Faz Dois Anos Ou Fazem - Qual a frase correta: Faz dois anos ou Fazem dois anos? | Português Genial
Qual a frase correta: Faz dois anos ou Fazem dois anos? | Português Genial

A regra que todo mundo confunde sobre tempo decorrido

O verbo fazer quando indica tempo decorrido é impessoal. Não existe flexão. Ele fica sempre na terceira pessoa do singular, independente de quantos anos, meses ou dias tenham passado. Então a forma correta é "faz dois anos", "faz três meses", "faz quinhentos dias". O fato de o substantivo que vem depois estar no plural não muda nada.

Por que as pessoas erram tão seguido

A confusão acontece porque o cérebro quer concordar com o termo que aparece depois do verbo. Você pensa: dois anos é plural, então o verbo tem que ir para o plural também. Não vai. Quando fazer funciona como marcador de tempo decorrido, ele é um verbo auxiliar sem sujeito. Não há o que concordar. É literalmente um caso em que o sujeito não existe. Eu já vi corretores textuais e editores júnior arrumarem isso errado em documentos oficiais. Certa vez, numa proposta comercial que eu revisava, alguém tinha escrito "fazem cinco anos que não atualizamos o sistema". Eu mudei para "faz" e o autor da proposta argumentou que via essa forma plural em lugares. Viu. Em lugares errados. O problema é que a norma culta não é o único padrão existindo, mas para escrita formal a regra é clara: faz invariável.

A exceção que causa mais polêmica

Existe um contexto onde fazem pode parecer correto, mas na verdade não é a mesma construção. Quando você diz algo como "fazem dois anos que trabalho aqui", algumas gramáticas mais flexíveis aceitam a concordância com o complemento. A maioria dos manuais de redação sérios, porém, mantém a recomendação de invariabilidade. A CEGAV (Comissão de Emergência de Gramática da Língua) não existe, claro, mas o posicionamento do Rio de Janeiro acadêmico é bem firme nessa questão desde os anos 90. O que muda mesmo é quando o sujeito existe de verdade. Se a frase for "Dois anos fazem falta", aí sim o sujeito é "dois anos" e o verbo flexiona. O verbo está exercendo sua função normal de indicar ação praticada por um sujeito. Já em "faz dois anos que...", o verbo não tem sujeito. Ele apenas marca a passagem do tempo. São construções completamente diferentes que a superficialidade visual disfarça.

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Como testar na prática

Se você não tem certeza, tente substituir por "ocorre" ou "decorre". Em "faz dois anos", você poderia dizer "ocorre há dois anos" ou "decorrem dois anos". Se a substituição funcionar mantendo o sentido temporal, use a forma invariável. Essa dica é útil principalmente em avaliações escritas ou revisões de texto onde o tempo é curto. Outro teste simples: pergunte qual é o sujeito. Se não conseguir identificar nenhum, o verbo fica no singular. Esse método resolve cerca de 90% dos casos práticos que eu encontro em revisões. O restante geralmente depende de registro ou preferência estilística do autor.

Erros comuns que você provavelmente comete

"Fazem dois anos" — errado na norma culta padrão. "Há dois anos" — correto, e muitas vezes soa mais natural. "Faz dois anos" — a forma recomendada. "Fazem-se dois anos" — essa construção compartimentada existe em textos muito formais e literários, mas soa pretensiosa na maioria dos contextos contemporâneos. A versão com "há" merece atenção especial porque é a alternativa mais segura. "Há dois anos trabalho nessa empresa" não gera dúvida alguma. O verbo haver, quando indica existência ou tempo, também é impessoal. Então "há" nunca flexiona. É o caminho mais direto quando você quer evitar erro.

Resumo rápido

Faz dois anos = correto para tempo decorrido. Fazem dois anos = errado na norma padrão, mas frequente em falas informais. Há dois anos = sempre correto e mais elegante. A diferença entre essas opções é pequena na prática, mas em um currículo ou documento formal a escolha errada pode soar amadora.