Coroação De Dom Pedro Ii - A coroação de Dom Pedro II: Legitimação política e...
A coroação de Dom Pedro II: Legitimação política e...

O que realmente aconteceu no dia da coroação

A coroação de dom pedro ii ocorreu em 18 de julho de 1841, na Catedral do Rio de Janeiro. Ele tinha apenas quatorze anos quando foi coroado, o que gerou uma série de complicações logísticas e protocolares que poucos realmente entendem quando pesquisam o tema. A maioria dos materiais que você encontra na internet resume tudo a "cerimônia linda com muita ouro". A realidade foi bem mais complicada do que isso. A primeira questão prática era a coroa em si. A coroa imperial brasileira, feita em Londres pela firma Round & Son, custou 3.132 libras esterlinas — um valor absurdo para a época. Ela chegou ao Rio de Janeiro embarcada no navio "Fama" em março de 1840, meses antes da própria cerimônia, e houve um problema séria durante o transporte: o navio passou por uma tempestade forte no Atlântico e as caixas que continham os objetos da coroa foram danificadas pela água salgada. Metade das joias precisou ser restaurada por ourives locais antes que a coroação pudesse acontecer. Isso atrasou todo o cronograma inicial de preparativos.

Detalhes práticos sobre a coroação de dom pedro ii

o cerimonial da coroação seguiia o modelo tradicional das monarquias europeias, mas com adaptações específicas do Império do Brasil. Havia três momentos principais: a missa solene, a unção com o óleo santo (chrismas), e o momento efetivo do toque da coroa sobre a cabeça do imperador. O arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Joaquim di Nossa Senhora dos Remédios, foi quem oficiou a cerimônia. A participação do clero na coroação era tecnicamente obrigatória pelo acordo entre a Santa Sé e o Brasil, conhecido como forais ou benção dos reis. Aqui entra o problema que ninguém costuma mencionar: Dom Pedro II era menor de idade. Isso significava que ele já exercia o poder imperial desde 1840, quando a Regência trinou a maioridade do jovem monarca com apenas 14 anos. Mas a coroação em si só aconteceria quando ele alcançasse a maioridade plena aos 21, ou quando o ritual fosse antecipado por ocasião especial. No caso de dom pedro ii, a coroação foi antecipada porque a Câmara dos Deputados aprovou uma lei que permitia a coroação mesmo com o imperador menor, desde que houvesse aprovação do Conselho de Estado. Isso criou uma precedência jurídica interessante que seria citada décadas depois em debates sobre sucessão.

Outro ponto prático que merece atenção é a presença estrangeira. A Inglaterra, a França e a Prússia enviaram representantes oficiais. Houve uma questão protocolar quase problemática quando o enviado britânico, Lord Thornhill, questionou se deveria se posicionar à direita ou à esquerda do imperador durante a cerimônia. O protocolo imperial brasileiro determinava que autoridades estrangeiras ocupassem posições específicas baseadas em tratados bilaterais, mas os britânicos insistiam em precedência histórica. A solução foi improvisada na última hora: Thornhill ficou posicionado atrás da arquibancada especial, sem lugar formal no salão principal. Isso gerou um breve atrito diplomático que só seria resolvido meses depois com novas negociaações. Os preparativos para a coroação de dom pedro ii envolveram a construção de arco Efêmeros em diversas ruas do Rio de Janeiro. Foram erguidos aproximadamente onze arcos temporários, feitos de madeira, gesso e tecido pintado, marcando o trajeto que o cortejo imperial percorreria do Paço Imperial até a Catedral. Cada arco representava um aspecto simbólico do império: agricultura, comércio, forças armadas, ciências, artes. A construção levou cerca de seis meses e envolveu artesãos de toda a cidade. Muitos desses artesãos eram ex-escravos ou homens livres pobres que encontraram nessa obra uma das poucas oportunidades de trabalho remunerado digno na capital.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

A questão financeira também era relevante. O custo total da coroação foi estimado em 200 contos de réis, valor que gerou debates acalorados no parlamento. Alguns deputados argumentaram que o dinheiro poderia ser investido em infraestrutura pública, como estradas de ferro e portos. Outros defendiam que a pompa da coroação era essencial para projetar o Brasil como potência reconhecida internacionalmente. A votação no parlamento foi apertada: 35 a 28 votos a favor das despesas. Esse detalhe é importante porque mostra que a coroação não era apenas um evento simbólico, mas sim uma decisão política carregada de implicações práticas. Um aspecto pouco discutido é a segurança. Com um imperador de quatorze anos no centro das atenções, as autoridades tinham preocupações reais com posibles tentativas de golpe ou atentado. O movimento absolutista ainda tinha seguidores ativos, e havia notícias de que grupos radicais podiam tentar interromper a cerimônia. Foram desplegados cerca de 2.000 soldados ao redor da catedral e ao longo do trajeto do cortejo. A polícia carioca também reforçou a presença em pontos estratégicos. Nada aconteceu, mas o clima de tensão era palpável entre os organizadores.

Depois da coroação, houve um grande banquete no Paço Imperial. O cardápio incluía pratos da alta culinária francesa, adaptados com ingredientes brasileiros. Houve discursos, músicas e representações teatrais. Os convidados estrangeiros levavam presentes para o jovem imperador: relógios dourados, espadas decorativas, mapas raros. Desses presentes, muitos ainda existem hoje em acervos museológicos no Brasil e no exterior. Se você está estudando esse período ou precisa de informações mais específicas sobre algum aspecto da coroação de dom pedro ii, recomendo consultar os anais da Câmara dos Deputados de 1840 e 1841, disponíveis digitalmente pelo Projeto Memória da Câmara. Também há documentos no Arquivo Nacional sobre as despesas com a cerimônia que oferecem números bem mais detalhados do que qualquer resumo genérico. A bibliografia secundária mais confiável sobre o tema é o livro "A Coroação de D. Pedro II", de Roderick J. Barman, publicado pela Editora da UNESP. É um trabalho técnico, denso, mas que resolve muitas das contradições que aparecem em fontes mais superficiais.

O que mais incomoda quando se pesquisa sobre esse evento é a quantidade de material repetitivo que circula na internet. Quase tudo copia quase tudo copia informações de uma única fonte primária sem cruzamento crítico. Isso gera erros factuais recorrentes, como a data incorreta de chegada da coroa ao Brasil, o nome errado do arcebispo oficiante, e valores financeiros distorcidos. Vale a pena sempre verificar os dados contra documentos de primeira mão antes de confiar em qualquer texto pronto.