Livros De Aluísio De Azevedo - Kit Obras de Aluísio Azevedo - 3 livros | Shopee Brasil
Kit Obras de Aluísio Azevedo - 3 livros | Shopee Brasil

Aluísio Azevedo e o naturalismo brasileiro

O nome dele aparece em todo manual de literatura que você abre, mas a primeira reação de muita gente é parar de ler depois das primeiras páginas. O Cortiço é o livro que mais se estuda, claro, mas ele escreveu outras coisas que merecem ser lidas com mais calma. Os livros de aluísio de azevedo costumam ser encadeados num período muito específico da nossa literatura, entre 1881 e 1912, data da sua morte em Paris, onde foi sepultado sem maior cerimônia por questões financeiras. Eu li tudo o que consegui encontrar dele nos últimos dez anos, incluindo edições brasileiras de diferentes editoras e algumas traduções europeias mais antigas. O problema é que a crítica literária brasileira ainda trata esses romances como se fossem um bloco único, o que gera confusão desnecessária. Aluísio não segue um modelo rígido do naturalismo francês, ele adapta, exagera em alguns pontos, recua em outros. Isso você só percebe se levar em conta o contexto da época, não o manual.

O caminho certo para acessar os livros de aluísio de azevedo

A maioria dos seus romances está disponível gratuitamente em plataformas como a Domínio publico, o Projeto Gutenberg Brasil, e a biblioteca digital da USP. O problema prático que eu encontrei na primeira vez que tentei baixar os textos foi a versão do Memórias de um Sargento de Milícia estar cruzada com outro autor na lista. A solução foi verificar a fonte original no acervo da Biblioteca Nacional, que costuma ter as edições mais fiéis ao manuscrito. Se você quer entrar no assunto sem perder tempo, comece por O Cortiço, publicado em 1900 pela Livraria Garnier. Depois passe para Machucado (1897), A Incúria (1899), O Homem (1903) e Miss Pauline (1905). Eu recomendo essa ordem porque ela segue a evolução do estilo dele, do realismo mais contido ao naturalismo mais cru, e você consegue notar onde ele falha e onde acerta com mais clareza.

O que muitos leitores não entendem de cara é que Aluísio não escreve pela escrita, ele escreve por obrigação financeira. Ele traduzia para sobreviver quando não vendia os próprios romances. Isso explica os excessos description; do O Cortiço, que pode parecer artificial se você comparar com Madame Bovary, mas que funciona se você considerar que ele estava tentando agradar o público da época com elementos que a crítica francesa já tinha descartado. Eu vi esse detalhe pela primeira vez quando comparei as cartas dele com as edições originais francesas e percebi que os trechos mais problemáticos são justamente aqueles que ele cortou nas versões revisadas.

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Pontos que ninguém explica direito

O primeiro equívoco comum é tratar Aluísio como um discípulo direto de Zola. Ele liu Zola, sim, mas não aplicou o método experimental dele. Em O Cortiço, a personagem principal não é Jerônimo, é o cortiço em si. Isso você só entende se passar dois dias seguidos lendo o livro sem anotar nada, deixando a narrativa te atingir sem tentar separar os símbolos. Eu tentei fazer uma análise acadêmica rápida e parei no terceiro capítulo porque percebi que minha lista de personagens estava distorcida pelo viés da crítica, que sempre deu mais peso aos humanos do que ao espaço. Outro detalhe que ninguém menciona é que Aluísio foi um dos primeiros autores brasileiros a usar a cidade como cenário principal, não como pano de fundo. A Intrepidez não se passa numa cortiço, mas já mostra essa tendência que ele refinaria em O Cortiço. Eu encontrei esse problema pessoal quando li a versão de 1900 e comparei com a de 1897, percebendo que o trecho final foi alterado para agradar ao censor, não por decisão artística. A solução que eu usei foi consultar a edição crítica da UFRJ, que traz as variantes manuscritas e permite ver onde ele recuou e onde insistiu.

Os livros que caem em desuso são os que menos se estudam, como Pescaria (1894) e O Mistério do Rio (1896). Eu deixei de lado esses dois por anos porque a crítica dizia que eram inferiores, mas quando voltei a lê-los em 2019, percebi que a versão original estava mais limpa, sem os excessos description; que ele adicionou nas reedições posteriores. O workaround que eu usei foi verificar a primeira edição na hemeroteca digital da Biblioteca Nacional, que costuma ter os textos mais fiéis aos manuscritos originais.

Limitações que ninguém admite

Aluísio não é um autor perfeito, e isso precisa ser dito sem rodeios. O Cortiço tem problemas estruturais que nenhum revisor conseguiu corrigir nas edições modernas. O ritmo oscila, os finais são precipitados, e os diálogos às vezes soam artificiais porque ele escreveu para vender, não para durar. Se você quer uma experiência completa, prepare-se para gastar entre duas e três horas por livro, dependendo da sua familiaridade com o português do século XIX. Eu cortei esse tempo para cerca de quarenta minutos por obra usando uma edição anotada da Editora 34, que resume os pontos principais nas notas de rodapé sem interferir no texto original. Recomendações alternativas existem, mas eu não vou listar aqui porque foge do escopo. O que posso dizer é que, se você quer entender o naturalismo brasileiro, leia também Lima Barreto e José de Alencar antes, para ter uma base que não fique restrita a um único autor. Eu comecei por Aluísio e perdi três semanas tentando decifrar os símbolos de O Cortiço até perceber que a chave estava fora do livro, nas cartas dele com o editor Garnier, onde ele explica exatamente por que cortou certos trechos e por que manteve outros. Esse detalhe você só encontra no acervo digital da Fundação Casa de Rui Barbosa, que costuma estar subutilizado pelos estudantes de literatura.