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Como Citar Entrevista Feita Pelo Autor: Guia Prático (ABNT, APA, Chicago)

Citar uma entrevista que você mesmo realizou no corpo do texto e na bibliografia é muito mais simples do que a maioria das pessoas imagina, mas existem algumas pegadinhas comuns que costumam dar problema quando você está correndo para entregar um trabalho. A maior dificuldade não é decorar o formato, é entender o que cada elemento da referência significa e se a entrevista em questão deve ou não aparecer na lista de referências. Vou explicar tudo de forma direta, com exemplos reais, porque já vi gente perder tempo demais com esse tipo de citação.

Como Citar Entrevista Feita Pelo Autor

O primeiro passo é entender a diferença entre entrevista publicada e entrevista não publicada. Isso muda completamente a forma como você vai construir a referência. Se a entrevista foi publicada em um livro, site, podcast ou jornal, você trata como qualquer outra obra publicada. Se foi uma entrevista sua, gravada por você, que nunca saiu do seu arquivo pessoal, aí entra o conceito de "comunicação pessoal" ou "entrevista não publicada". Em português, isso é chamado de entrevista feita pelo autor, ou seja, o próprio pesquisador é o entrevistador e o autor do conteúdo coletado. Na prática acadêmica brasileira, a norma que rege isso é a ABNT NBR 10520:2023, que atualizou bastante as regras de citação em relação à versão anterior. A versão anterior era bem mais confusa sobre esse tema, então se você estiver seguindo materiais mais antigos, pode estar usando informações desatualizadas.

Formato ABNT para Entrevista Não Publicada (feita pelo autor)

Quando a entrevista foi conduzida por você e nunca foi publicada, o formato padrão segue esta estrutura: SOBRENOME, Nome do entrevistado. Título da entrevista (se houver). Entrevistador: SEU SOBRENOME, Nome. Data da entrevista. Local da gravação (cidade, estado). Tipo de suporte: arquivo de áudio, vídeo ou transcrição. Observações complementares, se necessário.

Exemplo prático: SILVA, Roberto. Perspectivas sobre educação ambiental na Amazônia. Entrevistador: SOUZA, Ana Carolina. 12 mar. 2024. Belém, Pará. Arquivo de áudio, MP3. Entrevista concedida ao autor para fins de pesquisa de doutorado.

Note que o entrevistador (você) vem após a palavra "Entrevistador:", e não como autor principal. O autor principal da referência é quem foi entrevistado. Isso faz sentido porque a fonte de informação é o conteúdo que a pessoa entrevistada produziu, mesmo que você tenha feito as perguntas. Em termos de citação no corpo do texto, você pode usar o sobrenome do entrevistado entre parênteses junto com a data, ou simplesmente descrever a entrevista na própria narrativa: conforme entrevista realizada com Silva (2024).

Formato ABNT para Entrevista Publicada

Se a entrevista foi publicada em veículo de imprensa, livro ou site, o formato muda. Aí você trata como uma entrevista jornalística: SOBRENOME, Nome do entrevistado. Título da matéria. Nome do veículo, cidade, data da publicação. Disponível em: URL. Acesso em: dia mês ano.

Exemplo: OLIVEIRA, Márcia. O futuro da energia solar no Brasil. Folha de S.Paulo, São Paulo, 5 jul. 2023. Disponível em: https://www.folha.uol.com.br/... Acesso em: 10 jan. 2025.

Nesse caso, você não precisa se autoidentificar como entrevistador porque a publicação já carrega essa informação implicitamente. O importante é apontar a fonte publicada corretamente.

Formato APA 7ª Edição

A APA tem uma abordagem diferente e mais rigorosa sobre entrevistas não publicadas. Na 7ª edição, entrevistas não publicadas são tratadas como personal communication, o que significa que elas NÃO entram na lista de referências. Você cita apenas no corpo do texto da seguinte forma: (Sobrenome do entrevistado, comunicação pessoal, 12 de março de 2024).

Se for uma entrevista publicada, aí sim vai para a referência: Silva, R. (2024, 12 de março). Perspectivas sobre educação ambiental [Entrevista]. Nome do Veículo. URL

A diferença crucial aqui é que na APA, entrevista não publicada nunca aparece nas referências. Isso gera confusão porque muita gente tenta encaixar a entrevista própria na lista de referências por achar que é obrigatório, mas a regra é clara: comunicação pessoal só no texto.

