Exemplo Relatorio De Enfermagem - Exemplo De Relatório De Enfermagem - RETOEDU
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Como montar um relatório de enfermagem que realmente funciona

O relatório de enfermagem é uma exigência legal e clínica que muita gente encara como burocracia, mas na prática é o documento mais importante que você vai assinar durante o plantão. Ele serve como registro legal, ferramenta de comunicação entre equipes e base para decisões clínicas. Se ele não estiver bem feito, você e sua equipe ficam desprotegidos juridicamente e os pacientes podem sofrer consequências diretas.

Vou mostrar como fazer isso direito, com um exemplo prático e os erros mais comuns que eu vejo todo dia.

O que é um exemplo relatorio de enfermagem e como estruturá-lo

Um relatório de enfermagem é o registro sistemático das ações, avaliações e evoluções do paciente feitas pelo enfermeiro ou técnico durante seu turno ou período de assistência. A estrutura segue padrões definidos pela Lei nº 7.498/86 (Lei do Exercício da Enfermagem) e pelas resoluções do COFEN, principalmente a Resolução COFEN nº 564/2017.

O formato padrão que uso no meu dia a dia tem essas seções obrigatórias: Dados de identificação: nome do paciente, número do prontuário, leito, data de admissão, turnos de plantão cobertos.

Motivo da internação ou referência: por quê esse paciente está sob seus cuidados. Um ou dois minutos, sem enrolação. Avaliação inicial e contínua: sinais vitais, estado geral, hidratação, nutrição, integridade cutânea, nível de consciência, dor (escala usada), riscos identificados. Anotar a hora exata de cada medição.

Intervenções realizadas: medicações aplicadas (nome, via, dose, horário), curativos, administração de O, posicionamento, higiene, coleta de exames, orientações dadas ao paciente ou família. Evolução e resposta às intervenções: como o paciente reagiu. Isso é o que mais diferencia um relatório profissional de um simples listing de procedimentos.

Encaminhamentos e comunicação: avisos feitos à enfermeira supervisora, médico plantonista, família. Registro de recusas do paciente com a expressão "recusa informada por escrito". Planejamento para o próximo turno: o que precisa ser acompanhado, medicamentos pendentes, exames aguardados, cuidado com feridas ou dispositivos invasivos.

Exemplo prático de relatório de enfermagem

Aqui está um modelo real que adaptei para uso genérico. Troque os campos entre colchetes conforme a necessidade.

Relatório de Enfermagem Paciente: [Nome completo]

Prontuário: [Número] Leito: [Número]

Turno: [Manhã/Tarde/Noite] - [Data] Período de plantão: [Horário início] às [Horário fim]

Motivo da referência: Paciente interno desde [data] por [motivo da internação], em acompanhamento para [conduta principal]. Avaliação no início do plantão: consciente, orientado, corado, hidratado. Sinais vitais: PA [valor], FC [valor], FR [valor], Temp [valor], SpO2 [valor]%. Dor em [escala] pontos. Pele íntegra em avaliação inicial. CFA [presente/inexistente/removido].

Intervenções realizadas: - Medicação: [nome do medicamento], [dose], via [via], aplicada às [hora].

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- Curativo de [local]: realizado às [hora], material utilizado [tipo de curativo]. - Administração de O a [fluxo] L/min por [cateter/nasal/mascarca].

- Coleta de [tipo de exame] às [hora]. - Orientação sobre [tema] fornecida ao paciente e acompanhante.

Evolução: paciente permaneceu hemodinamicamente estável durante o plantão. Sinais vitais dentro da expectativa para a patologia de base. Intolerância alimentar observada às [hora], intervido com [medicação/posição]. Pele com nova avaliação, sem lesões novas. Comunicações: enfermagem supervisora e médico [nome] informados sobre [evento relevante].

