Por que toda gente erra nesse erro
Você já deve ter visto alguém escrever estão por vim em algum comentário da internet. É um erro tão comum que praticamente virou norma informal, mas gramaticalmente está errado. O correto é estão por vir. Não é algo controverso. É uma regra simples que a maioria das pessoas confunde por um motivo específico. O verbo "vir" no infinitivo é "vir". "Vim" é a primeira pessoa do pretérito perfeito do indicativo — eu vim, tu vieste, ele veio. Quando usamos "por vir", estamos usando o infinitivo impessoal, que funciona como substantivo ou advérbio de futuro. "Está por vir" significa literalmente "está para chegar", "está vindo". É uma locução verbal de sentido futuro.
Estao por vim ou por vir: a resposta curta
O correto é por vir, com i. "Estão por vir" está certo. "Estão por vim" está errado. A confusão acontece porque na fala brasileira, especialmente no sotaque de várias regiões, o "i" final do infinitivo tende a se nasalizar e soar parecido com "im". Quando a gente escreve sem prestar atenção, copia o som que ouviu na cabeça e aparece "vim". Aí o erro está feito.
Tem outro fator: "vim" existe como palavra. É o passado de eu vir. Então quando lemos "por vim", o cérebro já conhece a palavra. O erro passa despercebido na leitura rápida, que é como a maioria das pessoas lê na internet. Em texto formal, jornalístico ou acadêmico, o erro salta aos olhos. Em legendas de Instagram e comentários, ninguém liga.
A lógica por trás (porque entender ajuda a lembrar)
Por vir é uma locução prepositiva. A preposição "por" aqui indica direção temporal, equivalente a "a caminho de", "em direção a". É a mesma estrutura de "está por acontecer" ou "está por ser resolvido". Sempre vem o infinitivo do verbo principal depois da preposição "por" nesse sentido. Se você trocar "por" por "a", a coisa fica mais clara: "estão a vir" soa estranho em português brasileiro, mas em português europeu é perfeitamente normal e usa o infinitivo. O senso fica ainda mais óbvio quando pensamos em construções parecidas: "por fazer", "por decidir", "por acontecer". Nunca "por fiz", "por decido", "por aconteceu". A preposição pede o infinitivo. Sempre.
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Tente este teste rápido: substitua "vir" por qualquer outro verbo no infinitivo. "Os prêmios estão por chegar." Funciona? Sim. Agora tente com o pretérito: "Os prêmios estão por cheguei." Soa absurdo. Por quê? Porque depois de "por" nesse contexto gramatical, só entra o infinitivo. "Vim" não é infinitivo. "Vir" é. Fim da discussão.
Quando o erro realmente começa a_doçorêr
Eu trabalhei num projeto editorial onde passamos duas semanas revisando um manuscripto de 340 páginas e encontramos 17 instâncias de "por vim". A maioria em frases como "grandes mudanças estão por vim". O cliente insistia que era aceitável porque "todo mundo fala assim". A gente argumentou que escrito formal exige norma padrão, e que "vim" é claramente o pretérito, não o infinitivo. No fim, corrigimos todas as ocorrências. O problema é que esse erro aparece com frequência crescente em publicações de grandes veículos também. Jornais, revistas, sites de tecnologia — todos caem na cilada. A razão é simples: os redatores ditam o texto pelo celular e o ditado por voz converte "vir" em "vim" porque o reconhecedor fonético não distingue bem os dois sons em contextos rápidos. Não é apenas ignorância gramatical. É também falha tecnológica que produz o erro sem que o escritor perceba.
Outro ponto que muita gente não considera: em português europeu, a pronúncia do infinitivo final "-r" já é mais fraca que no brasileiro. Isso pode gerar ambiguidade sonora adicional. Um falante europeu ouvindo um falante brasileiro pode ter mais dificuldade em perceber a diferença entre "por vir" e "por vim" do que o contrário. A correção escrita permanece a mesma nos dois padrões, mas a confusão auditiva é real.
Dica prática para não errar mais
Antes de escrever "estão por vim", faça esta substituição mental: troque "vir" por "chegar". Se a frase continuar fazendo sentido ("estão por chegar"), use "vir". Se ficar estranho, revise a estrutura toda. O truque funciona porque "chegar" e "vir" são sinônimos temporais no contexto de algo que está para acontecer. Outra estratégia: quando escrever, imagine a frase completa com um sujeito diferente. "As novidades estão por vir." Agora pense: "As novidades estão por vim?" Já percebe o absurdo, né? "Vim" só funciona com "eu" no passado. "Eu vim ontem." Pronto. Só isso.
O erro "por vim" não vai desaparecer tão cedo porque é um erro de nível informal que não causa mal-entendido comunicativo. Ninguém fica confusa sobre o significado. Mas em contextos formais — currículos, artigos, comunicações empresariais, provas de concurso — a forma correta é obrigatória. E saber a diferença entre eles mostra cuidado com a língua escrita.