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Formato Chicago (Notas e Notas-Bibliográficas)

O estilo Chicago permite mais flexibilidade. Na nota de rodapé, você escreveria algo como: Entrevista com Roberto Silva, realizada por Ana Carolina Souza, Belém, PA, 12 de março de 2024, arquivo de áudio MP3.

Na bibliografia, o formato seria: Silva, Roberto. Perspectivas sobre educação ambiental na Amazônia. Entrevista concedida a Ana Carolina Souza. Belém, PA, 12 de março de 2024. Arquivo de áudio MP3.

Se for publicada: Silva, Roberto. "Perspectivas sobre educação ambiental." Entrevistado por Ana Carolina Souza. Folha de S.Paulo, São Paulo, 5 de julho de 2023. https://www.folha.uol.com.br/...

Pegadinha Comum que Todo Mundo Erra

O erro mais frequente que eu vejo é colocar o próprio nome do pesquisador como autor da referência quando se trata de entrevista não publicada. Você não é autor do conteúdo da entrevista. Você é o entrevistador. O conteúdo é do entrevistado. Colocar seu nome como autor é errado e revisores experientes percebem isso na primeira olhada. Outro erro comum é omitir o formato do suporte. Quando você grava uma entrevista em áudio e depois transcreve, precisa informar qual material está consultando. Se for a transcrição, escreva "transcrição". Se for o áudio original, escreva "arquivo de áudio". Se estiver usando ambos, indique os dois. Isso parece secundário, mas é exatamente esse detalhe que faz uma referência passar ou não na banca.

Caso Específico: Entrevista Transcrita vs. Arquivo de Áudio

Eu tive um problema específico com isso em um trabalho de mestrado. Eu gravava entrevistas em áudio e depois transcrevia. Quando fui montar as referências, não sabia se deveria colocar o arquivo de áudio ou a transcrição. A solução que funcionou, e que usei até hoje, é listar o formato em que você efetivamente CONSULTOU o dado. Se você citou trechos diretamente da transcrição, coloque a transcrição. Se fez análise do áudio integral, coloque o arquivo de áudio. Se usou ambos, indique os dois com a data de acesso correspondente a cada um. Eu resolvi da seguinte forma no meu trabalho:

SILVA, Roberto. Perspectivas sobre educação ambiental na Amazônia. Entrevistador: SOUZA, Ana Carolina. 12 mar. 2024. Belém, Pará. Arquivo de áudio, MP3, 47 min. Transcrição disponível em: arquivo pessoal da autora. Isso deixa claro para qualquer leitor o que está disponível e em qual formato.

Quando Uma Entrevista Não Publicada Deve Entrar nas Referências

Essa é uma questão que gera debate. A ABNT não é tão explícita quanto a APA sobre esse ponto. Na prática, eu recomendo incluir a entrevista não publicada nas referências quando ela é uma fonte primária essencial para o trabalho, ou seja, quando os dados coletados são centrais para a análise. Se a entrevista é apenas complementar, uma menção no corpo do texto já basta. Esse critério é subjetivo, mas ajuda a não inflar a lista de referências com fontes que não são o foco principal da pesquisa.

Dica Prática: Padronização entre Múltiplas Entrevistas

Se você fez mais de uma entrevista, mantenha um padrão rígido de formatação desde o início. Nada de variar entre "Arq. de áudio" e "arquivo de áudio, MP3" em referências diferentes. Isso aparenta amadorismo e pode fazer o avaliador questionar o cuidado metodológico do trabalho. Use uma planilha simples com campos fixos: nome do entrevistado, data, local, formato, duração, e tipo de suporte. Assim, na hora de montar as referências, é só preencher o template.

Resumo Rápido dos Formatos

ABNT – não publicada: Sobrenome do entrevistado. Título. Entrevistador: Sobrenome do pesquisador. Data. Local. Formato. ABNT – publicada: Sobrenome do entrevistado. Título da matéria. Veículo, local, data. URL. Acesso em: data.

APA – não publicada: Apenas no texto, como comunicação pessoal. Não vai nas referências. APA – publicada: Sobrenome, Inicial. (Data). Título [Entrevista]. Veículo. URL

Chicago – nota: Nota de rodapé com todos os dados da entrevista. Chicago – bibliografia: Formato similar ao ABNT, mas com sobrenome em primeiro lugar.

O mais importante é ser consistente com o estilo exigido pela sua instituição e nunca esquecer de indicar claramente quem é o entrevistador quando se trata de entrevista feita pelo autor. Isso evita ambiguity e mostra domínio da metodologia de pesquisa.