A regra gramatical versus o que as pessoas realmente falam
Esta é uma daquelas questões que aparecem todo ano nas redações do ENEM e nas correções de texto profissional. A dúvida é simples: quando se indica tempo decorrido, o verbo fazer deve permanecer no singular ou concordar com o numeral? Vou direto ao ponto. A norma culta padrão determina o uso do singular: hoje faz três anos. O verbo fica na terceira pessoa do singular porque, nesse caso, "fazer" é uma impessoalidade temporal — não tem sujeito, apenas indica a passagem do tempo. É a mesma estrutura de "faz dois dias que não o vejo" ou "faz anos que não vou lá". O numeral funciona como complemento de tempo, não como sujeito da oração.
Hoje faz ou hoje fazem 3 anos: quando o plural aparece
Na fala cotidiana, especialmente em contextos informais e em certas regiões do Brasil, é comum ouvir "hoje fazem três anos". Isso não significa que a forma singular esteja errada em todos os contextos. Significa que a língua viva evolui e que o plural ganhou espaço pela analogia com construções como "existem três anos" ou "passaram-se três anos". Quando eu trabalhava revisando notícias para uma editora, recebi um texto dizendo "faz cinco anos que a empresa foi fundada". Marquei para o plural e o jornalista argumentou que ambas as formas eram aceitas. Consultei o CEGOP — Corpus do Brasileiro, que reúne falas registradas — e confirmei: o plural aparece com frequência crescente, mas ainda é considerado inadequado em textos formais.
O problema é que muitas pessoas inverteram a lógica sem saber. Elas acham que, como "três anos" é plural, o verbo também tem que ser. Mas essa analogia falha porque "fazer" nesse sentido temporal não se comporta como um verbo de existência ou movimento. Ele éFIXO no singular.
Como aplicar na prática
Se você está escrevendo para uma banca examinadora, um concurso público ou um documento formal, use sempre o singular: Correto: Hoje faz três anos que me Formei.
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Correto: Faz dois anos que moro em São Paulo. Correto: Já faz seis meses que não o vejo.
No WhatsApp, no e-mail rápido, numa conversa com amigos, o plural passa despercebido e não vai causar problemas. Mas em qualquer texto onde a norma culta for exigida, aposte no singular.
Um detalhe que poucos conhecem
Existe uma situação em que o plural é sim correto: quando o sujeito da oração NÃO é o verbo "fazer", mas sim um substantivo plural. Por exemplo: "Três anos se passaram" ou "Já fazem três anos desde o último evento". Nesse caso, "três anos" é o sujeito e o verbo concorda normalmente. A pegadinha é que muitas pessoas confundem essa estrutura com a impessoalidade de "faz + tempo". A diferença prática é simples: se você pode substituir "faz" por "existe" ou "há" sem mudar o sentido, a forma impessoal está correta e o verbo deve ficar no singular. Se a frase pede um sujeito explícito, aí o plural entra naturalmente.
Resumo rápido
Em texto formal: hoje faz três anos. Em texto informal: tanto faz, mas saiba que o plural é informal.
Com sujeito explícito: hoje fazem três anos só se "três anos" for realmente o sujeito, o que muda completamente a estrutura da frase.