História Engraçada Para Crianças - História Engraçada para Crianças sobre Volta as Aulas | Back to School ...
História Engraçada para Crianças sobre Volta as Aulas | Back to School ...

Como contação de histórias funciona na prática

Contar uma história engraçada para crianças não é tão simples quanto parece. A maioria dos pais acha que precisa de um roteiro elaborado ou de vozes diferenciadas pra cada personagem. Na verdade, o que funciona de verdade é bem mais tranquilo do que as pessoas imaginam. O segredo tá na execução, não no conteúdo em si. Certa vez, eu tava tentando contar uma história pro meu sobrinho de quatro anos. Inventei um roteiro inteiro sobre um pato que viajava de avião. Fiquei meia hora improvisando, fazendo sons de motor, imitando o capitão, tudo aquilo. O garoto não prestou atenção nem um minuto. Tava olhando pra uma mancha na parede o tempo todo. Aí eu desisti, parei de fazer drama e simplesmente disse: "O pato caiu no avião. Tá todo molhado." Ele começou a rir. Riu muito. A lição que eu tirei foi que menos é mais quando o assunto é criança pequena.

Elementos de uma história engraçada para crianças

Tem três coisas que todo bom contador precisa ter em mente. A primeira é o ritmo. Não adianta correr. Crianças precisam de tempo pra processar o que você tá dizendo e, mais importante, pra antecipar o que vai acontecer depois. Se você fala rápido demais, perde elas na primeira frase. A segunda coisa é a repetição. Criar frases ou sons que se repetem durante a história ajuda a prender a atenção. Não é coincidência que livros infantis famosos usem essa técnica o tempo todo. A terceira é o inesperado. Algo que contradiz a expectativa das crianças gera risada automaticamente. Um elefante que entra num quarto minúsculo. Uma vaca quelate chocolate em vez de feno. Coisas simples assim. Um erro muito comum é tentar encher a história com muitos personagens. Cada personagem novo exige que a criança acompanhe outra voz, outro comportamento. Se você tem cinco personagens diferentes, ela vai se perder em três minutos. Eu recomendo no máximo dois ou três. Dois é o ideal. Um protagonista e um acompanhante problemático. A dinâmica entre os dois já sustenta a narrativa inteira.

Montando sua história do zero

Você não precisa escrever tudo num papel. Eu nunca escrevo nada antes de contar. O problema de escrever com antecedência é que você acaba decorando o texto e vira um robô lendo algo decorado. Crianças sentem isso na hora. Elas percebem quando você tá repetindo algo ensaiado e perdem o interesse. O melhor é ter uma estrutura simples na cabeça: começo, meio e final. Só isso. O resto você inventa na hora, reagindo às reações delas. O começo precisa ser claro e direto. Apresente o personagem principal e o problema dele nas primeiras duas frases. Não gaste tempo com descrições longas do ambiente. Se o personagem é um sapo que quer voar, você já pode pular direto pra ação. O meio é onde a coisa fica interessante. Aqui entram os obstáculos e as tentativas frustradas. O sapo tenta voar de várias formas e erra em todas. A cada tentativa, você pode adicionar um detalhe novo que faça a criança rir ou se surpreender. O final precisa resolver o problema de um jeito inesperado. O sapo finalmente voa, mas descobre que prefere continuar no chão porque dá pra pular mais alto. Ou ele voa e pára num lugar onde não tem ninguém pra se gabar, então volta pras CASA. A moral não precisa ser óbvia. Às vezes o melhor final é aquele que não explica nada e deixa a criança falando "por quê?" durante dez minutos. Isso também conta como sucesso.

Um detalhe que muita gente esquece é a pausa antes do clímax. Antes de revelar o final, faça uma pausa de dois ou três segundos. Olhe nos olhos da criança. Espere. Isso aumenta a tensão e a risada final fica muito mais forte. Eu já vi esse truque funcionar com crianças de três a oito anos sem falhar nenhuma vez.

Adaptação conforme a idade

Não adianta usar a mesma história pra uma criança de dois anos e outra de sete. A de dois anos responde melhor a sons, repetições e situações físicas. Uma história sobre um cachorro que se perde e encontra comida funciona bem porque envolve animais e necessidades básicas. A de sete anos já consegue acompanhar tramas mais complexas com reviravoltas e ironia. Você pode usar o mesmo tema, mas mudar a abordagem. No caso do cachorro, pra uma criança maior você pode criar um mistério. Onde ele foi parar. Quem o encontrou. Por quê. A estrutura é a mesma, mas o nível de complexity muda completamente. Se você tiver várias crianças juntas com idades diferentes, o mais prático é focar na faixa etária mais baixa. A história vai ser simples pra elas, mas os adultos vão achar graça nos detalhes extras que você puder soltar de vez em quando. É assim que funciona nas feiras de livros infantis e nos livros didáticos que eu vi analisarem ao longo dos anos.

