A confusão que aparece todo dia nos comentários da internet
Quase todo mundo já escreveu "havia a ver" pelo menos uma vez, e a maioria não faz ideia de que errou. O correto é nada a ver, com N. A expressão quer dizer "não tem relação alguma", e a forma como as pessoas falam no dia a dia acaba distorcendo a grafia porque o som de "nada" se parece muito com "havia" quando falamos rápido.
como escreve nada a ver
A forma correta é nada a ver. Não leva H, não é "havia", não é "nada aver". São três palavras separadas: nada + a + ver. O erro mais comum é juntar tudo em "nadaaver" ou escrever "havia a ver" achando que faz sentido. Nenhum dos dois está certo. Para entender por quê, basta pensar na estrutura original. A expressão vem de "não ter nada a ver com algo". Quando usamos no sentido de "isso não tem nada a ver com o que você disse", fica claro que o sujeito é "nada" — o pronome indefinido que significa "zero coisa". "Havia" seria o verbo haver no pretérito imperfeito, e aí a frase perde completamente o sentido lógico.
Já vi gente argumentando que "havia a ver" estaria certo porque "haver" significa "existir", então "havia algo a ver" seria uma construção válida. A lógica parece bonita, mas não é assim que a expressão funciona. Ela é fixa e consagrada pelo uso normativo. Dizer que está redefinindo o sentido original é como argumentar que "cabeça abaixo" deveria ser escrito junto só porque alguém pensou que fazia mais sentido gramatical.
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quando usar e quando NÃO usar
O uso básico é simples: use nada a ver para indicar total falta de relação entre duas coisas. Por exemplo: "esse filme não tem nada a ver com o livro". O erro aparece quando as pessoas tentam justificar a variação fonética como se fosse aceitável. Não é. Em texto formal, redações, concursos, processos seletivos — em qualquer lugar que exija norma culta, escreva nada a ver. Em mensagens informais, chats e redes sociais, muita gente escreve "havia a ver" e segue em frente. Não vou fazer moralismo sobre isso. O problema é quando essa variante vira regra ou quando alguém se sente no direito de cobrar correção de quem escreve certo. Ambas as posições são ignorantes de formas diferentes.
Uma nuance que poucos conhecem: em alguns registros mais formais, especialmente em Portugal, é possível encontrar a forma "nada haver". Essa variante também existe e é aceita, mas tem um uso bem mais restrito e soa diferente do cotidiano brasileiro. Se você está no Brasil e vai escrever um texto qualquer, fique com nada a ver. Se estiver em contexto acadêmico ou literário português, pode aparecer "nada haver", mas ainda assim é raro no uso corrente.
o erro que todo mundo comete e nunca percebe
O problema real não é apenas grafia. É que quando as pessoas escrevem "havia a ver", elas estão criando uma forma que soa diferente da expressão padrão e, com o tempo, alguns até começam a achar que existe mais de uma versão correta. Isso gera confusão em processos de revisão de texto e em correções de português que chegam na minha mesa. Já tive que justificar para um cliente que uma publicação institucional com "havia a ver" precisava ser refeita porque soava amadora para o público-alvo. A dica prática é simples: se você consegue substituir "nada a ver" por "não tem relação nenhuma" e a frase continua fazendo sentido, aí está usando certo. Se a substituição não funcionar, talvez o problema seja outro na frase.
Resumindo sem resuminho: escreva nada a ver, separado, com N. O resto é variação fonética que não pertence à escrita normativa.