Entendendo a concordância nominal na prática
A concordância nominal é um daqueles assuntos que todo mundo acha que domina até tentar responder uma questão de concurso ou vestibular e levar um susto. O básico você já sabe: adjetivo concorda em gênero e número com o substantivo. Mas é nas exceções que a coisa complica. Palavras como bastante, meio, obrigado, próprio, mesmo, sós, anexo, incluso, alerta, basta, bastante, suficiente, caro, barato, leso, quite, usado e mesmo – essas são as armadilhas mais frequentes. Quando eu estava revisando materiais para uma turma de concurseiros há uns dois anos, me deparei com uma questão que travou praticamente todo mundo. A frase pedia para completar: "As documentos estavam ___ (anexas/anexos)". Todo mundo marcava "anexas" porque pensavam no substantivo documentos. O gabarito era "anexos", porque anexo concordava com as folhas, não com os documentos. Era uma pegadinha clássica de banca que demonstra como a prova cobra o conhecimento da regência do termo, não apenas a flexão morfológica. A partir dali, eu passei a sempre incluir esse tipo de exercício nos materiais de prática.
exercícios de concordância nominal com gabarito
Resolva os itens abaixo e confira as respostas ao final. Tente fazer sem consultar a regra primeiro – é assim que você identifica onde tem dúvida de verdade. 1. As crianças estão ___. (meio/doente / meia/doença / meio/doenças)
2. Ela mesma fez o trabalho, mas ficou ___. (satisfeita/satisfeito/satisfação) 3. Os documentos seguiram ___ ao ofício. (anexas/anexo/anexos)
4. Elas são ___. (meias-irmãs/meio-irmãs/.meias-irmas) 5. A solução é ___ para o problema. (bastante/bastantes/bastantemente)
6. Fiquei ___ com a notícia. (alerta/aterido/alerta) 7. Elas estão ___. (três/teimosas/teimosos)
8. As plantas estão ___ à disposição. (anexas/anexo/anexos) 9. Ele disse tudo ___. (mesmo/igualmente/como tal)
10. As cartas estavam ___ no envelope. (inclusas/incluso/inclusos) 11. Elas mesmas vão conduzir o caso. (correto/incorreto)
12. A moça estava ___ febre. (meia/de febre/febril) 13. Os produtos são ___ (caros/caríssimo/carissimos)
14. Elas são ___ (só/sozinhas) 15. O documento veio ___ (em anexo/anexa/anexas)
O gabarito comentado
1. Doente – "meio" aqui é advérbio de intensidade e fica invariável. A concordância é com "crianças" (doente). Resposta correta: doente (mas "meio" permanece invariável). 2. Satisfeita – concorda com "ela".
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3. Anexos – concorda com "documentos" (mas cuidado: alguns gramáticos defendem "anexas" referindo-se às folhas. Em provas, o gabarito mais frequente é "anexos"). 4. Meias-irmãs – emCompoundes com "meio", o elemento composto varia quando possível.
5. Bastante – advérbio, invariável. 6. Alerta – invariável.
7. Teimosas – concorda com "elas". "Três" é numeral, não concorda. A resposta seria "teimosas". 8. Anexos – mesmo raciocínio do item 3.
9. Mesmo – pronome reflexivo, invariável. 10. Inclusas – concorda com "cartas".
11. Correto – "mesmo" como pronome reflexivo é variável, concorda com "elas". 12. Com febre – "meio" como advérbio não concorda.
13. Caros – concorda com "produtos". "Caríssimo" seria singular. 14. Sozinhas – "só" como adjetivo varia; "só" como advérbio não.
15. Em anexo – locução adverbial invariável.
Regras que realmente importam
A palavra "bastante" funciona como adjetivo (variável: bastantes coisas) ou como advérbio (invariável: bastante tempo). Já "meio" pode ser numeral (meia dúzia = variável) ou advérbio (meio cansada = invariável). O "obrigado" varia quando funciona como adjetivo (ele disse obrigado / ela disse obrigada) e é invariável quando parte da locução "muito obrigado". "Anexo" e "incluso" seguem a mesma lógica: são adjetivos e concordam com o substantivo a que se referem. A confusão nasce quando não se identifica qual substantivo eles estão modificando. "As cópias foram enviadas anexas" – "anexas" refere-se a "cópias", não ao envio.
"Basta" é verbo e fica invariável: "Basta de conversa". "Só" como adjetivo varia (elas são sóas – raro, mas possível); como advérbio permanece invariável (elas ficaram só).
Por que esse tipo de exercício é subestimado
Muita gente foca apenas em concordância verbal porque considera mais cobrada. Na prática, provas como celles do CESPE, FGV e VUNESP cobram concordância nominal com frequência igual ou maior, especialmente nas questões de português objetivo. O diferencial é que a banca quase sempre coloca uma pegadinha com uma dessas palavras exceptionais. Estudar só a regra geral não resolve. O que funciona mesmo é resolver exercícios variados e conferir o gabarito com comentários. Só assim você internaliza os casos irregulares. A taxa de acerto em concursos costuma subir de 40% para cerca de 75% após duas semanas de prática diária com exercícios bem selecionados.
Um caso que nunca sai do padrão
Existem construções em que a norma culta permite mais de uma leitura. "Seguem anexo os documentos" versus "Seguem anexos os documentos". Ambos são aceitos por alguns gramáticos, mas provas de banca exigem escolher o gabarito delas. FGV tende a marcar "anexos"; VUNESP prefere "anexo". Não adianta discutir – memore o padrão da banca em questão. A melhor estratégia é mapear quais bancas aparecem no seu concurso e focar nos padrões delas. Uma hora de estudo direcionado vale mais que dez horas de revisão genérica.