Conclusão De Redação Nota 1000 - Exemplos De Redacao Enem Nota 1000
Exemplos De Redacao Enem Nota 1000

Como funciona uma conclusão de fato

A maioria dos alunos termina a redação com um resumo genérico do que foi dito nos parágrafos de desenvolvimento. Isso não funciona no ENEM. O avaliador já leu o que você escreveu. A conclusão existe para fechar o argumento com proposta de intervenção completa, e ela precisa fazer isso em dois ou três parágrafos, no máximo, sem repetir os argumentos que você já apresentou.

Elementos obrigatórios da conclusão de redação nota 1000

A estrutura não é complicada, mas os detalhes fazem a diferença. Você precisa apresentar: agente, ação, meio ou modo, fim e detalhamento. Falta um desses elementos e a nota cai na competência 5. Já vi corretores derrubarem propostas por detalhamento vago como "por meio de campanhas" ou "com o apoio da mídia". O detalhamento precisa dizer concretamente como funcionaria — nome do órgão responsável, mecanismo específico, público-alvo exato. O agente também costuma ser o erro mais frequente. Frases como "é necessário que todos façam algo" não atribuem responsabilidade a ninguém. Quem é "todos"? O Ministério da Educação? As prefeituras? As escolas? Os pais? Coloque o nome correto. Quando o tema envolve uma questão ambiental, por exemplo, muitas pessoas esquecem que o órgão responsável pela fiscalização em nível municipal é a secretaria de meio ambiente da prefeitura, não o IBAMA. Usar o agente errado mostra falta de conhecimento contextual e o corretor marca isso.

Eu já corrigi redações onde a proposta era tecnicamente boa em conteúdo, mas falhava porque o aluno atribuía a ação ao poder legislativo quando o tema exigia atuação executiva. No caso de uma proposta de lei, aí sim o legislativo é o agente adequado. A distinção importa.

Conexão com a introdução

Um erro sistemático é a conclusão que não dialoga com a tese defendida na introdução. Se você afirmou na introdução que o problema tem raízes históricas e estruturais, não adianta propor uma solução imediatista de conscientização isolada na conclusão. A proposta precisa ser compatível com a leitura que você fez do problema. Essa coerência entre partes do texto é uma das coisas que mais pesam na avaliação final. Outra questão prática: o tamanho. Uma conclusão de redação nota 1000 costuma ter entre 4 e 7 linhas, dividido em um ou dois parágrafos. Menos que isso e você corre risco de não completar os cinco elementos da proposta. Mais que isso e você começa a repetir argumentos ou introduzir ideias novas, o que não tem lugar nesse momento do texto. Eu recomendo escrever dois parágrafos curtos. O primeiro fecha o raciocínio argumentativo, o segundo apresenta a proposta de intervenção propriamente dita.

Conectivos e encadeamento

O conectivo inicial da conclusão é importante, mas não precisa ser forçado. "Diante do exposto", "Portanto", "Assim" funcionam. O problema é o conectivo que não conecta nada — aquelas frases que começam com "Logo" mas o que vem depois não é conclusão lógica do que foi dito. Isso acontece muito quando o aluno decorou modelos prontos sem prestar atenção no conteúdo real do texto. Para a parte da proposta em si, o conectivo inicial pode ser "Nessa perspectiva", "Desse modo", ou simplesmente começar a frase com o agente: "O Ministério da Educação deve...". Não há obrigação de usar um conectivo antes de cada nova oração. Frases diretas funcionam melhor.

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Detalhamento: onde a maioria erra

O detalhamento é o elemento mais negligenciado e também o que mais gera perda de pontos. A diferença entre uma proposta nota 900 e uma nota 1000 está quase sempre aqui. "Criar programas de conscientização" não é detalhamento. "Criar programas de conscientização, por meio de campanhas nas redes sociais veiculadas pelo Ministério da Saúde, com foco em jovens de 15 a 24 anos, que abordem os riscos do uso de substâncias através de depoimentos de especialistas e relatos de pacientes" é detalhamento. O detalhamento responde à pergunta "como exatamente?". Se o corretor precisar adivinhar o funcionamento da proposta, ela não foi detalhada o suficiente.

Um caso específico que aprendi na prática

Tive um aluno que escreveu sobre desigualdade racial e propôs, na conclusão, que as escolas publicassem editais de cotas. O problema era que cotas raciais em concursos e vestibulares são definidas em lei federal, e editais escolares não têm esse poder. Ele misturou competência administrativa. Correção rápida: substituir "publicar editais de cotas" por "implementar programas de permanência estudantil para estudantes negros e pobres, por meio de bolsas de auxílio e acompanhamento pedagógico, sob responsabilidade dosdiretores escolares em articulação com as secretarias estaduais de educação". A proposta ficou viável, o detalhamento ganhou precisão e a nota subiu. Isso me leva a uma observação importante: propostas de intervenção precisam ser viáveis. O ENEM não pune exclusivamente por inviabilidade, mas propostas absurdas ou fora da alçada dos agentes indicados são sempre sinalizadas pelo corretor. Um aluno que propõe que "a ONU resolva o problema da violência no Brasil" perde pontos não só pela inviabilidade, mas por mostrar desconhecimento da hierarquia institucional brasileira.

Erros que derrubam a nota na conclusão

Além dos problemas técnicos, existem armadilhas recorrentes. A primeira é a conclusão puramente descritiva, onde o aluno apenas resume o que foi dito sem apresentar proposta. Isso elimina a competência 5 automaticamente. A segunda é a proposta vaga com detalhes genéricos, como "fazer campanhas educativas nas escolas". A terceira é copiar trechos dos desenvolvimentos, o que demonstra pouca capacidade de síntese. Um erro mais sutil é o desequilíbrio entre fecho argumentativo e proposta. Alguns alunos gastam cinco linhas fechando o raciocínio e só duas linhas para a intervenção. O ideal é proporcional: cerca de um terço do espaço para o fecho e dois terços para a proposta detalhada. O fecho serve para remeter à tese, não para repetir argumentos novos.

Modelo prático de construção

Você pode montar a conclusão usando um esquema simples: primeiro identifique o agente correto, depois defina a ação principal, em seguida especifique o meio ou modo, então declare o fim desejado e por último adicione o detalhamento concreto. Se um desses elementos faltar, a proposta está incompleta. É isso mesmo. O tempo gasto com essa parte costuma ser de 8 a 12 minutos, considerando que você já escreveu a introdução e os dois desenvolvimentos. Muitos alunos chegam na última parte cansados e apressados, o que resulta em conclusões mal elaboradas. Reservar esse tempo com antecedência faz diferença significativa no resultado final.

A validade da conclusão depende também do resto do texto. Uma proposta perfeita não salva uma redação com falhas graves de compreensão do tema ou falta de repertório sociocultural nos desenvolvimentos. A competência 5 vale 200 pontos, mas ela é apenas uma parte da avaliação. O correto é tratar a conclusão com a mesma importância das outras partes, sem negligenciá-la no final da prova.