Certificado De Energia Renovável - Fundação UNIARP recebe Certificado 2025 de Energia Renovável » Uniarp
Fundação UNIARP recebe Certificado 2025 de Energia Renovável » Uniarp

Como funciona o certificado de energia renovável na prática

Um certificado de energia renovável é um instrumento contábil que comprova que uma quantidade específica de eletricidade foi gerada a partir de fontes limpas, como eólica, solar, biomassa ou PCHs. No Brasil, esse sistema é regulado pelo MME por meio dos Certificados de Energia Limpa (CELs) e pela Aneel com os Certificados de Energia Renovável (CER), ambos registrados no Sistema de Commercialização de Energia Elétrica (SCPE). A lógica por trás do documento é simples: toda usina qualificada recebe um CEL ou CER para cada megawatt-hora (MWh) injetado na rede. Quem compra o certificado está pagando pela garantia de origem da energia, não pela energia física em si. A eletricidade continua fluindo normalmente pelo sistema distribuído. O que muda é quem detém o direito de declarar aquela geração como renovável.

Por que empresas buscam o certificado de energia renovável

O mercado corporativo tem usado certificados de energia renovável principalmente para cumprir metas ESG, reduzir a pegada de carbono relatada no escopo 2 das emissões de GHG e atender requisitos de cadeias de suprimentos internacionais. Para algumas companhias, também serve como parte do cumprimento de contratos de sourcing descentralizado de energia limpa fora do modelo de distribuição convencional. Na prática, eu já vi situações em que uma empresa comprou CELs no mercado livre e precisou fazer a dedução dupla porque o fornecedor também havia vendido os certificados. O resultado foi que a mesma energia limpa foi contabilizada duas vezes. Isso aconteceu porque o comprador não verificou se o contrato de fornecimento já transferia os CELs separadamente. O controle precisa ser feito antes da assinatura, não depois da fatura chegar.

O processo real de aquisição começa com a definição do volume necessário. A conta é direta: Multiplique o consumo mensal em MWh pela quantidade de meses que deseja cobrir e some os totais. Para uma fábrica com consumo médio de 1.200 MWh por mês, isso dá 14.400 MWh ao ano, ou 14.400 certificados CELs necessários para a cobertura anual completa. Depois vem a escolha do canal de negociação. Existem três vias principais: o mercado de contratação livre entre geradores e comercializadores, o mercado regulado via leilões de energia nova e o mercado de CELs spot administrado pela ONS. Cada um tem prazos, precificação e custos de transação diferentes.

Caminhos para obter certificados no Brasil

O mercado regulado funciona por meio de leilões organizados pelo governo. As usinas que ganham o leilão entregam energia ao sistema e geram CELs proporcionalmente. O consumidor não participa diretamente desses leilões como pessoa física. Empresas de médio e grande porte podem licitar através de comercializadoras, mas o prazo médio entre a homologação e a primeira entrega é de 18 a 24 meses. O preço tende a ser mais baixo que no mercado spot, mas a incerteza temporal é real. O mercado livre de contratação direta oferece mais agilidade. Você negocia com comercializadoras ou diretamente com geradores eobtem contratos de curto a médio prazo, normalmente de 1 a 5 anos. A cotação para CELs avulso gira em torno de R$ 12 a R$ 28 por MWh dependendo da fonte, da região e da volatilidade do ano hidrológico. Em 2024, por exemplo, o preço dos CELs eólicos no Nordeste ficou pressionado para cima porque muitos compradores queriam garantir cobertura antes do fechamento anual das demonstrações financeiras.

O mercado spot de CELs é onde se negociam certificados já emitidos, sem vínculo com um contrato futuro de energia. É a via mais rápida para quem precisa fechar uma cobertura no mesmo ano. A desvantagem é que a disponibilidade é imprevisível e os preços podem variar bruscamente entre semanas. Quem já comprou sabendo que precisava de 500 CELs na última semana do mês viu o preço subir 40 por cento em dois dias úteis. Não tem como prever isso com antecedência.

Documentação e registro: o que realmente importa

Toda operação de certificado de energia renovável exige registro no SCPE. O sistema é operado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e permite o rastreamento completo do certificado desde a geração até o cancelamento final para contabilização. Sem esse registro, o certificado não tem validade perante a Aneel e não pode ser usado em declarações de carbono. Os documentos que você precisa ter em mãos durante a negociação incluem o contrato de compra e venda de CELs, a certidão de geração da usina, o histórico de emissões do SCPE vinculado ao lote negociado e, se for caso de sourcing descentralizado, a autorização de geração não convencional. Tudo isso é padrão, mas o que eu vejo frequentemente é a falta de verificação da procedência do lote. Um certificado pode ser vendido múltiplas vezes se o registro não for conferido antes do aceite.

