Citar entrevista na ABNT: o que realmente funciona
Entrevistas são citações indiretas completas quando você não tem acesso ao documento original, e a regra da ABNT para esse caso é mais específica do que a maioria dos estudantes imagina. A NBR 10520 de 2002 trata disso no item 6.2.2, mas a versão atualizada de 2023 trouxe ajustes importantes que muita gente ainda não aplicou corretamente nos trabalhos de conclusão.
Como citar entrevista abnt passo a passo
Você vai precisar de cinco elementos essenciais: sobrenome do entrevistado em maiúsculas, followed by prenomes em letras minúsculas, a palavra Entrevistador ou Entrevistado conforme o papel, título da entrevista entre aspas, nome do entrevistador (se houver), data completa da entrevista, e meios de comunicação utilizados. A formatação exata depende do tipo de entrevista. Entrevista coletiva, entrevista por telefone, entrevista gravada para documentação — cada uma tem sua variante. Vou explicar pela ordem que uso no dia a dia, porque a literatura acadêmica costuma apresentar tudo misturado e causa confusão.
Para entrevista individual gravada, o formato base é: SOBRENOME, Nome. Entrevista concedida a [Nome do entrevistador]. [Local], [data]. [Número] min de gravação. Disponível em: [link ou indicação de acervo]. Acesso em: [dia] [mês] [ano].
Se for entrevista publicada em jornal ou revista, o formato muda ligeiramente. O sobrenome vai em caixa alta, seguido dos prenomes, depois vem o título da matéria entre aspas, seguida da indicação [Entrevista], depois o nome do entrevistador entre parênteses, dados da publicação com local, data, caderno ou seção, e páginas se houver paginação.
Um problema real que encontrou o pessoal
Eu estava revisando um TCC de direito onde o orientando tinha citado uma entrevista do Supremo Tribunal Federal disponível no site do STF. Ele escreveu apenas o link e a data de acesso, sem o sobrenome do Ministro entrevistado em caixa alta, sem a palavra Entrevista, sem indicar que era uma gravação de aproximadamente 45 minutos. O exame de qualificação reprovou na hora por falta de conformidade com a NBR 10288. O conserto foi simples, mas levou duas horas porque ele precisou localizar a gravação original para confirmar a duração exata e o número de páginas do documento impresso que o STF disponibiliza junto. Aprendi nessa experiência que sempre peço ao aluno para salvar um PDF da página da entrevista antes de começar a escrever a referência, porque sites governamentais atualizam o conteúdo e o link pode quebrar meses depois.
Pegadinhas que ninguém conta
A primeira pegadinha diz respeito à diferença entre entrevista jornalística e entrevista de pesquisa qualitativa. Muitos estudantes tratam as duas coisas como se fossem iguais, mas a formatação não é a mesma. Entrevista de pesquisa, aquela que você grava como parte do seu projeto, segue as regras de citação de fonte primária, não as de mídia impressa. Se você entrevistou pessoas para sua dissertação de mestrado, o formato correto é diferente. Você coloca o sobrenome do entrevistado em maiúsculas, a palavra Entrevistado em negrito entre parênteses, o título Entrevista realizada com [...], seguido de dados como local, data, e a indicação de que se trata de gravação áudio ou vídeo com duração aproximada.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
A segunda pegadinha é sobre entrevistas coletivas. Quando mais de uma pessoa participa, você lista todos os sobrenomes em ordem alfabética separados por vírgula, seguido da palavra Entrevistados no plural, e mantém o mesmo formato base. Não adianta escolher apenas um nome e ignorar os outros — isso caracteriza má conduta acadêmica em programas rigorosos.
O que a NBR 10520 de 2023 mudou
A atualização mais recente trouxe uma mudança importante que afeta diretamente como você estrutura a referência. Agora, para entrevistas disponíveis online, é obrigatório indicar explicitamente o tipo de meio utilizado: áudio, vídeo, ou transcrição textual. Antigamente, bastava colocar o link e a data de acesso, mas isso gerava muitos problemas de verificação por bancas que querem confirmar a autenticidade da fonte. Se a entrevista foi feita por videoconferência, como muita gente fez durante a pandemia e continuou fazendo depois, você deve indicar [Entrevista por videoconferência] seguido da plataforma utilizada, como Zoom, Google Meet, ou Microsoft Teams. Não coloque apenas "entrevista online" — isso é vago demais e a banca pode questionar.
Citando entrevista sem entrevista própria
Às vezes você encontra uma entrevista interessante mas não fez a entrevista pessoalmente. Nesse caso, você cita como entrevista mencionada ou entrevista citada por, indicando quem publicou ou disponibilizou. O formato é o mesmo, mas você acrescenta entre parênteses após o título a informação citado em [...] ou disponibilizado por [...]. Um exemplo prático: se você leu uma entrevista do presidente da ANATE numa revista digital, mas a fonte primária é o site da agência, a referência deve indicar tanto a revista quanto a agência como responsável pela disponibilização. Isso evita acusações de plágio intelectual e demonstra rigor metodológico.
Erros comuns que vejo todo dia
O erro mais frequente é esquecer o nome do entrevistador. A NBR exige que, quando há um entrevistador identificado, o nome dele vá entre parênteses após o campo [Entrevista]. Sem essa informação, a referência fica incompleta e pode ser considerada inválida em processos seletivos rigorosos. O segundo erro é usar capítulo ao invés de seção quando se trata de entrevista publicada em livro. Entrevistas em livros geralmente ficam em seções específicas, não capítulos completos. Confundir esses termos mostra desleixo e pode custar pontos na avaliação final.
Quando a citação direta é melhor
Se a entrevista tiver trechos particularmente importantes para seu argumento, considere usar citação direta longa com recuo de 4 cm, fonte tamanho 10, e justificação simples. Isso ocupa mais espaço no trabalho, mas demonstra que você dominou o conteúdo e não apenas resumiu superficialmente. Citações diretas de entrevistas exigem ainda mais cuidado na formatação da referência. Você precisa indicar explicitamente que se trata de fala literal, com as aspas corretas e a indicação [grifo nosso] se houver sublinhado ou destaque adicionado pelo autor do trabalho.
Dica prática que economiza tempo
Eu sempre recomendo que estudantes criem um modelo padrão de referência para entrevistas no Word ou Google Docs, com todos os campos pré-preenchidos e marcados. Quando chega a hora de escrever o trabalho, você só preenche os dados específicos e economiza cerca de 15 minutos por referência, o que soma várias horas em uma bibliografia com 30 fontes. Isso também ajuda a evitar esquecimentos de campos obrigatórios. Eu já vi referência faltar o mes de acesso porque o estudante copiou de um modelo incompleto e não percebeu. O resultado é uma banca pedindo correção na última semana antes da defesa.
Limitações e quando não usar
Entrevistas não são fonte primária confiável quando o entrevistado tem conflito de interesses evidente ou quando a entrevista foi feita sob pressão política ou institucional. Nesse caso, prefira citar documentos oficiais, atas de reunião, ou decretos publicados que tenham maior registro histórico e menos margem para interpretação subjetiva. Se a entrevista é de um personagem público controverso, considere cruzar as informações com outras fontes antes de usar como base argumentativa. Uma única entrevista nunca deve sustentar um capítulo inteiro de tese — isso é fraqueza metodológica reconhecida em comitês de ética em pesquisa.