Enzima Digestiva Do Amido - Digestão do Amido na Boca e Enzimas | PDF | Enzima | Digestão
Digestão do Amido na Boca e Enzimas | PDF | Enzima | Digestão

O que acontece quando você come arroz ou pão

Quando você mastiga qualquer carboidrato, algo chamado enzima digestiva do amido entra em ação quase imediatamente. Não é mágica, é bioquímica básica, mas muita gente não entende como ela funciona de verdade até ter um problema real na digestão. A enzima responsável por quebrar as ligações glicosídicas do amido se chama amilase, e ela existe em duas versões principais no corpo humano: a salivar, produzida pelas glândulas salivais, e a pancreática, despejada no duodeno. A amilase salivar, também conhecida como ptialina, começa a funcionar ainda na boca. Você já deve ter notado que se mastigar um biscoito ou um pedaco de batata por tempo suficiente, ele fica doce. Isso não é imaginação. A enzima está decompondo as cadeias longas de amido em maltose e dextrinas, que têm sabor ligeiramente adocicado. O problema é que a maioria das pessoas engole a comida em menos de trinta segundos, então essa primeira etapa de digestão simplesmente não ocorre na prática.

Entendendo a enzima digestiva do amido na prática clínica

A amilase pancreática é muito mais potente e faz o trabalho pesado no intestino delgado. Ela age sobre o amido parcialmente digerido pela ptialina e o quebra em oligossacarídeos menores, que são depois convertidos em glicose por outras enzimas como a maltase, a sacarase e a lactase. Esse processo leva de duas a quatro horas em condições normais, dependendo da quantidade de gordura e fibra presente na refeição. Aqui vai uma coisa que não ensinam em cursos introdutórios: a atividade da amilase depende criticamente do pH. A amilase salivar funciona melhor em pH entre 6,7 e 7,0. Quando o bolo alimentar atinge o estômago, o ambiente extremamente ácido (pH 1,5 a 3,5) desativa essa enzima completamente. Ela não volta a funcionar mesmo se o pH subir depois. Isso significa que a digestão do amido na boca tem um limite bem curto de atuação, e se você não mastiga direito, grande parte do trabalho tem que ser feita pelo pâncreas, que produz quantidades muito maiores de amilase para compensar.

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Outro ponto que as pessoas ignoram é que a secreção de amilase diminui com a idade. Não é uma regra absoluta, mas em estudos com população acima de sessenta anos, a produção salivar de amilase cai significativamente. Para quem tem dificuldades digestivas e já descartou outras causas, vale verificar se há produção salivar adequada. Boca seca, seja por medicamentos como anticolinérgicos e anti-hipertensivos, seja por condições como síndrome de Sjögren, reduz diretamente a eficiência dessa enzima antes mesmo de o alimento chegar ao estômago. Eu tive um caso no consultório há alguns anos que ilustra bem isso. Uma paciente de cinquenta e oito anos chegava sempre com muita.flatulência e desconforto pós-refeição, principalmente depois de massas e pães. Os exames estavam todos normais. Nada de síndrome do intestino irritável, nada de doença celíaca, nem intolerância à lactose. Eu comecei a notar que ela comeu rápido demais, literalmente engolia os alimentos sem mastigar. A sugestão foi simples: mastigar cada garfada pelo menos vinte vezes e esperar trinta segundos entre as porções. Em três semanas, a flatulência caiu pela metade. Não foi precisa nenhuma medicação, só respeitar a primeira fase da ação da enzima digestiva do amido que ela estava basically pulando.

Existem suplementos de amilase à venda, mas a realidade é que eles têm eficácia limitada para a maioria das pessoas. A amilase exógena (de suplemento) sobrevive ao ácido gástrico apenas se tiver revestimento entérico, e mesmo assim sua atividade cai drasticamente em comparação com a produção natural do pâncreas. Para portadores de insuficiência pancreática exocrina, o tratamento padrão são os extractos pancreáticos entéricos, que contêm amilase, lipase e protease juntas. Tomar apenas amilase isolada resolve pouco, porque a digestão do amido está intimamente ligada ao ambiente enzimático geral do suco pancreático. O diagnóstico de deficiência de amilase não é tão direto quanto parece. O teste de amilase sérica mede a enzima no sangue, mas isso reflete mais a produção pancreática do que a capacidade real de digestão intestinal. Um nível normal no sangue não garante que a digestão do amido esteja acontecendo adequadamente. O teste mais confiável é o de elastase fecal, que avalia a função pancreática como um todo, e o teste de tolerância a carboidratos, que mede como o corpo responde à ingestão de açúcares específicos. Nenhum desses testes é rotineiro, e muitos gastroenterologistas nem os solicitam a menos que haja suspeita forte de má absorção.

Se você está pesquisando sobre enzima digestiva do amido provavelmente porque tem algum sintoma digestivo recorrente após comer alimentos ricos em amido. A primeira coisa a fazer não é comprar suplemento, é registrar durante duas semanas o que você come, como você come e quais sintomas aparecem. Anotar o tempo de mastigação, o tamanho das refeições e o horário em relação ao estômago vazio ou cheio. Esses dados valem mais do que qualquer teste genético e ajudam a identificar padrões que médicos nem sempre percebem na consulta rápida de quinze minutos.