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Concordância em português: o que realmente importa

Quando se trata de concordância, a maioria das pessoas trava nos mesmos lugares. Verbos que se confundem com substantivos, sujeitos ocultos que ninguém nunca encontrou, e aquelas armadilhas clássicas de prova que parecem pegadinha. O básico é simples, mas a prática mostra que existem nuances que fogem do ensino médio.

Indique a alternativa em que não há erro de concordância.

Para resolver esse tipo de questão com segurança, você precisa dominar pelo menos três regras fundamentais. Primeiro, a concordância verbal com sujeitos compostos antes do verbo exige plural. "Faltam livros e cadernos na estante" está correto. Já se o sujeito composto vier depois, alguns ainda insistem no singular, mas o certo é plural: "Faltam livros e cadernos". Isso é básico, porém em provas de concurso já vi gente errar porque o verbo vinha longe demais do sujeito. Segundo, o verbo "haver" no sentido de existir é impessoal. Nunca concorda com nada. "Havia muitas pessoas na sala" sempre fica no singular, mesmo que o complemento seja plural. Já o verbo "existir" concorda normalmente: "Existiam muitas pessoas". Essa diferença causa confusão constante, e é exatamente o tipo de armadilha que cobra em prova.

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Terceiro, a concordância do particípio com o auxiliar "ter" ou "haver" segue a regra padrão: o particípio fica invariável. "Eles tinham feito o trabalho" — "feito" não varia. Mas com o auxiliar "ser" ou "estar", o particípio varia: "O trabalho foi feito pelos alunos". Essa distinção aparece com frequência em questões de múltipla escolha, e quem não domina acaba chutando. Um detalhe que poucas pessoas levam em conta é a concordância comexpressões partitivas como "metade de", "a maioria dos", "grande parte dos". Essas expressões exigem verbo no singular quando o artigo acompanha o numeral: "A metade do bolo foi comida". Mas quando o artigo surge no plural, o verbo também vai para o plural: "Metade dos bolos foram vendidos". Parece contraditório, mas faz sentido sintático. Na prática, eu corrigia questões assim: se o artigo aparece antes do numeral, concorda com o numeral; se não aparece, concorda com o substantivo seguinte.

A concordância nominal também tem suas pegadinhas. Adjetivos que se referem a substantivos de gêneros diferentes exigem o masculino plural, que funciona como gênero neutro: "Alunos e alunas matriculados" — "matriculados" no masculino plural, não "matriculadas". Isso é regra, mas muita gente erra porque pensa que deveria concordar com o último substantivo. Também vale lembrar que "anexo", "incluso", "próprio" e "mesmo" variam em gênero e número, enquanto "bastante", "mesmo" (no sentido de semelhante) e "quite" são invariáveis nesse contexto. Uma situação que encontrei recentemente envolvia a construção "é necessário" versus "necessário é". Quando "necessário" vem antes do verbo ser, ele pode variar: "Necessárias são as medidas". Quando vem depois, some com o sujeito: "É necessária a medida" (singular). Porém, se o sujeito for plural, o verbo e o adjetivo concordam: "São necessárias as medidas". A confusão acontece porque algumas bancas consideram "é necessário" invariável mesmo com sujeito plural, o que é errado segundo a norma culta. Nesse caso específico, a banca cobrou "São necessários os documentos" como correto, e quem marcou "É necessário os documentos" errou feio.

Para treinar, recomendo buscar questões de bancas como FGV, CESPE e VUNESP, que são as que mais cobram concordância com frequência e com nível de dificuldade razoável. Resolva pelo menos cinquenta questões por semana, anotando cada erro. Com dois meses de prática consistente, você elimina a maior parte dessas dúvidas. O segredo não é decorar regras, é entender a lógica por trás delas.