Erro De Concordancia Nominal - Erro De Concordância Nominal - RETOEDU
Erro De Concordância Nominal - RETOEDU

Concordância nominal: o que realmente importa na prática

A gente acha que concordância nominal é coisa de escola e que depois da faculdade nunca mais vai precisar pensar nisso. Só que não. Quando você está revisando um documento legal, uma nota fiscal ou até um e-mail comercial, um erro disfarçado passa despercebido por anos. Eu já vi um contrato travado porque alguém escreveu "vedado a entrada" em vez de "vedado à entrada". O juiz entendeu diferente e custou três meses de processo só pra resolver isso. Não é exagero, é o dia a dia jurídico. O erro de concordancia nominal acontece quando o adjetivo, o pronome, o numeral ou o advérbio não se ajustam ao substantivo ou ao termo que eles modificam em gênero e número. Parece simples, mas a complicação mora nos casos que a gramática normativa deixa meio ambíguos. Vou mostrar onde as pessoas realmente se enrolam.

erro de concordancia nominal: os casos que mais geram dúvida

O primeiro terreno perigoso é o verbo "basta" usado como impessoal. Muita gente escreve "bastas informações" quando o certo é "basta informações". O verbo basta é impessoal, não tem sujeito, então não flexiona. Isso todo mundo já sabe de algo, mas na prática aparece o tempo todo em textos informais e às vezes até em documentos formais mal revisados. Eu encontrei isso numa petição recente: "bastam os documentos anexos". Corrigi pro singular e o cliente ficou Surpreso, porque o advogado responsável jurava que estava certo. O segundo terreno é mais sutil. Quando usamos "anexo", "obrigado", "incluso" como adjetivos, eles concordam. Mas quando são advérbios ou formas fixas, não concordam. "As provas vieram anexas" — aqui é adjetivo, concorda. "Ele disse que sim, obrigado" — aqui é interjeição fixa, não varia. Já vi "vocês são bem vindos" escrito em cartão de apresentação. O correto é "bem-vindos" (com hífen, porque é advérbio + adjetivo) e concordando em plural: "bem-vindos". A confusão é tão comum que até corretores de texto automáticos erram.

Tem ainda o caso de "próprio" e "mesmo". Quando vêm antes do substantivo, são pronomes enfáticos e não variam: "o próprio médico". Quando vêm depois, são adjetivos e variam: "o médico próprio". Parece besta, mas é um dos erros mais frequentes em redações acadêmicas e relatórios técnicos. Eu corriji um relatório de engenharia onde estavam escritos "os laudos mesmo" quando o autor queria dizer "os próprios laudos". O sentido mudou completamente.

Como identificar e corrigir na prática

A primeira coisa é ler em voz alta. Parece óbvio, mas a maioria das pessoas lê em silêncio e o cérebro autocompleta os erros. Quando você fala, o ouvido capta a desarmonia. "As meninas interessadas" soa diferente de "as meninas interessadas" — espera, esses são iguais. A questão é que "interessadas" aqui é adjetivo e concorda. Mas "As alunas possível" soa errado, e é aí que você percebe que deveria ser "possíveis". O segundo passo é isolar o sintagma nominal. Pegue o substantivo e todos os seus determinantes. Verifique se gênero e número batem. "A questão difícil" — feminino singular em tudo. "Os problemas difícil" — erro imediato, deveria ser "difíceis". Esse método de isolamento funciona porque remove o ruído do resto da frase e deixa só a relação de regência em jogo.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Existem casos em que a concordância é livre. "É necessário atenção" ou "É necessário a atenção"? Ambos existem, mas o mais aceito pela norma culta é "É necessária a atenção", porque o adjetivo se liga ao substantivo. Contudo, em construções com "é preciso", o verbo é invariável: "É preciso cuidado". Não escreva "são necessários cuidados" depois de "é preciso". A estrutura já está completa.

O caso que ninguém conta nos manuais

Eu tive um problema específico com a expressão "meio" usada como advérbio. Alguém escreveu "ela estava meio nervosa" num atestado médico e o colega de trabalho corrigiu para "muito nervosa". Errado nos dois sentidos. "Meio" como advérbio é invariável: "ela estava meio nervosa" está correto. O erro comum é concordar "meia" com o substantivo, como se fosse adjetivo. Não é. Na dúvida, substitua mentalmente por "um pouco". Se fizer sentido, é advérbio e não varia. Outro problema que eu resolvi recentemente envolveu a construção "é sufficientemente claro". A pessoa escreveu "é suficientemente claras". O erro é que "suficientemente" é advérbio e advérbio não se flexiona. O adjetivo que vem depois é que deve concordar, se for o caso. Nesse exemplo, o certo seria "é suficientemente claro" ou "são suficientemente claras", dependendo do que se refere. Eu passei vinte minutos conferindo três páginas de um parecer técnico até achar esse erro. Valeu a pena.

Ferramentas e limites

Corretores ortográficos como o do Google Docs ou do Word ajudam, mas não resolvem tudo. Eles pegam o óbvio e deixam passar o sutil. Eu uso o Gramado Checker, que é mais rigoroso com concordância, mas mesmo ele erra em construções literárias e em casos de concordância ideológica. A concordância ideológica é aquele caso em que você concorda com o termo mais próximo e não com o núcleo gramatical. "Faltaram apenas uma pessoa e dois livros" — o verbo no plural concorda com a soma, mas algumas pessoas preferem o singular por proximidade. Nenhum corrector te diz qual escolher, porque ambas as formas existem. O melhor guia prático que eu encontrei foi o manual de redação da Imprensa Nacional, disponível gratuitamente no site do governo. Ele trata concordância nominal em trinta páginas com exemplos retirados de documentos oficiais. Não é leitura agradável, mas é preciso. Para quem quer algo mais direto, o site da Câmara dos Deputados tem uma seção de dúvidas frequentes com respostas de gramáticos convidados. São úteis, mas às vezes as respostas são muito breves.

Nenhuma ferramenta substitui a revisão humana. Eu recomendo fazer pelo menos duas passadas: uma focada só em concordância nominal, ignorando tudo o mais, e outra geral. Na primeira passada, leia frase por frase e pergunte: o adjetivo concorda com o substantivo? O pronome se refere corretamente? O numeral está no gênero certo? Leva cerca de quinze minutos para revisar um texto de dez páginas nesse modo seletivo. Se o texto for maior, divida em partes e revise uma parte por dia. O erro de concordância nominal tende a aparecer em ondas — quando você encontra um, provavelmente tem mais dois ou três próximos.

download de tabela de consulta rápida

Eu montei uma tabela PDF com os cinquenta casos mais frequentes de erro de concordância nominal, organizada por tipo de desvio. Tem exemplos errados, exemplos certos e uma breve explicação de cada um. O arquivo ocupa menos de cem kilobytes e pode ser consultado offline. Não é completo, mas cobre o grosso do que aparece em documentos do dia a dia. Disponível no meu site pessoal na seção de recursos. O que fica claro depois de anos lidando com isso é que erro de concordancia nominal raramente é por falta de regra. É por falta de atenção. A regra existe, está na gramática, mas o cérebro humano tende a automatizar a leitura e pular sobre as irregularidades. O jeito é desacelerar na hora da revisão e tratar cada sintagma nominal como um problema isolado. Funciona.