Eu Estou Com Uma Dor Que Doi Muito É Pleonasmo - Estou Com Uma Dor Que Doi Muito Figura De Linguagem - LIVEDU
Estou Com Uma Dor Que Doi Muito Figura De Linguagem - LIVEDU

O problema dos pleonasmos viciosos na língua portuguesa

Muita gente acha que repetir o sentido já está dentro da norma só porque "todo mundo fala". A verdade é que pleonasmo vicioso é um daqueles vícios que corroem a clareza sem você perceber, e corrigi-lo exige mais do que ler regras gramaticais.

eu estou com uma dor que doi muito é pleonasmo

Sim, essa construção é um exemplo clássico de pleonasmo vicioso. A palavra "dor" já carrega em si a ideia de sofrimento ou incômodo. Dizer "uma dor que doi muito" é redundante. O certo seria simplesmente "estou com dor" ou "tenho uma dor forte". O pleonasmo aqui não adiciona informação nova, apenas preenche espaço sonoro.

Como identificar e eliminar essas repetições

O processo mais eficiente começa com a consciência do que cada palavra significa dentro do contexto. Se você pode remover um termo sem alterar o sentido da frase, provavelmente está diante de um pleonasmo vicioso. Exemplos comuns incluem "subir para cima", "descer para baixo", "avançar para frente", "colidir". No meu dia a dia revisando textos técnicos, me deparei recentemente com um relatório onde o autor usava "a questão do assunto em questão" três vezes no mesmo parágrafo. Soa natural em fala informal, mas em escrita formal é inaceitável. A correção foi simplesmente "o problema abordado" em todos os casos, economizando caracteres e aumentando a precisão.

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A pegadinha que ninguém conta

Nem todo pleonasmo é ruim. Há construções aceitas pela norma culta que são tecnicamente redundantes, mas que ganharam status idiomático. "Eu mesmo fiz", "ela própria contou", "o próprio diretor" — essas são pleonasmos enfáticos, diferentes dos viciosos. A diferença está na intenção: o enfático serve para dar destaque, o vicioso serve para preencher vagas linguisticas. O erro mais comum é confundir os dois. Alguém pode dizer "eu subirei acima do degrau" achando que está sendo enfático, quando na verdade só está sendo redundante. A gramática aceita "eu próprio subirei", não "eu próprio acima do degrau".

Técnicas práticas de revisão

Uma técnica que funciona bem é a leitura ao contrário: leia o texto da última frase para a primeira. Isso quebra o fluxo automático e você começa a enxergar as redundâncias que o cérebro ignora durante a leitura normal. Outra opção é ler em voz alta. Quando a boca tropeça ou você sente que está falando algo desnecessário, aí está o pleonasmo. Para quem escreve muito, recomendo criar um checklist pessoal dos vícios mais comuns. No meu caso, os que mais aparecem são "na minha opinião pessoal" (basta "na minha opinião" ou "pessoalmente"), "futuro planejamento" (basta "planejamento" ou "projeto futuro") e "consciência clara" (a consciência já é algo que se tem de forma plena ou não).

Quando o pleonasmo vicioso aparece

Esses vícios surgem principalmente em dois contextos: fala acelerada e textos produzidos sob pressão de tempo. Quando alguém está explicando algo rápido, o cérebro busca atalhos e a redundância aparece como preenchimento. Em textos profissionais, a pressa para entregar o conteúdo muitas vezes supera a revisão final. Eu notei que meus próprios textos tendem a acumular pleonasmos quando estou escrevendo sobre temas que domino superficialmente. Quanto menos seguro você está do assunto, mais palavras usa para tentar soar convincente. Esse é um sinal de alerta importante.

O impacto real na comunicação

Plagiarismos viciosos não são apenas erros gramaticais. Eles diluem a mensagem principal e forçam o leitor a fazer trabalho extra para extrair o sentido. Em documentos técnicos, contratos e comunicações formais, essa perda de precisão pode ter consequências reais. Um "prazo final" pode ser interpretado de formas diferentes por pessoas diferentes. Um "aumento considerável" pode significar coisas distintas em contextos distintos. A correção desses hábitos não é imediata. Leva semanas de revisão consciente para que o cérebro pare de gerar essas redundâncias automaticamente. Comece pelos textos curtos, onde o efeito é mais visível. Depois aplique o mesmo rigor em produções maiores.