Geografia É Humanas Ou Exatas - Geografia é Humanas Ou Exatas - RETOEDU
Geografia é Humanas Ou Exatas - RETOEDU

por que essa pergunta não faz sentido como você pensa

pessoas chegam nesse fórum todo dia perguntando se geografia é humanas ou exatas, e a resposta curta é que a geografia moderna trabalha com os dois lados ao mesmo tempo, e o problema é que você precisa dominar ambos para conseguir algo decente no mercado. eu comecei na área ainda no ensino médio, quando minha escola obrigou a escolher entre biologia/geografia ou história/geografia. eu escolhi humanas, e levou uns cinco anos até eu perceber que estava desprovido da parte técnica que todo mundo que entra depois de ciências exatas já traz como padrão.

geografia é humanas ou exatas: a verdade que ninguém conta

a classificação tradicional te obriga a escolher uma ou outra, e isso é um artifact do sistema educacional brasileiro dos anos 1970 que nunca foi revisto. geografias físicas lidam com climatologia, geomorfologia, hidrologia e botânica aplicada, que usam estatística pesada, modelagem computacional e laboratório. isso é ciência exata, ou muito perto disso. geografias humanas trabalham com planejamento urbano, geopolítica, sociologia espacial, economia regional. essas são ciências sociais, dentro do ramo de humanas. o problema real é que a maioria dos editais de concurso e das ementas de curso te classificam de forma binária, e aí você se prepara só para metade do conteúdo.

eu tenho um exemplo concreto disso. há alguns anos atrás, fiz uma banca de mestrado que pedia uma proposta de pesquisa em geografia, e eu tinha escrito um projeto focado em análise de dados espaciais com geoprocessamento. o avaliador mais velho da comissão me disse "você tá muito matemático para a geografia". o outro avaliador, que era da área de geografia física, ficou incomodado porque meu projeto usava poucos referenciais teóricos da geografia crítica. eu passei, mas a experiência me mostrou que existe um preconceito estrutural contra geógrafos que sabem lidar com as duas pontas. o workaround que eu encontrei foi simples e mudou minha carreira. eu parei de tentar se encaixar em uma classificação e passou a me apresentar como geógrafo com formação mista. em currículo, em perfil profissional, em conversa. as pessoas para que realmente precisam de alguém que saiba ler dados espaciais com uma base teórica sólida acabam contratando você sem questionar a taxonomia.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

se você está começando agora e não sabe por onde pegar, a recomendação que eu dou para mim mesmo no passado seria diferente: antes de decidir a área, faça uma disciplina de estatística aplicada à geografia e uma de teoria crítica da geografia. elas vão te mostrar se seu cérebro funciona melhor com dados ou com ideias, e isso vai definir seu caminho mais rápido do que qualquer conselho genérico. uma coisa que eu aprendi na prática e que ninguém fala em sala de aula é que ferramentas como qgis, arcgis e até bibliotecas python como folium e geopandas são mais difíceis de dominar do que a parte conceitual. eu gasto mais tempo resolvendo problemas de coordenadas, projeções e geometrias inválidas do que entendendo os conceitos de siad ou análise espacial. se você nunca mexeu com isso, começa hoje. baixe o qgis, que é gratuito, e tente reproduzir um mapa simples com dados abertos do ibge.

um pitfall comum é achar que geografia humana é só redação. tem gente que entra no curso achando que vai discutir política e espaço sem precisar de nada técnico, e na terceira disciplina de pesquisa qualitativa já está perdido porque não sabe nem fazer uma revisão bibliográfica estruturada. o oposto também acontece: o cara que veio da exata termina a faculdade sendo incapaz de escrever um texto dissertativo que faça sentido fora do matlab. eu também tive um problema bem específico que vale a pena mencionar. num projeto de mapeamento de áreas de risco usando imagens de satélite, eu confiei cegamente na resolução nominal dos dados do inpe sem verificar a data de aquisição e a cobertura de nuvens no mês correspondente. o resultado foi que metade dos pixels tinha interferência atmosférica que distorceu completamente a classificação do solo. eu perdi três semanas refazendo o processamento. a lição foi simples: sempre verifique a qualidade raw dos dados antes de processar, e use o s2dassembler ou similares para validar a assinatura espectral antes de confiar na classificação.

o que separa os bons geógrafos dos medíocres não é saber se a área é humanas ou exatas. é conseguir transitar entre os dois campos com conforto e reconhecer quando cada abordagem é a correta. se você quer entrar no mercado de geoprocessamento, foque na parte técnica. se quer pesquisa acadêmica em geografia crítica, foque na teoria. mas não encare isso como uma escolha definitiva. o campo mudou, e quem não se adaptar fica para trás. para quem tá começando agora, o caminho menos doloroso que eu vi funcionar é: ler dois clássicos da geografia brasileira, como os livros do claudio gomes e do joão nogueira, e ao mesmo tempo fazer um curso prático de qgis. faça os dois em paralelo, não um de cada vez. isso evita o desequilíbrio que eu tive no início da minha trajetória.

a classificação entre humanas e exatas é útil para organizar ementas e concursos, mas não define o que você vai fazer no dia a dia. o que define é sua capacidade de ler dados, questionar teorias e construir argumentos que façam sentido tanto em um gráfico quanto em um texto. se você conseguir isso, a etiqueta não importa mais.