O alinhamento entre dentes inferiores e superiores: o que todo mundo erra
A maioria das pessoas acha que colocar um modelo de dente inferior e superior num software ou na prancheta é só apertar os dois e ver o resultado. Não é bem assim. O problema real está em como os dentes superiores e inferiores se encontraram durante a produção, não na teoria.
dente inferior e superior na prática
Vou direto ao ponto. Quando você trabalha com arcada completa — superior e inferior juntos — o erro mais comum é assumir que o plano oclusal dos dois lados será idêntico automaticamente. Eles não são. Na minha experiência, pelo menos um em cada quatro casos que já atendi teve uma diferença de até 2 milímetros no plano de oclusão entre as arcadas que simplesmente ninguém notou antes de montar o paciente no articulador. O que eu faço agora é medir primeiro. Coloco o modelo superior e o inferior no articulador, ajusto a escala de referência e verifico se os pontos de contato anterior estão consistentes antes de qualquer corte ou montagem. Isso leva uns quinze minutos extras, mas evita retrabalho que costuma dobrar o tempo total do serviço.
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O outro detalhe que pouca gente leva a sério é a relação centric. Alguns profissionais usam a posição de fechamento mais confortável para alinhar os modelos, mas isso cria um desvio quando o paciente realmente mastiga. Eu prefiro sempre registrar a posição de relação centrica real, mesmo que leve mais tempo no começo. Depois de um tempo, você percebe que compensa, porque evita reprovações. Tem um caso específico que eu ainda lembro: um paciente com perda parcial dos molares inferiores e restaurações grandes nos superiores. Os dois modelos pareciam corretos separadamente, mas quando montados, havia um pico de contato prematuro no segundo molar esquerdo inferior que causava desconforto. A solução foi refazer o registro de oclusão usando cera de oclusão com espessura controlada em vez de confiar apenas nas marcas de contação no modelo. Ajustei manualmente os pontos altos usando disco de abrasão de grana fina, três vezes, e o resultado ficou estável.
Outro problema que vejo frequentemente é o material do modelo. Gesso comum absorve umidade e dilata levemente, o que altera o encaixe entre dente inferior e superior ao longo do tempo. Já usei resina de alta precisão em laboratório e a diferença é visível na terceira semana. Se você precisa de estabilidade a longo prazo, invista em materiais com baixa expansão ou armazene os modelos em ambiente com umidade controlada. Não existe solução perfeita pra tudo. Às vezes, o desgaste natural dos dentes anteriores impossibilita um registro confiável por via intraoral, e aí o único caminho viável é um registro interoclusal com silicone de adição de alta precisão. Custa mais, mas resolve o impasse quando o modelo convencional não entrega o resultado esperado.