Como fazer citação indireta com mais de 3 autores na prática
A regra é simples no manual, mas complicada na hora de escrever. Quando um trabalho tem quatro ou mais autores e você quer citá-lo de forma indireta, ou seja, parafraseando a ideia sem copiar o trecho exato, o ABNT já define que, a partir da primeira menção, usa-se "et al." no corpo do texto. O resto da referência completa fica na bibliografia, claro. O problema é que a maioria das pessoas aplica isso de forma mecânica e acaba errando em detalhes que aparecem só quando o orientador abre o olho para o trabalho. Vou explicar como funciona, onde as pessoas tropeçam e o que eu fiz quando isso me pegou de surpresa num artigo técnico.
Citação indireta com mais de 3 autores: a regra e a aplicação
Segundo a NBR 10520:2023, na primeira vez que você menciona a obra com quatro ou mais autores em uma citação indireta, escreve-se o sobrenome do primeiro autor seguido de "et al.", em itálico. Exemplo: Silva et al. (2021) afirmam que... A partir daí, todas as outras menções também usam "et al." — não volta mais ao nome completo. Isso vale tanto para autores no fim da frase quanto entre parênteses. A diferença é apenas a posição, não a forma. Citação entre parênteses: (Silva et al., 2021). Citação narrativa: Silva et al. (2021) observam...
A referência completa na bibliografia nunca leva "et al.". Lá continuam todos os nomes. É um detalhe que todo mundo esquece e que gera correção na revisão final. Eu perdi duas horas num trabalho meu só porque a banca apontou que a referência original tinha sido resumida indevidamente. Li a norma três vezes e percebi que eu mesmo tinha cometido o erro na primeira versão.
Pegadinhas que ninguém conta
Uma coisa que os guias rápidos não mostram é o caso dos autores espanhóis ou franceses com sobrenomes compostos. Se o primeiro autor se chama "García López", por exemplo, o "et al." deve vir depois do último sobrenome, não do primeiro. Fica: García López et al. (2019). Errar isso é comum e a correção na revisão custa caro em tempo. Outro ponto: a norma não obriga usar "et al." em todas as situações. Se você está fazendo uma revisão bibliográfica comparativa e precisa discutir especificamente dois autores de uma obra coletiva de cinco, a citação pode listar apenas os relevantes, desde que justificado. Mas isso é exceção, não regra. A maioria dos alunos usa "et al." automaticamente mesmo quando poderia citar os nomes relevantes, e o revisor percebe que foi preguiça analítica.
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Também existe a questão da tradução de "et al.". Em textos em português, mantenha em itálico. Em inglês, é o mesmo. Não adapte para "e outros" ou "et ali". Isso aparece em trabalhos de intercambistas e gera reprovação imediata em programas rigorosos.
Como organizar isso no dia a dia
O método que eu uso agora é mais eficiente do que decorar a regra toda vez. Eu crio um campo extra no meu gestor de referências — no Zotero, por exemplo — chamado "forma_de_cite". Nele, eu anoto manualmente a forma abreviada correta para cada obra com mais de três autores, incluindo o tratamento de sobrenomes compostos. Quando vou escrever, o plugin gera a citação automaticamente baseada nesse campo, não na entrada padrão. Isso elimina o erro de "García et al." quando o certo é "García López et al.". Se você não usa software de referências, uma planilha simples com colunas para autor completo, autor para citação, ano e nota sobre sobrenomes compostos resolve o mesmo problema. Eu levei de 45 minutos para montar a base de dados de referências de um trabalho de 80 páginas com esse método. Sem ela, o mesmo processo levaria cerca de duas horas e meia, com risco alto de inconsistência.
Quando a regra não serve
Há situações em que a norma ABNT não se aplica. Trabalhos internacionais publicados em revistas que exigem Vancouver, APA ou Chicago têm regras diferentes. No Vancouver, por exemplo, com mais de seis autores, também se usa "et al." na primeira menção. Com quatro ou cinco, lista-se todos. Em APA 7ª edição, a coisa muda novamente: para três autores, já se usa "et al." a partir da segunda menção. Para quatro ou mais, desde a primeira. Se você estiver escrevendo para uma revista estrangeira, não use a lógica ABNT. Um limite importante da norma ABNT é que ela não cobre obras com autoria institucional de forma tão clara. Um relatório da OMS com dezenas de colaboradores técnicos não tem um "primeiro autor" evidente. Nesses casos, a prática usual é tratar o nome da instituição como o autor principal e aplicar "et al." a partir daí. Nenhum livro de metodologia explica isso com profundidade, mas é o que se vê em editais e revisões reais.
Download de tabela prática
Preparei uma tabela em PDF com os formatos de citação indireta para obras com 3, 4, 5, 6 e 10+ autores, cobrindo ABNT, APA 7 e Vancouver lado a lado. A tabela também inclui os casos de sobrenomes compostos que eu mencionei acima. Ela resume o que escrevi nos parágrafos anteriores em uma única página, o que ajuda bastante na hora de consultar rapidamente durante a escrita. Acesso direto: baixar_tabela_citacoes_multiplas_autores.pdf
Se você está começando agora, o erro mais provável não é a regra em si. É aplicar a regra de forma uniforme sem verificar se o contexto exige variação. A norma é um padrão mínimo, não uma camisa de força. Works com colaboração extensa, traduções, revisões sistemáticas e meta-análises frequentemente exigem ajustes que a norma não prevê explicitamente. Nestes casos, a consulta direta ao orientador ou ao periódico alvo é mais segura do que improvisar.