O básico que ninguém te conta
O sulfato de alumínio é um coagulante barato e eficaz, mas o jeito que a maioria das pessoas usa faz mais mal do que bem. Ele funciona baixando o pH e precipitando partículas em suspensão, mas o saldo final no pH da água costuma ser ácido. Se você jogar o produto direto na piscina sem ajuste prévio, vai terminar com água azul e clara e pH lá em 6,8. Não é ruim pra pessoa, mas pode corroer equipamentos de aço inox e vedações.
como usar o sulfato de aluminio na piscina
Primeiro passo: teste a alcalinidade total antes de qualquer coisa. Se estiver abaixo de 80 ppm, o sulfato de alumínio vai derrubar o pH de forma descontrolada. O ideal é manter entre 80 e 120 ppm. Com a alcalinidade ajustada usando bicarbonato de sódio, o produto age de forma previsível. Misture 10 a 15 gramas por metro cúbico de água em um balde com água da própria piscina, dissolva completamente e distribua ao redor do perimetro, nunca despeje num ponto só. Ligue o filtro logo em seguida e deixe rodar por pelo menos 4 horas. Aqui vai o detalhe que poucos mencionam: o sulfato de alumínio só funciona de verdade se a água já tiver alcalinidade suficiente para formar o floculo de hidróxido de alumínio. Sem isso, ele simplesmente se dissolve e não captura nada. Eu vi isso na prática numa piscina de clube em Sorocaba onde o proprietário vinha usando sulfato todo dia porque a água estava levinha. A alcalinidade estava cronicamente em 40 ppm. O resultado era água cristalina mas com pH em 6,5 constante e vazamentos por corrosão nos trocadores de calor. A correção foi subir a alcalinidade pra 100 ppm, reduzir a dosagem do sulfato pela metade e ainda assim estabilizar o pH com carbonato de sódio no dia seguinte.
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Outro ponto importante é que o sulfato de alumínio deixa resíduo de sulfato na água. Em doses altas e repetidas, os sulfatos se acumulam e podem atingir níveis que interferem na leitura de testes de cloro, especialmente os de reação colorimétrica que a maioria usa em casa. O teste pode dar uma leitura falsa de cloro livre mais alto do que realmente existe. Se você nota que o cloro aparentemente sobe sozinho após a dose de sulfato, desconfie de interferência nos reagentes. Nesse caso, faça a leitura no fundo da piscina, não perto da superfície, e aguarde 30 minutos antes de testar novamente. A dosagem exata depende da turbidez inicial. Água levemente turva pede 5 a 8 gramas por metro cúbico. Água bem turva pode exigir até 20 gramas por metro cúbico, mas aí você deve fracionar em duas doses separadas por 2 horas, não aplicar tudo de uma vez. Aplicar toda a dose de uma vez causa choque de pH e pode deixar o fundo da piscina com manchas esbranquiçadas de hidróxido de alumínio precipitado que só saem com escovação e sucção manual. Eu perdi dois dias escovando o fundo de uma piscina residencial porque apliquei 25 gramas por metro cúbico num só momento. Aprende-se rápido.
Se a piscina tem revestimento de vinil ou fibra, tome cuidado redobrado com o pH pós-tratamento. pH abaixo de 7,0 em contato prolongado com vinil resseca e enrijece o material. Sempre verifique o pH 24 horas após a aplicação e corrija com soda cáustica se necessário, na dose de aproximadamente 30 gramas por metro cúbico para cada ponto acima de 7,4 que você quer subir. O sulfato de alumínio também não resolve problemas de algas. Se a água está verde, o coagulante apenas suspende as partículas e as empurra para o filtro. O problema continua. Para algas, o tratamento correto é choque de cloro ou produto algicida específico, e o sulfato só entra depois, para clarificar a água residual.
Armazenamento: mantenha o produto em recipiente original, fechado, em local seco e arejado. Sulfato de alumínio absorve umidade e embarreja. Produto úmido perde potência rapidamente e pode compactar dentro do saco, tornando a dosagem imprecisa. Se o pó estiver empedrado, descarte. Não vale a pena arriscar uma dosagem errada. Em resumo, o sulfato de alumínio é uma ferramenta válida quando usada com consciência da química da água. Alcalinidade correta antes de tudo, dosagem fracionada em casos de turbidez alta, e sempre verificar pH e cloro depois de aplicado. O erro mais comum é tratar a água como se o produto fosse mágico, quando na realidade ele só funciona dentro de uma faixa de equilíbrio que precisa ser respeitada.