Classificação Do Relevo Brasileiro Jurandyr Ross - De acordo com a classificação do relevo de Jurandyr Ross, quais os ...
De acordo com a classificação do relevo de Jurandyr Ross, quais os ...

Como funciona a classificação do relevo brasileiro de Jurandyr Ross na prática

O IBGE publicou a classificação do relevo brasileiro jurandyr ross em 1989, no livro "Relevo do Brasil", escrito em parceria com Elza Bezerra Fonseca e Maria de Fátima Conceição Silva. Ela substituiu parcialmente as classificações anteriores, principalmente a de Aziz Ab'Sáber, e se tornou o padrão adotado pelo Instituto para fins cartográficos e de planejamento territorial. O método combina análise estrutural — ou seja, a origem geológica das formações — com a leitura morfológica do terreno através de altimetria, padrões de drenagem e tipos de dissecação.

Classificação do relevo brasileiro jurandyr ross: bases e lógica

A ideia central é dividir o território em unidades de planalto e planície, agrupadas dentro de domínios estruturais. Cada unidade carrega uma assinatura geológica que explica por que ela tem aquela forma atual. Os planaltos são áreas onde o processo de erosão predomina sobre a sedimentação, enquanto as planícies são zonas de acumulação recente de sedimentos. A diferença entre os dois, na prática, nem sempre é clara na paisagem — o que gera confusão até entre profissionais que usam o mapa do IBGE todo dia. Os domínios estruturais são basicamente três: os cinturões orogênicos móveis (como os escudos das Guianas e o Cinturão Móvel Brasília), os grandes maciços antigos cristalinos (Serra dos Carajás, por exemplo) e as bacias sedimentares paleozoicas e mesozoicas que cobrem vastas porções do território. A partir desses domínios, Ross mapeou dezenas de unidades menores. Um geógrafo que trabalha com levantamento de terreno nota imediatamente que as fronteiras entre planalto e planície nem sempre aparecem nítidas no campo, especialmente em áreas de transição como a Divisa entre o Planalto da Borborema e a Planície Costeira do Nordeste Oriental.

Principais unidades mapeadas

Dentro do domínio dos escudos antigos, por exemplo, temos o Planalto e Serras do Atlântico Leste-Sudeste, que abrange trechos inteiros do Espinhaço e da Serra do Mar. Já o domínio das bacias sedimentares contém a maior parte das planícies e muitos dos planaltos mais extensos, como o Planalto e Chapada dos Parecis e a Planície e Pantanal do Rio Guaporé. O Planalto da Borborema, no nordeste, é um dos casos mais discutidos porque sua base estrutural é pré-cambriana, mas seu relevo atual resulta de longos processos de desnudamento em um contexto climaticamente seco e semiárido. O que poucos mencionam nos materiais introdutórios é que Ross não tratou as serras como unidades separadas quando elas estão estrategicamente integradas a planaltos maiores. A Serra da Mantiqueira, por exemplo, não aparece como unidade autônoma — ela faz parte do Planalto e Serras do Atlântico Leste-Sudeste. Isso economiza categorias no mapa, mas dificulta a leitura local, porque a topografia local não obedece às divisões institucionais.

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Problema prático que encontrei no campo

Trabalhei com mapeamento geomorfológico na região dos Campos dos Goytacazes, no norte fluminense, e identifiquei uma zona de transição entre a Depressão Fluminense e o Planalto da Serra do Mar onde a classificação do IBGE não consegue delimitar com precisão o traçado. A altitude varia entre 20 e 80 metros em uma área de apenas três quilômetros quadrados, e o solo é composto por sedimentos aluvionares recentes sobre uma base arenito-paleozoica. O mapa de Ross classifica aquela faixa como Depressão, mas a leitura morfoestrutural indica que se trata de um bloco rebaixado com padrão de dissecção típico de planalto velho, não de uma planície deposicional. A solução que adotei foi sobrepor o mapa de unidades de relevo do IBGE com imagens de sensoriamento remoto multiespectral e modelos digitais de elevação com resolução de cinco metros. A análise espacial permitiu identificar micro relevo que o mapa em escala 1:250.000 não captava. O resultado foi um ajuste fino manual da fronteira entre as duas unidades, que fiz diretamente sobre o GIS, mantendo a classificação oficial como referência mas corrigindo o traçado local. Esse tipo de adaptação é comum entre técnicos que precisam de precisão operacional, mesmo quando o mapa oficial não entra nesses detalhes.

Pegadinhas e pontos cegos da classificação

Um dos problemas mais frequentes é a tendência de subestimar a complexidade das planícies costeiras. A Planície e Pantanal do Rio Guaporé, por exemplo, parece simples num mapa geral, mas na realidade abrange alternâncias de várzeas ativas, terraços fluviais e áreas de pântano estacional que mudam drasticamente de uma estação para outra. Se você estiver fazendo um estudo de impacto ambiental nessa região, confiar apenas na classificação de Ross pode levar a erros de zoneamento porque a unidade não diferencia esses subtipos internos. Outro ponto que causa confusão é a nomenclatura. Algumas unidades receberam nomes que mudaram entre edições ou que não correspondem exatamente ao uso regional. O termo "Chapada" aparece em várias unidades (Chapada dos Parecis, Chapada Diamantina, Chapada do Araripe), mas na classificação original cada uma pertence a domínios estruturais diferentes. Quem não presta atenção a isso tende a agrupá-las erroneamente como se compartilhassem a mesma gênese.

Uma limitação honesta da classificação é que ela foi construída em escala 1:250.000. Para trabalhos regionais ou municipais, o nível de detalhe simplesmente não basta. O IBGE reconhece isso internamente, mas o mapa segue sendo amplamente usado como referência primária porque nenhuma outra cartografia de relevo no Brasil atingiu o mesmo nível de padronização nacional. Alternativas como o mapeamento geomorfológico feito por universidades estaduais ou os levantamentos do DNPM oferecem mais detalhe, mas carecem de uniformidade metodológica entre as diferentes regiões.

Como acessar os materiais

O livro "Relevo do Brasil" está disponível na biblioteca digital do IBGE e também em repositórios acadêmicos como a Scielo e a Biblioteca Digital da Produção Científica e da Informação do próprio instituto. Os mapas em formato digital podem ser baixados diretamente no site do IBGE, na seção de dados espaciais. Para quem precisa trabalhar com GIS, recomendo baixar também a base de dados vetorial das unidades de relevo — ela acompanha atributos structurais que facilitam a sobreposição com outras camadas temáticas, como solo e vegetação. O uso costuma levar cerca de dez minutos para carregar em uma máquina padrão, se você já souber filtrar por estado ou região. A classificação de Jurandyr Ross continua sendo a referência mais usada no Brasil, não porque seja perfeita, mas porque oferece um equilíbrio razoável entre abrangência territorial e praticidade cartográfica. Quando você realmente precisa ir além dela, o caminho é combinar com dados de campo, imagens de satélite e, quando possível, modelos digitais de elevação de alta resolução. Sem isso, a classificação funciona como uma bússola generalista, não como um mapa topográfico detalhado.