Como Conseguir Um Advogado Publico - Como conseguir um advogado público?
Como conseguir um advogado público?

O que é a Defensoria Pública e como funciona na prática

A Defensoria Pública é o órgão responsável por prestar assistência jurídica gratuita a pessoas que não conseguem pagar por um advogado particular. O serviço é garantido pela Constituição Federal de 1988, no artigo 5º, inciso LXXIV. Ou seja, quem tem comprovada insuficiência de recursos tem direito a um defensor público. Não é preciso ser miserável para ter direito. A lei fala em "hipossuficiência econômica", e isso varia conforme o estado. Em São Paulo, por exemplo, a jurisprudência costuma considerar até cerca de três salários mínimos como limiar aceitável, mas cada caso é analisado individualmente. O importante é conseguir demonstrar que o custeio de um advogado particular comprometeria seu sustento e o de sua família.

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O caminho mais direto é procurar a Defensoria Pública do seu estado ou, se o caso for de competência federal, a Defensoria Pública da União. Cada estado tem o seu, e eles funcionam de forma independente. Você vai precisar ir pessoalmente a uma unidade de atendimento, levar documentos e comprovar sua situação financeira. Os documentos básicos são: identidade com foto, comprovante de residência, comprovante de renda de todos os membros da família que vivam na mesma casa, e documentos que demonstrem suas obrigações financeiras, como aluguel, condomínio, contas de luz e água. Se você trabalha com carteira assinada, leve a CTPS e os últimos holerites. Se é autônomo ou desempregado, leve declaração do trabalho ou do benefício previdenciário, se houver.

Uma coisa que muita gente não sabe: a Defensoria não analisa apenas o seu salário. Eles olham a renda total do núcleo familiar dividido pelo número de pessoas. Se você ganha dois salários mínimos mas morando sozinho com três filhos e esposa desempregada, a conta é diferente de se você ganhasse o mesmo valor e morasse sozinho sem dependentes. A composição familiar muda completamente a análise de hipossuficiência. Outro ponto que passa despercebido: se você já está sendo processado ou processando alguém, pode pedir a gratuidade de justiça diretamente no processo, mesmo antes de entrar na Defensoria. O juiz vai analisar a declaração de hipossuficiência que você assina no próprio autos. Isso vale tanto para quem vai à Defensoria quanto para quem pretende contratar advogado particular depois e descobrir que não tem condição.

Tive um caso recente em que uma pessoa foi à Defensoria com contracheque de R$ 1.800 e foi negada inicialmente porque o sistema apontava rendimento acima do limite estadual. A questão é que a pessoa trabalhava em regime home office e recebia reembolso de energia e internet por fora, sem constar no holerite. A negativa veio automática. A saída foi apresentar extratos bancários dos três últimos meses mostrando que, após descontos fixos e despesas comprovadas, sobrava menos de meio salário mínimo por mês. A análise foi refeita e o deferimento veio em cinco dias úteis. O ponto é que o documento padrão nem sempre reflete a realidade financeira completa. A Defensoria também não atende todos os tipos de causa. Questões cíveis simples, como cobrança de débito e direito de família, são normalmente atendidas. Mas áreas muito especializadas como direito tributário complexo, defesa penal em crimes de grande complexidade institucional, ou ações contra a Fazenda Nacional envolvendo temas fiscais sofisticados podem ter limites. Nesses casos, o defensor público pode indicar encaminhamento para outras instâncias ou limitar a atuação à assistência processual básica.

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Se você se enquadra nas hipóteses de ISJP (Instrumento Superlativo de Juizado Especial) ou causas que envolvam pequenas causas, a Defensoria não é obrigatoriamente necessária. O próprio juiz pode designar def dativo. Na prática, isso significa que você pode entrar com uma ação simples e, se declarar hipossuficiência na petição inicial, o juízo nomeará um advogado público ou particular à custa do Estado sem precisar passar pela Defensoria. O processo leva cerca de dez a quinze dias para a nomeação, dependendo da vara. Para causas criminais, a Defensoria é ainda mais acessível. Se você for preso em flagrante ou tiver audiência de custódia, o sistema already lhe deve oferecer um defensor. Mas mesmo antes disso, quem está sendo investigado em inquérito policial pode procurar a Defensoria para acompanhamento desde o início, antes de qualquer denúncia. Isso é importante porque muitos direitos, como o direito ao silêncio e à presença de advogado em reconstrução de cena, precisam ser exercidos com assistência técnica desde o primeiro momento.

Um detalhe prático: muitas Defensorias possuem plantão 24 horas para casos de violência doméstica e medidas protetivas. Se você está em situação de risco, não precisa esperar o horário comercial. Vá direto à unidade mais próxima ou ligue para o DISQUE 100, que encaminha para a Ouvidoria da Defensoria do seu estado. O atendimento emergencial costuma ser mais rápido porque a prioridade é proteção à vítima. Outra coisa que ninguém te conta: a Defensoria Pública tem limite de atendimento por defensor. Em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, é comum encontrar filas de espera de três a seis meses para causas cíveis não urgentes. Se o seu caso é urgente, como uma execução de alimentos ou uma tutela de urgência, deixe isso claro desde o início no protocolo. A palavra "urgência" muda a prioridade e pode antecipar o atendimento em semanas.

Se por algum motivo a Defensoria do seu estado negar o pedido, você pode recorrer administrativamente à Corregedoria da Defensoria ou judicialmente, pedindo revisão da decisão. O recurso administrativo é mais rápido e geralmente resolve em poucos dias. A via judicial demora, mas serve de registro formal caso precise usar depois. Há também a possibilidade de obter assistência jurídica gratuita por meio da OAB de cada estado. Em alguns municípios, as seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil mantêm serviços de atendimento gratuito que funcionam de forma complementar à Defensoria. Isso é especialmente útil em cidades menores onde a Defensoria tem plantão limitado ou não existe unidade local. O atendimento pela OAB geralmente cobre causas mais simples e orientações jurídicas iniciais, mas não substitui a atuação plena do defensor público em processos complexos.

Para quem mora em região distante das sedes das Defensorias, muitos estados oferecem atendimento prévio por telefone ou videoconferência. Alguns permitem o início do protocolo online, enviando documentos digitalmente, e depois exigem a presença física apenas para a audiência ou assinatura de documentos importantes. Vale consultar o site da Defensoria do seu estado antes de se deslocar, para não perder tempo com deslocamento desnecessário.