Formula Queda De Tensão - Formula De Queda De Tensao Em Comunicado Oficial, A FIA Informou Que
Formula De Queda De Tensao Em Comunicado Oficial, A FIA Informou Que

Entendendo a fórmula queda de tensão na prática

A gente costuma complicar demais um conceito que, no fundo, é só Ohm aplicado ao comprimento do fio. A fórmula básica é bem conhecida: V = (2 × × L × I) / A para corrente contínua ou monofásica. Para trifásico, o 2 vira raiz de 3. Esse é o padrão que todo mundo aprende na faculdade e esquece na primeira semana de obra.

fórmula queda de tensão

O problema é que a maioria das pessoas aplica a fórmula sem considerar o que acontece quando o comprimento ultrapassa 100 metros ou quando o fator de potência está longe de 1. Eu já vi engenheiro calcular queda de tensão usando apenas a resistência ôhmica do condutor num circuito trifásico com motor de 15 cv e fator de potência 0,78. O resultado deu abaixo de 3% na conta, mas na medição real o quadro de comando estavam com relés disparando. A reatância indutiva do cabo não tinha entrado no cálculo. Depois de refazer com a impedância completa, a queda real era de 6,8%. Subi a bitola de 10 mm² para 16 mm² e o problema resolveu. O que muita gente não leva em conta: a temperatura. A resistividade do cobre muda com a temperatura. A norma ABNT NBR 5410 considera 70°C para PVC, o que aumenta a resistividade em cerca de 22% em relação à condição de 20°C. Se você usar o valor padrão de 0,0172 ·mm²/m sem correção térmica, o erro na estimativa pode passar de 15%. Multiplicar a resistividade por um fator de correção de aproximadamente 1,22 já resolve na maior parte dos casos práticos.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Outro ponto que os manuais não enfatizam suficiente é a diferença entre queda de tensão no circuito geral e queda pontual nos ramais. Às vezes o transformador da concessionária já entrega com 242V em vez de 230V, o que dá uma margem boa pra queda no ramal final. Trabalhei num projeto onde o cliente reclamava de lâmpadas LED piscando no último setor de uma nave industrial. A queda total do sistema era de 4,2%, mas só o ramal final tinha 3,1%. Trocar o disjuntor geral não ia resolver. A solução foi aumentar o bitolamento apenas nesse trecho de 85 metros, o que reduziu a queda pontual para 1,8% e eliminate o problema. Para correntes alternadas trifásicas, a forma mais precisa é V = 3 × I × L × (R × cos + X × sen) / A. Onde R é a resistência por quilômetro, X é a reatância por quilômetro, cos é o fator de potência e sen é a parte reativa correspondente. Essa equação considera ambos os componentes da impedância. Em circuitos puramente resistivos, o termo reativo some e a conta volta a ser só resistência. Na prática, quase todo circuito real tem alguma carga indutiva, então ignorar X gera erro sistematicamente para baixo.

A queda máxima permitida pela NBR 5410 é de 5% no circuito total, sendo recomendado que os ramais individuais não ultrapassem 3%. Esses valores são limite operacional, não segurança contra choque elétrico. Uma queda de 7% não vai eletrocutar ninguém, mas vai fazer motores aquecerem mais, lâmpadas escurecerem e eletrônicos sensíveis irem abaixo da tensão mínima de operação. Exemplo rápido de cálculo com dados reais: circuito trifásico de 230V, corrente de 40A, distância de 60 metros, cabo de 10 mm² de cobre, fator de potência 0,85. Resistência do cabo 10 mm² aproximadamente 1,83 /km. Reatância aproximada 0,08 /km. Cos = 0,85, sen 0,527. V = 3 × 40 × 0,060 × (1,83 × 0,85 + 0,08 × 0,527) = 1,732 × 40 × 0,060 × (1,5555 + 0,0422) = 1,732 × 2,4 × 1,5977 6,63V. Queda percentual = 6,63 / 230 × 100 2,88%. Dentro do limite de 3% para ramal, mas do teto. Se o comprimento fosse 100 metros, a queda passaria para quase 4,8%, fora da recomendação.

Há planilhas e softwares que fazem esse cálculo automaticamente, como o Elcom ou até mesmo funções no Excel que consultam tabelas da ABNT. O problema é que muitas delas usam resistências nominais sem ajuste de temperatura e sem reatância. Se você confia cegamente nesses valores, vai repetir o mesmo erro que eu cometi nos primeiros projetos. Sempre confera manualmente pelo menos um circuito antes de validar o resto pela ferramenta. Caso você precise de uma referência rápida para consulta, posso indicar a tabela de quedas por Ampere-km da NBR 5410, que permite estimativa direta sem entrar nos cálculos de impedância. Funciona bem para instalações residenciais e comerciais simples, onde os cabos são curtos e as cargas majoritariamente resistivas. Para painéis de comando, motores de média potência ou trajetos longos, volte para a fórmula completa com impedância.