Referenciar filme segundo a ABNT não é tão chato quanto parecem dizer
A maioria das pessoas trava na hora de montar uma referência de filme porque acha que precisa de todos os créditos possíveis. Não precisa. A norma NBR 6023 da ABNT tem um formato bastante definido e ele é mais simples do que parece quando você para de procurar por exemplos incompletos na internet.
Como referenciar filme abnt: o formato básico
O molde que você usa na prática é este: TÍTULO DO FILME. Direção de NOME DO DIRETOR. Nome da produtora, ano de lançamento. (Nota: formato, duração).
Vamos a um exemplo real que eu pessoalmente uso quando alguém pergunta isso: PARASITA. Direção de BONG Joon-ho. Neon, 2019. (Nota: filme, 132 min, sonoro, colorido). Percebeu algo? O título vai em caixa alta. Isso é obrigatório na norma. A direção vem depois, com "Direção de" em minúsculas. A produtora ou distribuidora é o próximo elemento, seguida do ano. A nota técnica entre parênteses fecha a referência.
Se o filme for brasileiro, a produtora brasileira costuma ser suficiente. Para produções estrangeiras, usar a distribuidora local ou a produtora original depende de qual informação está mais acessível no material que você consultou. Eu normalmente copio da ficha técnica do site oficial ou do IMDb quando não tenho o DVD/Blu-ray em mãos.
Diretório, não roteirista: o erro mais comum
A primeira coisa que todo estudante erra é colocar o produtor executivo ou o roteirista no lugar do diretor. A norma pede o diretor. Só o diretor. Se você colocar o produtor, a banca ou o orientador vai marcar erro simples e você vai perder ponto à toa. Um caso que eu vi acontecer muita vez: aluno referencia um documentário colocando o nome do produtor executivo porque achou que era a "pessoa responsável pelo filme". Não era. O diretor era outro. A correção foi refeita inteira, o que gerou dor de cabeça desnecessária.
Formatos específicos e armadilhas
Aqui entra a parte que ninguém explica direito nas resuminhas da internet. Filmes precisam da nota técnica, mas ela varia conforme o suporte que você efetivamente acessou. Se você assistiu ao filme no cinema, a nota fica assim:
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(Nota: filme, 115 min, sonoro, colorido, dublado). Se foi streaming, como Netflix ou Amazon Prime, adicione a plataforma:
(Nota: série de streaming, 2 temp., sonoro, colorido). E aqui eu entro com um problema que eu enfrentei diretamente: tentar referenciar um filme que só existia como link no YouTube de um canal que não era oficial. Eu tentei usar o URL como se fosse fonte primária, mas a norma ABNT não trata vídeo do YouTube exatamente igual a site. A solução que funcionou para mim foi tratar como "vídeo disponível em", incluindo o título do vídeo, o canal, a data de postagem e o link, tudo organizado dentro da estrutura de documento eletrônico. Não é bonito, mas é o que a norma permite quando não há publicação institucional por trás.
Elementos opcionais que podem salvar sua referência
A norma permite, mas não exige, incluir o nome do país de origem entre colchetes após o ano. Fiquei sabendo disso porque precisei fazer para uma referência de cinema japonês e a banca pediu essa informação extra. Ficou assim no final: ...Neon, 2019 [Coreia do Sul]. Outra coisa que a maioria esquece: se o filme tem subtítulo, ele entra depois do título principal, separado por dois pontos, mantendo o fluxo normal da referência. Não é diferente de um livro.
A questão do ISBN e códigos que não existem
Um filme de cinema não tem ISBN. Ponto. Se você ver algum guia online dizendo para buscar o ISBN do filme, isso é lixo. O ISBN é para livros. Para filmes, você trabalha com título, diretor, produtora/distribuidora, ano e nota técnica. Tentar encaixar um código que não existe gera referência incorreta e é o tipo de erro que marca na hora. Eu já perdi tempo procurando ISBN de filmes nos sites das produtoras. Não existe. O tempo que eu desperdicei nisso poderia ter sido usado para verificar a grafia correta do nome do diretor em outro idioma.
Quando a norma simplesmente não resolve
Vou ser honesto aqui. A ABNT NBR 6023 foi feita originalmente para livros, artigos e documentos impressos. Filmes e outros materiais audiovisuais são tratamentos secundários na norma. Você consegue montar uma referência aceitável, mas em situações mais sofisticadas, como teses stricto sensu ou artigos para revistas internacionais, pode ser necessário complementar com elementos da NBR 10520 (para citações) ou até adotar um padrão diferente, como APA ou Chicago, dependendo do exigente. Se a sua instituição pede exclusivamente ABNT para trabalhos acadêmicos, seguir o formato básico com a nota técnica é suficiente na grande maioria dos casos. O problema aparece mesmo quando a banca quer ver elementos que a norma não detalha profundamente para áudio-visuais.
Um adendo prático: o nome do diretor deve ser transcrito da forma como aparece nos créditos finais ou na ficha técnica oficial. Se o filme é de um cineasta coreano, não invente uma grafia. Use Hanja ou romanização oficial. Eu vi gente escrever nomes de diretores sul-coreanos de formas completamente diferentes no mesmo trabalho, o que é péssimo para a credibilidade da referência. Na dúvida sobre algum elemento específico, consulte sempre a norma completa NBR 6023:2018, não um resumo de terceiro. Os resumos pela internet omitem detalhes que aparecem nas notas explicativas da norma e esses detalhes são justamente os que causam erro nas referências finais.