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Downloads e materiais de apoio

Existem sites com bancos de histórias prontas que você pode baixar gratuitamente. Eu pessoalmente uso bastante o site do Projeto Tomaz, que reúne contos populares brasileiros organizados por faixa etária. Também tenho usado mais recentemente coletâneas do site Meu Livrinho, que permite imprimir histórias em PDF com ilustrações. Ninguém me paga pra mencionar esses links. Só acho útil porque já precisei de material rápido em várias ocasiões, especialmente quando eu ia visitar amigos e não sabia se as crianças iam gostar do que eu ia contar. Um ponto que merece atenção: baixe histórias de fontes confiáveis. Tem site cheio de história com conteúdo impróprio disfarçado de conteúdo infantil. Às vezes você lê rápido demais e percebe só depois. Eu já li uma história sobre uma fada que aparentemente era inofensiva e descobri que tinha referências a coisas nada apropriadas pra crianças. O correto é sempre dar uma olhada antes de imprimi ou mostrar pra um garoto de cinco anos. Isso vale pra qualquer fonte, não só pra sites específicos.

Erros que arruínam a contação

O erro mais frequente é falar alto demais. Parece contraditório, mas muitos adultos acham que precisam gritar pra segurar a atenção das crianças. Na realidade, crianças ficam irritadas com voz alta. O efeito é oposto ao desejado. Elas se fecham, desligam ou começam a chorar. Fale num tom normal, quase de conversa. Aproxime-se um pouco. Olhe nos olhos. Isso já é suficiente pra maioria das crianças prestarem atenção. Outro erro comum é não terminar a história. Você começa entusiasmado, perde o fio da meada no meio e acaba dizendo "e foi assim que acabou" sem explicar nada. Isso frustraa criança e ela não vai querer ouvir outra história sua por um tempo. Sempre termine. Mesmo que você tenha esquecido o final, invente um novo ali na hora. Nunca deixe no suspense proposital, a menos que seja parte planejada da narrativa. Situações de suspense são uma coisa. Esquecer o final é outra bem diferente.

Tem também o problema de usar linguagem muito. Não precisa simplificar demais até soar infantil. Crianças entendem palavras novas quando você as usa em contexto. Se você disser "o elefante estava perplexo" e explicar com a expressão facial ou com um gesto, ela entende. Não precisa trocar por "o elefante ficou muito surprised". A exposição a vocabulário variado ajuda no desenvolvimento linguístico delas. O equilíbrio é não usar palavras obscuras ou trechos longos sem explicação. Uma ou duas por história já é suficiente pra ampliar o repertório sem confundir.

Dicas avançadas de storytelling infantil

Se você quer ir além do básico, tem uma técnica que costuma dar certo. Chama-se quebra de expectativa. Consiste em criar uma situação que parece levar a um desfecho óbvio e, de repente, inverter tudo. A criança espera que o coelho fuja do lobo. Em vez disso, o lobo foge do coelho. A reviravolta gera risada imediata. O legal é que você pode aplicar isso várias vezes dentro da mesma história. Não precisa ser só no final. Cada bloco da narrativa pode ter uma quebra dessas. Só tome cuidado pra não exagerar. Se toda cena for imprevisível, a criança se acostuma e para de se surpreender. Duas ou três quebras por história é o limite razoável. Outro detalhe que faz diferença é o uso de sons onomatopeicos. "Tum", "ploc", "crash". Crianças adoram esses sons e eles ajudam a mantener o ritmo. Não precisa forçar. Se a história pede um barulho, você faz. Se não pede, não inventa. O excesso de efeitos sonoros vira ruído e distrai ao invés de engajar.

Por fim, um conselho que talvez seja o mais importante. Respeite o momento da criança. Se ela estiver cansada, com fome ou distrída, não adianta forçar. Histórias contadas nesse estado geralmente terminam em fracasso. A criança não ri, não presta atenção e você acaba frustrado. Espere o momento certo. Geralmente depois do banho, antes de dormir, quando a energia já baixou e elas estão mais propensas a ficar calmas. É nesse momento que a contação realmente funciona. Ao longo dos anos eu aprendi que o importante não é a qualidade literária da história em si. É a conexão entre quem conta e quem ouve. A história engraçada para crianças é apenas o veículo. O que importa é o tempo compartilhado. Se você conseguir isso, o resto vem naturalmente.