Encaminhamentos: [medicamentos pendentes], [exames para o próximo turno], [cuidados específicos com dispositivo/ferida]. Assinatura: [Nome], [COREN-UF número]

Erros que eu vejo todo dia e como evitá-los

O erro mais frequente é escrever de forma vaga. Frases como "paciente bom desempenho" ou "evoluindo bem" não têm valor algum em uma auditoria ou processo. Você precisa ser específico: "paciente apresentou tolerância alimentar completa, sem náuseas ou vômitos nas refeições ofertadas."

Outro erro comum é esquecer de registrar recusas. Se o paciente se recusou a tomar medicação ou fazer um procedimento, anote isso no relatório imediatamente. Do contrário, parece que você simplesmente não executou a prescrição. Use a frase: "recusa informada verbalmente pelo paciente no horário de [hora], orientações sobre riscos e importância da execução realizadas, paciente manteve recusa, ciente dos riscos." Documentação tardia é outro problema sério. Eu vi um caso onde uma enfermeira precisou refazer todo o relatório de uma noite inteira porque esqueceu de anotar as variáveis vitais de quatro pacientes durante o plantão de noite. Ela tentoular no final com base na memória e levou advertência no COREN porque os registros estavam inconsistentes com os horários de administração de medicação registrados na evolução médica. A regra prática é: anota no momento ou anota logo após a ação, nunca ao final do plantão inteiro.

Uma exceção que você precisa saber é sobre a correção de erros. Nunca use corretivo líquido. Se errar, risque uma linha no erro, escreva o correto ao lado, coloque sua assinatura e a data/hora da correção. Se estiver em sistema eletrônico, o sistema deve ter registro de alterações com timestamp.

Dicas específicas para diferentes cenários

UTI: o relatório precisa ser extremamente detalhado com relação a dispositivos invasivos (VC, vasopressores, drenos). Anote horário de inserção, local, condição do sítio de punção e cada alteração nos parâmetros ventilatórios ou pressóricos. O tempo médio de elaboração de um relatório de UTI deve ficar entre 20 e 40 minutos por paciente por turno, dependendo da complexidade. Centro cirúrgico: foque no período perioperatório. Anotações pré-operatórias (avaliação de pele, venocunção, medicações administradas), intraoperatórias (posicionamento, dispositivos, perda sanguínea estimada, eventos) e pós-operatórias imediatas. Um relatório de CC mal feito pode omitir detalhes cruciais sobre compressas e instrumentais contados.

Saúde da família/APS: o relatório aqui tende a ser mais resumido. Destaque a avaliação de riscos, orientações educativas, encaminhamentos realizados e o plano de cuidado individualizado. Em equipes de saúde da família, o relatório do agente comunitário e do enfermeiro deve ser integrado, não solto em pastas diferentes.

Questões legais que ninguém conta

O relatório de enfermagem é documento público e faz parte do prontuário do paciente. Ele pode ser solicitado em processos judiciais, auditorias do SUS, investigações do COREN e processos ético-profissionais. Não assinado, ele não tem validade legal. Não tem data, não tem carimbo com número do COREN, não tem validade.

Um ponto importante que poucos levam a sério: a integridade do registro. Alterações posteriores em prontuários físicos devem sempre ter data, hora e assinatura de quem fez a alteração. Em sistemas eletrônicos, o log de auditoria registra cada mudança. Tentar alterar algo retroativamente sem rastreabilidade pode configurar falsidade ideológica, dependendo do caso. Se você trabalha em unidade com alta rotatividade de plantões e pouca supervisão, faça uma cópia fotográfica ou digital do relatório antes de entregá-lo ao setor de documentação. Isso te protege em situações onde o prontuário se extravia ou é adulterado sem seu conhecimento.

Quando um exemplo não serve

Esse modelo é genérico. Ele funciona para internações clínicas, cirúrgicas de rotina e centros de referência. Não serve para situações de surtos, notificações compulsórias ou atendimentos em emergências de massa, onde os protocolos são específicos e frequentemente mudam conforme a orientação da vigilância epidemiológica local. Para esses casos, consulte o protocolo da sua instituição e o manual de notificação do seu município ou estado.