometimento perianal, por exemplo. Isso é comum e exige conhecimento específico porque o tratamento cirúrgico nesses casos é muito diferente do tratamento em pacientes sem doença inflamatória intestinal. Eu já vi paciente com fístula recidivante sendo operada três vezes sem ninguém questionar se havia uma doença de Crohn subjacente. A quarta vez, fiz exames de imagem e laboratório, descobri a doença inflamatória, encaminhei para gastroenterologia e o quadro melhorou com tratamento imunomodulador. Cirurgia sozinha em fístula de paciente com Crohn é receita para recorrência.

Hemorroidas são a queixa mais frequente. Mas a maioria das pessoas que vai com suspeita de hemorroida na verdade tem fissura anal ou algo mais. Fissura dói demais na defecação e costuma ter sangue vermelho vivo em pequena quantidade, enquanto hemorroida trombosada causa dor súbita e uma bola endurecida no orifício anal. São coisas diferentes com tratamentos diferentes. Tratar fissura como hemorroida é erro comum que todo especialista já viu acontecer.

Quando procurar esse médico

Sangue nas fezes deve ser sempre avaliado. Mesmo que você tenha história conhecida de hemorroidas, sangue não é motivo para auto diagnótico. Já atendi paciente de 52 anos que achava que o sangue era hemorroida porque tinha histórico familiar. Era câncer de reto. Descobrimos tarde porque ele adiou a consulta por vergonha. Mudança persistente no hábito intestinal por mais de duas semanas também merece avaliação. Diarreia crônica, obstipação nova em pessoa acima de 40 anos, fezes finas em fita, urgência anal, incontinência fecal leve. Tudo isso é terreno fértil para o proctologista atuar. Prurido anal persistente sem causa cutânea óbvia também é motivo de consulta.

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O rastreamento de câncer colorretal começa aos 45 anos em pessoas de risco médio, segundo as diretrizes mais recentes. Pacientes com histórico familiar de câncer colorretal ou polipose devem começar antes, geralmente 10 anos antes da idade do parente mais jovem diagnosticado. Colonoscopia é o exame padrão. Biópsias são tiradas durante o procedimento, não no pós-procedimento.

O exame e o procedimento: como funciona na prática

A consulta típica começa com anamnese detalhada. O médico vai perguntar sobre hábito intestinal, sangue nas fezes, dor, presença de massa, historico familiar, medicações em uso. Depois vem o exame físico, que inclui inspeção da região perianal e toque retal. O toque retal é simples, leva cerca de 30 segundos, mas dá informação muito importante sobre massa palpável, tono do esfincter e próstata nos homens. Anoscopia é o próximo passo na maioria dos casos. É um tubo curto e rígido que permite visualizar o canal anal e a parte distal do reto. Durma que não dói, mas pode causar desconforto. Se for necesaria colonoscopia, ela é marcada separadamente e requer preparo intestinal com laxantes no dia anterior. O preparo é a parte que mais gera objeção por parte dos pacientes, mas é essencial para boa visualização.

Eu já vi colonoscopia mal feita porque o preparo foi inadequado. O médico teve que repetir o exame seis semanas depois. Se o preparo não estiver bom, pápi e lesões pequenas ficam escondidas atrás de residue fecal. Não existe atalho para isso. Siga a prescrição à risca. Tratamentos variam conforme a patologia. Hemorroidas grau I e II podem ser tratadas com medidas conservadoras: fibra, hidratação, banhos de assento, agentes tópicos. Hemorroidas grau III e IV muitas vezes precisam de procedure como arteriopexia, hemorrhoidopexia ou hemorroidectomia aberta ou fechada. Fissuras agudas respondem bem a nitroglicerina tópica ou toxina botulínica. Fissuras crônicas com hipertonia do esfincter interno geralmente precisam de esfinterotomia lateral, que tem taxa de cura acima de 90% mas carrega risco de incontinência gasosa transitória em cerca de 5 a 10 por cento dos casos.

Fístulas anais são um desafio cirúrgico. O tratamento depende da posição do trajeto fistuloso em relação aos músculos do esfincter. Procedimentos que preservam o esfincter, como advance flap ou fibrina glue, são preferíveis quando possível. Laysan do esfincter é eficaz mas tem risco de sequelas funcionais. Eu já tive caso de fístula transesfincterica complexa que precisei tratar em duas etapas: primeiro drenagem com setone temporizador por seis semanas para controlar infecção e marcar o trajeto, depois flap mucoso. Resultado limpo, esfíncter preservado.

O que não esperar

Não existe creme milagroso que resolva hemorroida grau III. Não existe procedimento indolor para fissura crônica. Não existe alternativa confiável à colonoscopia para rastreamento de câncer colorretal em população de risco. Cápsula endoscópica serve para intestino delgado, não para cólon, e não substitui a colonoscopia convencional. Conversar abertamente com o médico ajuda muito. A vergonha é a maior barreira para diagnóstico precoce. Eu entendo, todo mundo entende, mas pacientes que chegam tarde demais com câncer de reto frequentemente dizem que sentiram algo mas não conseguiram marcar consulta por constrangimento. O médico já viu de tudo. Questionar detalhes, pedir explicações, consultar segunda opinião. Nada disso é exagero.