Exercicios Sobre Lei De Coulomb - Exercícios sobre a Lei de Coulomb e a Força Elétrica entre Cargas ...
Exercícios sobre a Lei de Coulomb e a Força Elétrica entre Cargas ...

Resolvendo problemas de força eletrostática na prática

A lei de Coulomb aparece em todas as listas de exercícios de física do ensino médio e dos primeiros semestres de engenharia. A fórmula em si é simples — F = k · |q·q| / d² —, mas os problemas costumam ter pegadinhas que fazem os estudantes perderem pontos à toa. Vou mostrar como lidar com isso sem rodeios.

exercicios sobre lei de coulomb

O que a maioria dos alunos não percebe de cara é que a constante k varia conforme o meio. No vácuo, usamos 9 · 10 N·m²/C². Mas se o enunciado mencionar um material dielétrico ou simplesmente dizer "meio material", o valor muda. Eu já vi gente usar k do vácuo em problemas onde o meio era claramente outro, e a resposta errada vinha logo em seguida. O truque é sempre identificar o meio antes de qualquer cálculo. Outro detalhe que todo mundo esquece: a força é um vetor. Quando há mais de duas cargas, você não pode simplesmente somar os valores absolutos das forças. Precisa decompor em componentes x e y, achar a resultante vetorial, e só então calcular a intensidade final. Já passei por situações em que o enunciado pedia a força resultante sobre uma carga num triângulo equilátero, e quase todos os alunos erravam porque somavam escalarmente. Eu resolvia fazendo o diagrama de corpo livre primeiro, anotando cada força com sua direção e sentido no papel, e só aí aplicava Pitágoras para a resultante.

Aqui vai um exercício típico que costuma aparecer em provas. Duas cargas puntiformes, q = 4 C e q = -6 C, estão separadas por 30 cm no vácuo. Calcule a intensidade da força eletrostática entre elas e indique se é atrativa ou repulsiva. A primeira coisa a fazer é converter tudo para o Sistema Internacional. Microcoulomb vira 10, centímetro vira 10². Então q = 4 · 10 C, q = 6 · 10 C (usamos o módulo), e d = 0,3 m. Aplicando a fórmula: F = 9 · 10 · (4 · 10) · (6 · 10) / (0,3)². O denominador dá 0,09. O numerador dá 9 · 10 · 24 · 10¹² = 216 · 10³. Dividindo, F = 2,4 N. Como os sinais são opostos, a força é atrativa. Pontos ganhos se o aluno marcou a unidade e o tipo de força. Pontos perdidos se esqueceu de converter cm para m — esse erro aparece com frequência absurda.

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Quando aparecem várias cargas, o problema fica mais interessante. Imagine três cargas nos vértices de um triângulo retângulo: q = 2 C no vértice do ângulo reto, q = 3 C a 0,4 m de distância ao longo de um cateto, e q = -1 C a 0,3 m ao longo do outro cateto. A força resultante sobre q é a soma vetorial das forças exercidas por q e q. A força de q sobre q aponta ao longo do cateto de 0,4 m, com intensidade F = 9 · 10 · 2 · 10 · 3 · 10 / (0,4)² = 0,3375 N. Como q e q têm sinais iguais, é repulsiva — afasta q do q. A força de q sobre q aponta ao longo do cateto de 0,3 m, com intensidade F = 9 · 10 · 2 · 10 · 1 · 10 / (0,3)² = 0,2 N. Sinais opostos, então é atrativa — puxa q em direção a q. Como os dois catetos são perpendiculares, as forças são perpendiculares entre si. A resultante é sqrt(0,3375² + 0,2²) 0,394 N. A direção pode ser achada com tangente inversa: ângulo em relação ao cateto de 0,4 m é arctg(0,2/0,3375) 30,7 graus. Um problema mais avançado envolve equilíbrio eletrostático. Colocamos uma terceira carga q entre duas cargas fixas q e q para que o sistema fique em equilíbrio. Isso só é possível se q tiver sinal oposto às duas fixas, e sua posição depende da razão entre as magnitudes de q e q. Já me deparei com um exercício onde q = 9 C e q = 4 C estavam separadas por 1 metro, e pedia-se onde colocar uma carga positiva q para que ficasse em equilíbrio. A resposta vem de igualar as forças sobre q: k·9·q/x² = k·4·q/(1-x)². Simplificando, 9/(1-x)² = 4/x²... não, espera. 9/x² = 4/(1-x)². Tirando raiz quadrada dos dois lados: 3/x = 2/(1-x). Resolvendo: 3(1-x) = 2x 3 - 3x = 2x 3 = 5x x = 0,6 m de q. Esse tipo de raciocínio aparece com frequência em vestibulares e concurso públicos, e a armadilha é esquecer que a carga de teste não deve interferir nas cargas originais — o equilíbrio é apenas para q, não para todo o sistema.

Outra nuance importante é o princípio da superposição. A força entre duas cargas não muda pela presença de uma terceira. Cada par interage independentemente, e a força total sobre uma carga é a soma vetorial de todas as interações individuais. Isso parece óbvio, mas em problemas com distribuições contínuas de carga — como uma linha carregada ou um anel — essa propriedade é o que permite integrar. Sem o princípio da superposição, não haveria como resolver esses casos. Quando os números ficam feios, o uso de calculadora é inevitável, mas o erro humano na digitação é a principal fonte de falha. Eu costumo recomendar escrever todos os passos com as potências de 10 separadamente antes de apertar os botões. Anotar F = (9 · 4 · 6) · 10 / 0,09, por exemplo, ajuda a verificar se as potências estão corretas antes do cálculo final. Um erro comum é confundir micrrocoulomb com nanocoulomb — a diferença é um fator de mil, e o resultado fica completamente errado.

Para quem quer mais prática, existem apostilas tradicionais de física geral que incluem dezenas de exercícios resolvidos passo a passo. Livros como o do Halliday, Resnick e Krane, ou o do Sears e Zemansky, têm seções inteiras dedicadas ao eletrostática com problemas graduados em dificuldade. Sites de universidades federais também disponibilizam listas de exercícios com gabaritos. O importante é tentar resolver sozinho antes de consultar a solução — senão o aprendizado não fixa.