Como Ser Um Terapeuta - Como ser um terapeuta?
Como ser um terapeuta?

O caminho pra quem quer entrar nessa profissão

Acho que todo mundo já teve aquela vontade de ajudar as pessoas de verdade, né. Mas ser terapeuta não é só sentar e ouvir. Tem que estudar bastante, fazer supervisão, e ainda levar uma surra do bolso no começo porque os caras que formam não pagam muito bem.

A primeira coisa que você precisa saber sobre como ser um terapeuta

O mercado tem duas vertentes principais aqui no Brasil. Tem a clínica particular, que é onde você cobra pelo atendimento e tem mais liberdade mas também corre o risco de ficar sem cliente. Tem o SUS e os CAPS, que dão estabilidade mas o salário é aquele valor que às vezes não cobre nem o aluguel do consultório. Eu já vi gente brilhante largar a profissão depois de dois anos no posto público porque o salário não dava pra pagar a formação. O que muita gente não conta é que existe uma terceira via que quase ninguém fala: os convênios. É aquele meio-termo onde você atende por plano de saúde. O problema é que as operadoras pagam mal e cobram muito. Eu já vi processar um cliente que tava com o dinheiro travado há seis meses porque a operadora diz que o procedimento não era coberto. Aí você precisa abrir reclamação no Procon, entrar no site da ANS, e ainda assim demora. Resolveu no meu caso com um processo de execução, mas levou oito meses.

O que você precisa fazer antes de começar a atender

A formação básica é faculdade de psicologia, serviço social, ou alguma área relacionada. Tem a clínica hospitalar, que é onde você trabalha em hospitais. Tem a clínica privada, onde você tem seu próprio consultório. Tem a escola, que é onde você trabalha com crianças e adolescentes. Cada uma tem seus prós e contras. O curso de graduação dura em média cinco anos. Mas isso não é tudo. Tem que fazer uma pós-graduação stricto sensu, que é mestrado ou doutorado, ou uma lato sensu, que é especialização. A maioria das pessoas faz especialização porque é mais rápido e mais barato. Eu fiz mestrado porque queria pesquisar, mas se eu soubesse que ia dar tanto trabalho eu talvez tinha feito especialização só.

A inscrição no conselho regional é obrigatória. No caso de psicologia é o CRP, que é o Conselho Regional de Psicologia. Tem que entregar o diploma, pagar a taxa, e esperar a análise. Às vezes leva três meses, às vezes seis. Já vi gente esperando nove meses porque o conselho tá atrasado.

As coisas que ninguém te conta na graduação

O primeiro cliente que você atende sozinho é diferente do que a faculdade ensina. Na faculdade você simula casos, pratica com colegas. Na vida real o cara senta na sua frente e fala coisas que você não sabia que existiam. Eu já atendi um paciente que chorava porque o pai tinha morrido e ele não tinha conseguido dizer adeus. Aí você fica sem saber o que fazer, aperta a caneta na mão, e espera a pessoa se acalmar. O burnout é real. Eu já vi colegas pegarem férias e não conseguirem descansar porque ficaram pensando no paciente o dia todo. Aí você começa a evitar os casos mais pesados, evita os finais de tarde, e fica com medo de atender. Isso não é fraqueza, é o jeito que o cérebro humano funciona quando você expõe demais.

A autonomia é outra coisa. Quando você começa a atender sozinho, ninguém vai te corrigir. Se você fizer algo errado, o paciente vai embora e você nunca vai saber. Por isso a supervisão é tão importante. Eu faço supervisão semanal com outro terapeuta há oito anos, e já me salvou de várias situations que eu não sabia como resolver.

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Dinheiro e mercado: a parte prática

No começo você cobra barato porque não tem cliente. Eu já vi cobrar duzentos reais a sessão quando o mínimo do mercado era quatrocentos. Aí o paciente acha que você é inexperiente e não te respeita. Resolveu mudar o preço depois de um ano, quando já tinha reputação. O SUS paga salários fixos, mas o salário é aquele valor que às vezes não cobre nem o aluguel do consultório. Eu já vi gente ganhando dois mil reais por mês atendendo vinte pacientes por dia. Aí você pergunta como sobrevive e a resposta é que não sobrevive, muda de emprego.

Os convênios são aquele meio-termo onde você atende por plano de saúde. O problema é que as operadoras pagam mal e cobram muito. Eu já vi processar um cliente que tava com o dinheiro travado há seis meses porque a operadora diz que o procedimento não era coberto. Aí você precisa abrir reclamação no Procon, entrar no site da ANS, e ainda assim demora.

O que esperar nos primeiros anos

Você vai ter dias bons e dias ruins. Nos dias ruins o paciente não consegue se abrir, você não consegue conectar, e fica com culpa. Nos dias bons você consegue ajudar de verdade e sente que fez diferença. A maioria das pessoas fica nos dias ruins porque não gosta da incerteza. A formação continua mesmo depois de formada. Eu já fiz curso de EMDR, terapia cognitivo-comportamental, análise do comportamento. Cada um tem seus prós e contras. Eu escolhi EMDR porque funciona rápido, mas exige treinamento específico que não está disponível em todas as cidades.

Tem gente que diz que a profissão vai acabar com a inteligência artificial. Eu acho que não, porque a relação humano-humano é o que importa. Já vi pessoas ficarem frustradas com chatbots e voltarem para o atendimento presencial. A tecnologia ajuda, mas não substitui o terapeuta.

Quando desistir é a melhor opção

Tem momentos em que sair é a melhor escolha. Eu vi colegas saírem da clínica particular e entrarem no posto público porque precisavam de estabilidade. Aí você perde a autonomia mas ganha o salário fixo. Decidiu que não aguentava mais a pressão e mudou de vida. O mercado brasileiro tem suas particularidades. O Sul e Sudeste têm mais oferta de trabalho, mas também mais concorrência. O Norte e Nordeste têm menos opções, mas também menos profissionais formados. Eu já vi gente migrar de state para state em busca de melhores oportunidades.

Se você quer entrar nessa profissão, pense bem antes. Não é só ajudar os outros, é também cuidar de si mesmo. A autoestima é tão importante quanto a competência técnica. Já vi pessoas brilhantes largarem tudo porque não conseguiam lidar com a pressão emocional.