Danças Tipicas Do Mato Grosso - Conheça as danças típicas do Mato Grosso - Blog Viva Mato Grosso
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As danças típicas de Mato Grosso: guia prático para quem quer aprender

Mato Grosso tem uma tradição dançante que mistura influências indígenas, africanas e europeias de forma muito específica da região. Se você está tentando aprender essas danças, o primeiro problema que encontra é que a maioria dos materiais na internet é genérica ou copiada de fontes ruins. Vou explicar como funciona na prática.

Danças típicas do Mato Grosso: o que existe de verdade

A principal tradição de Mato Grosso gira em torno do Cururu e do Catira. São duas coisas parecidas mas distintas. O Cururu é mais lento, cantado, com violão e violinha, e tem origem nos colonizadores paulistas e mineiros que subiam o rio Paraguai. O Catira é percussivo, baseado em palmadas e sapateados, sem canto. Muita gente confunde os dois. Eu também confundia no começo. Além desses dois, temos a Dança do Boi (versão pantaneira do Bumba Meu Boi), o Tomé que é indígena e muito presente em aldeias do norte do estado, e a Vaneira que tem raízes nordestinas mas se adaptou ao cerrado.

Como aprender Cururu e Catira passo a passo

O Cururu se estrutura em roda. Dois grupos se enfrentam, cada um com seu violão ou violinha. Um lidera o canto e o outro responde. O ritmo é relativamente livre, segue a frase do cantor. Se você quer aprender, comece ouvindo gravações do grupo Cururu dos Pardos de Pontal do Araguaia e do Serrano de Cuiabá. Isso te dá a referência sonora correta antes de tentar tocar. Para o instrumento, a violinha é essencial. O violão entra como acompanhamento. A afinação mais tradicional é a afinação re, com as cordas soltas ficando E-A-D-F#-B-E. Não é a afinação padrão. Se você começar com a afinação normal, vai demorar meses para se adaptar ao som certo. Gasta menos tempo acertando a afinação desde o início.

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O Catira é mais direto para iniciantes porque não exige canto. Você aprende as seqências de palmada e pés. As mais comuns são: palma-costa-palma-pé, palma-palma-pé-pé. Anota isso num papel e pratica devagar. Depois acelera. O erro mais comum é começar rápido demais e o ritmo desmorona depois de dois minutos. Leva cerca de duas semanas praticando 20 minutos por dia para fazer as sequências básicas sem pensar. Encontrei um problema específico quando tentei gravar uma aula de Catira para alunos: o som das palmadas competia com o som dos pés no áudio e ficava tudo embaralhado. A solução foi usar dois microfones separados, um apontado para as mãos e outro para os pés, e misturar depois na gravação. Sem isso, quem assistia não conseguia distinguir qual parte estava executando.

Dicas práticas que ninguém conta

A primeira coisa que precisa entender é que essas danças não são feitas para palco. Elas acontecem em terreiro, em roda, em festa de santo ou de boi. Tentar adaptar para palco sem cuidado transforma tudo num espetáculo vazio. A função social é o que dá o ritmo e a energia correta. Se você vai ensinar, leve os alunos para uma roda real pelo menos uma vez. A diferença entre aprender num salão vazio e aprender numa roda com gente é enorme. Outro ponto: Mato Grosso é enorme. O que se dança em Cuiabá é diferente do que se dança no Pantanal. No Pantanal, a Dança do Boi tem coreografias próprias que não existem na capital. Se você só conhece a versão urbana, está aprendendo uma versão reduzida. Procure registros das comunidades ribeirinhas e quilombolas. O material é mais escasso mas é o autêntico.

O maior obstáculo que encontrei foi a questão das folhas de música. Cururu não tem partitura padrão. Cada grupo tem seu repertório oral. Tentar escrever partitura dessas músicas é quase sempre inútil porque o timing é flexível e depende do cantor. O correto é aprender ouvindo e repetindo. Use gravações originais, não versões de estúdio que foram editadas e perdaram a flexibilidade rítmica. Se você quer materiais de apoio, os melhores recursos disponíveis são o acervo do Instituto Cultural Cururu e as gravações da UFMT sobre folclore matogrossense. Não existe um download oficial de tablaturas ou partituras confiáveis, entãoDepende do trabalho de transcrição própria a partir das gravações. É tedioso mas é o único caminho que funciona.

Resumindo: Cururu exige violinha e canto, Catira exige ritmo e coordenação motora, e ambos exigem que você participe de rodas reais. Nada substitui a presença. Materiais escritos só ajudam depois que o ouvido já está treinado.