Filmes Sobre Napoleão Bonaparte - Além de Napoleão: 5 filmes sobre Napoleão Bonaparte
Além de Napoleão: 5 filmes sobre Napoleão Bonaparte

Uma lista prática de filmes sobre Napoleão

Se você quer assistir a algo decente sobre Napoleão Bonaparte, a realidade é que o cinema só conseguiu capturar uma fração pequena da vida dele. A maioria dos filmes foca em Waterloo ou na fase italiana. Poucos tentam contar a história completa, e os que tentam geralmente caem em exagero dramático ou imprecisões históricas graves. Mesmo assim, existem obras que valem o tempo.

filmes sobre napoleão bonaparte: o que realmente vale a pena

Aqui vão os títulos que eu considero úteis, com o que funcionou e o que não funcionou em cada um.

Napoleão (2002), minissérie com Alec Baldwin

Esta é provavelmente a adaptação mais abrangente que já foi produzida para televisão. Tem dez episódios e cobre desde a infância até a morte em Santa Helena. Alec Baldwin entrega uma performance séria, sem piadas fáceis. O problema é o orçamento limitado para cenas de batalha. As paisagens parecem de estúdio e os exércitos têm a aparência de duzinhos figurantes. Para quem quer uma visão geral cronológica, serve. Para quem busca épica cinematográfica, vai decepcionar.

Napoleão (1927), de Abel Gance

Este é o filme mudo mais ambicioso já feito sobre qualquer figura histórica. Gance usou três projetores simultâneas no clímax da coroação, um efeito chamado polyscope. A versão restaurada pela Cinémathèque Française tem cerca de seis horas. Demora muito para assistir. Os primeiros trinta minutos são lentos demais para muitos espectadores modernos. Mas a sequência de Austerlitz, com cortes rápidos e sobreposições, é tecnicamente impressionante mesmo aujourd'hui. Se você tem tempo e paciência, assiste. Se quer entretenimento leve, esquece.

Napoleão (2023), de Ridley Scott

O filme do Ridley Scott trouxe Joaquin Phoenix e Vanessa Paradis. As batalhas são grandes, os trajes são fiéis ao período, e o trabalho de produção é sólido. O defeito principal é o roteiro: ele trata Napoleão como se fosse apenas um general ambicioso, ignorando completamente as reformas administrativas, o Código Civil, e a complexidade política que realmente definiu o homem. Também corta quase tudo sobre Josefina depois da separação. É um espetáculo visual competente que sabe pouco do assunto que retrata. Vale uma vez, mas não é referência.

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Ludwig II da Baviera (1972) e outros filmes onde Napoleão aparece de passagem

Muita gente não considera isso, mas filmes sobre a corte austríaca ou sobre a Prússia às vezes trazem Napoleão como personagem secundário. A adaptação de Lubitsch de 1938, "O Grande Duque e o Garçom", não é relevante aqui. O que interessa são os documentários britânicos dos anos 1970 que usam trechos de arquivo. Eles têm dados interessantes sobre o contexto europeu.

Davi e Napoleon (1953), também conhecido como Napoleon

Produção italiana com Victor Mature. O filme é mais romance de época do que drama histórico. As batalhas são enxutas, os diálogos soam artificiais. Ainda assim, a reconstrução de vestuário é cuidadosa. Se você curte a estética do período e não liga para precisão, funciona como passatempo. O que os fãs de cinema histórico não entendem logo de cara é que Napoleão não era um guerreiro padrão. Ele era um artilhheiro de formação. Isso significa que a estratégia dele dependia de velocidade de movimento artilharia, não de cargas de cavalaria heroicas. Nenhum filme comercial conseguiu traduzir isso de forma clara. Os diretores sempre preferem mostrarcharge de cavalaria porque é mais visível e emocionante. O resultado é que o público sai achando que Napoleãowinning sempre com golpes frontais, quando na verdade ele ganhava manipulando linhas de comunicação e dividindo exércitos inimigos.

Outro detalhe que os roteiristas quase sempre erram é a altura. Napoleão tinha cerca de 1,68m, altura média para a época. A lenda do "complexo de Napoleão" é uma invenção britânica do século XIX. Dois filmes, o de Scott e o de Gance, dão destaque exagerado à sua estatura como se fosse uma característica marcante. Não era. Se o seu objetivo é realmente entender o período, assistir filmes não substitui leitura. O problema é que livros acadêmêmicos são densos e chatos para o público geral. O meio-termo mais eficiente é combinar um documentário bem pesquisado com um filme de ficção. Por exemplo, assistir primeiro a "Napoleon: The Final Verdict" da BBC, que tem cerca de duas horas, e depois o filme do Ridley Scott ou a minissérie de 2002. Assim você tem contexto real antes de ver a dramatização, o que ajuda a identificar onde os roteiristas cortaram ou inventaram coisas.

Um ponto prático que todo mundo esquece: a disponibilidade desses filmes varia demais por região. O filme de Abel Gance só pode ser visto em versões restauradas em sites especializados ou em coleções em blu-ray importadas. Na Netflix brasileira, por exemplo, os títulos mudam a cada dois meses. Eu costumo usar o JustWatch para verificar onde cada filme está disponível no momento. Funciona bem, mas a base de dados às vezes não refleja Streaming regionais menores. Se você quiser uma experiência mais direta sem depender de streaming, comprar ou alugar o blu-ray da minissérie de 2002 ainda é a opção mais estável. O discotem áudio em português brasileiro em várias versões, o que facilita quem não quer legendas. A qualidade de imagem é mediana, nada comparável a produções recentes, mas o conteúdo em si compensa.

Resumindo de forma útil: existem poucos filmes bons sobre Napoleão. A minissérie de 2002 é a mais completa. O filme de Gance é o mais ambicioso tecnicamente, mas exige compromisso de tempo. O de Ridley Scott é visualmente agradável mas historicamente raso. Nenhum deles captura a genialidade estratégica dele de verdade, porque a estratégia Napoleônica é inherentemente difícil de filmar. Fica aí a recomendação: assista, mas leia também.