Engenheiro Eletricista Ou Eletrico - Engenheiro elétrico ou eletricista: Qual é o termo correto?
Engenheiro elétrico ou eletricista: Qual é o termo correto?

A diferença prática entre engenheiro eletricista e engenheiro eletricista eletrônico

Muita gente confunde as duas formações e vai atrás do curso certo achando que o resultado profissional é o mesmo. Não é. A separação existe desde a base curricular e se reflete diretamente no que você consegue assinar em projeto e no tipo de obra onde seu visto faz diferença.

engenheiro eletricista ou eletrico: onde mora a confusão

O engenheiro eletricista lida com energia. Geracao, transmissao, distribuicao, subestacoes, protecao de redes, aterramento predial, projetos de carga, quadros de distribuicao, motores de media tensao, fator de carga, harmônicas, compensacao reativa. É a area que responde pela instalacao que alimenta um edificio inteiro, por um complexo industrial, por uma subestacao de 138 kV. Ja o engenheiro eletricista elettronico (area eletronica) trabalha com sinais, circuitos integrados, microcontroladores, telecomunicacoes, processamento de sinal, sistemas embarcados, eletrônica de potência. Aqui voce fala de filtros ativos, conversores DC-DC, PCBs, firmware, protocolos de comunicacao como Modbus, CAN, EtherNet/IP, e tudo que envolve logica digital e analogica em baixa tensao.

A confusao acontece porque os dois curiculos compartilham disciplinas nos primeiros semestres: circuitos eletricos, eletrônica basica, calculo vetorial, analise de sinais, dispositivos semicondutores. E depois o caminho se divide. Quem faz eletricista segue para maquinas eletricas, instalacoes prediais, normativas da NBR 5410 e da ONS. Quem faz eletronica segue para teoria da controle, sistemas embarcados, telecom, projeto de placas e processamento digital. No dia a dia pratico, isso significa coisas concretas. Um eletricista assina projeto de quadro de distribuicao, calcula secao de cabo, define disjuntores, projeta aterramento. Um eletronista projeta uma placa de aquisicao de dados, desenvolve firmware para um CLP, dimensiona um conversor que alimenta um variador de frequencia. Ambs podem trabalhar no mesmo canteiro de obras. Ambs conhecem o que ocorre no barramento. So que um resolve o que queima quando o fator de potencia baixa e o outro resolve o ruído que entra no sinal do transdutor porque o aterramento de sinal foi fazer malabarismo com o de protegeao.

Eu já vi engenheiro eletricista tentando justificar um projeto de autacao com PLC usando diagramas de conexao de I/O como se fosse esquema unifilar de quadro de distribuicao. E já vi eletronista achando que poderia assinar laudo de instalacao predial só porque fez uma disciplina optativa de normativas no ultimo periodo. Nao funciona assim. O CREA nao aceita isso e, mais importante, o cliente tambem nao. Existe ainda uma terceira figura que aparece com frequencia: o tecnólogo em eletronica ou automacao. Ele nao tem registro de engenheiro, mas resolve muita coisa no campo. E ahi começa a zona cinzenta. Ele pode projetar o circuito dentro do gabinete, montar o painel, colocar o software. Mas se o projeto precisa de assinatura para vistoria do corpo de bombeiros ou do CREA, voce vai precisar de um engenheiro eletricista registrado.

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Na pratica de projetos industriais, o fluxo costuma ser: o eletricista desenha a alimentacao, os quadros gerais, a parte de fora para dentro. O eletronista desenha a parte de controle, os laços de instrumentacao, a comunicacao entre os equipamentos. Os dois precisam conversarse no inicio, senao voce termina com um quadro que nãotem espaco para o clp, ou com um clp que nao cabe no quadro porque o eletricista escolheu disjuntor general de 400 A sem prever drenagem termica. Uma coisa que poucos explicam direito é a questao da eletromagneticidade. Projeto eletronico sensivel perto de motor de grande porte sem isolacao adequada gera problema de compatibilidade. Eu tive um caso recente em que um variador de frequencia de 75 kW injetava harmonicas numa linha de aquisicao de dados analógicos. O eletricista tinha calculado tudo certinho: secao de cabo, protecao, queda de tensao. Mas nãoprevira o aterramento funcional separado do aterramento de segurança. Quando unificamos os dois e colocamos filtreiro na entrada do rack, o ruido sumiu. Se o engenheiro tivesse formacao só numa das areas, dificilmente teria visto o problema nessa perspectiva.

Outra armadilha comum é achar que o curso de eletronica ensina a assinar projeto predial. Nao ensina. A NBR 5410, a normativa da distribuidora local, o calculo de corrente de curto circuito, a seletividade dos disjuntores sao conteudo que voce so encontra nos semestres finais do eletricista ou em cursos de pos graduacao. E o inverso também e verdadeiro. Cursos de eletricista raramente tocam em programacao de microcontrolador ou projeto de fonte chaveada. Entao, se voce quer as duas pontas, precisa estudar por conta propria depois de formado, ou fazer uma pos que suprama essa lacuna. A escolha do curso depende do que voce quer fazer. Quer trabalhar com usinas, redes de distribuicao, projetos de iluminacao e forca em edifiicios, indústria pesada? Vá de eletricista. Quer trabalhar com desenvolvimento de produto, automacao, robótica, telecom, projetos de circuito impresso, embedded? Vá de eletronica. Se voce quer as duas coisas, o mais seguro e fazer eletricista e fazer pos em eletrônica ou automacao, ou vice versa, dependendo do que falta no seu mercado local.

Existe ainda a questao da regulamentacao profissional. No Brasil, o engenheiro eletricista e o engenheiro eletronico são registrados em categorias diferentes no CREA. Isso tem implicação real em licitacoes e em contratos publicos, onde a especificacao da categoria pode determinar quem pode assinar. Nao é detalhe insignificante. Ja vi empreitada parar porque o responsavel tecnico tinha registro na area errada. O mercado também é mais generoso com quem sabe os dois lados, desde que voce saiba vender isso sem prometer o que nao consegue assinar. Empresa de automacao industrial frequentemente busca alguem que entenda tanto a parte de forca quanto a de controle. Voce acaba sendo a pessoa que traduz entre o encarregado de manutencao e o projetista de controle. Isso vale dinheiro, mas exige que voce conheça o limite do seu CREA e nao tente ultrapassa-lo por conveniencia.

Se voce esta decidindo agora, olhe as grade curricular dos dois cursos antes de se matricular. Veja quantas horas tem de instalacoes prediais, quantas de sistemas embarcados, quantas de telecom. Vejo tambem quais estagios sao obrigatórios. Curso de eletricista com quase nenhuma disciplina de automacao vai formar um profissional forte em energia e fraco em controle. Curso de eletronica com pouca normative de instalacoes vai formar um bom projetista de circuito mas ruim em assuntos de seguranga elettrica predial. Nenhum deles é errado. So depende do que voce quer ser. Resumindo sem resumo: as duas formacoes sao válidas e se completam na pratica. Mas a diferenca entre engenheiro eletricista e engenheiro eletrico nao é só nomes bonitos no crachá. Ela define o que voce pode projetar, onde pode assinar e quais problemas sabe resolver no primeiro dia de obra. Escolha sabendo disso, porque o mercado pune quem chega achando que é a mesma coisa.