A concordância em expressões de tempo: um guia prático
A dúvida entre ja faz anos ou ja fazem anos aparece com frequência em e-mails, documentos e até em conversas formais. A resposta curta é que ambas as formas existem, mas operam em contextos diferentes. Entender quando usar cada uma evita erros que soam estranhos para nativos atentos.
Ja faz anos ou ja fazem anos
O verbo fazer tem um comportamento irregular quando indica tempo passado. Na expressão impessoal "faz dois anos", o verbo permanece no singular porque não há sujeito determinado — estamos falando de uma duração, não de algo que pratica a ação. Isso vale para any expressão do tipo "faz + período de tempo". Por exemplo: "Já faz cinco anos que moro aqui". O "já faz" refere-se à distância temporal, não a uma pessoa ou coisa que faz algo. A estrutura é impessoal. Nesse caso, o singular é a forma correta e a mais aceita pela norma culta.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Quando dizemos "já fazem cinco anos", estamos tratando o período como sujeito plural. Gramaticalmente, isso também é aceito em variantis do português, especialmente no Brasil falado. A concordância ocorre por atração — o numeral "cinco anos" puxa o verbo para o plural. Não está errado, mas é importante saber que se trata de uma flexibilização, não da regência padrão. No português de Portugal, a preferência é mais firme pelo singular. No Brasil, ambas as formas circulam amplamente, e o plural tende a ganhar espaço em registros informais. A diferença não é apenas estética — pode sinalizar registro, origem geográfica ou nível de formalidade do texto.
Um caso que me pegou desprevenido foi num laudo técnico onde eu precisava registrar que "já fazem três anos" desde uma instalação. O revisor apontou o plural como inadequado ao contexto formal. Usei a forma singular ("já faz três anos") e ajustei o restante do documento para manter coerência registral. Aprendi que, em textos que passam por crítica editorial, o singular impessoal é sempre a opção mais segura. Outra nuance que poucos consideram: quando o período vem depois do verbo, a tentação de usar o plural aumenta. "Já fazem dois anos" soa natural para muita gente porque "dois anos" parece o sujeito. Mas a análise sintática revela que "dois anos" é complemento adverbial de tempo, não sujeito. O verbo continua impessoal.
Se você escreve para publicação acadêmica, jurídica ou institucional, mantenha o singular. Para mensagens informais, redes sociais ou conversas do dia a dia, o plural é amplamente compreendido e aceito. A chave é reconhecer o registro e alinhar a escolha ao contexto.