Uma coisa que poucos explicam é a diferença entre CEL e CER. Ambos comprovam geração renovável, mas possuem naturezas distintas. O CEL nasce da Resolução Normativa 1.000/2021 da Aneel e abrange todas as fontes renováveis, incluindo biomassa, solar e eólica. O CER é o instrumento criado para o mercado regulamentado de distribuição e tem regras próprias de transferência. Para, a confusão entre os dois tipos gera erros de contabilidade de carbono. O certificado errado pode invalidar toda a declaração do escopo 2. Outro ponto que merece atenção é a questão do cancelamento. O certificado precisa ser cancelado no SCPE para que a empresa possa declarar o benefício ambiental. O cancelamento não é automático. Se você deixar o certificado parado na conta da comercializadora sem cancelá-lo, ele continuará aparecendo como ativo e não contará para sua redução de emissões. Eu já vi isso acontecer com três empresas diferentes em menos de um ano. O problema geralmente é falta de ownership interno definido. Alguém precisa ser responsável por monitorar a conta no SCPE e cancelar os certificados no prazo adequado.

Erros comuns e como evitá-los

O erro mais frequente é comprar o certificado sem verificar se o contrato de energia já inclui a transferência dos CELs. Se você assina um contrato de suprimento de energia e a contraparte não informa explicitamente que os certificados são transferidos, você pode acabar pagando pela energia e ainda comprar os CELs separadamente. O custo extra pode chegar a R$ 15 por MWh desnecessariamente. Antes de fechar qualquer contrato, peça a documentação do lote de CELs e confirme a transferência no SCPE. Outro erro comum é assumir que qualquer fonte renovável gera o mesmo valor ambiental. A verdade é que o mercado distingue fontes. CELs de usinas solares têm demanda diferente dos de parques eólicos. Algumas certificadoras de carbono e frameworks como o RE100 dão preferências diferentes dependendo da fonte. Se sua estratégia depende de credenciamento internacional, selecione os certificados conforme o critério exigido pelo framework em questão, não apenas pelo preço mais baixo.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Também existe o risco de duplicação de alegações ambientais. Se você compra CELs de uma usina que já vendeu os certificados para outra empresa, a mesma energia limpa será claimada por dois titulares. Isso é proibido pelas regras do SCPE, mas acontece quando o comprador não consulta o histórico de transferências antes da compra. A forma mais simples de evitar isso é solicitar a rastreabilidade completa do lote negociado e conferi-la diretamente no sistema da CCEE. Há ainda o problema do timing entre o fechamento fiscal e a entrega dos certificados. Muitas empresas precisam dos CELs para fechar o relatório de sustentabilidade no segundo trimestre. Se a compra for feita tardiamente, os certificados podem demorar de 30 a 60 dias para serem transferidos e cancelados no SCPE. Isso coloca a empresa na situação de ter que retrabalhar a declaração ou aceitar uma cobertura parcial. Planejar a aquisição com pelo menos quatro meses de antecedência elimina esse risco na grande maioria dos casos.

Quando o certificado de energia renovável não resolve

Os certificados não são solução para tudo. Eles cobrem apenas o escopo 2 das emissões de GHG, que é o consumo próprio de eletricidade. Não abordam emissões diretas de combustíveis, fugas de gases industriais ou o escopo 3 da cadeia de valor. Se sua empresa tem pegada de carbono significativa em outras frentes, os CELs vão melhorar apenas um pedaço do quadro. Também existem cenários em que os CELs simplesmente não estão disponíveis em quantidade suficiente. Anos com estiagem prolongada no Sudeste e Centro-Oeste reduzem a oferta de CELs hidrelétricos, que tradicionalmente compõem a maior fatia do mercado brasileiro. Nesse período, o preço dispara e o volume disponível para novos compradores cai. Quem chega tarde demais não acha o que precisa, mesmo dispondo de orçamento.

Outra limitação prática é que o certificado só tem validade enquanto estiver registrado corretamente. Mudanças na estrutura societária, Fusões, aquisições ou transferências de ativos precisam ser comunicadas à CCEE para manter a integridade dos registros. Se isso não for feito, o certificado pode ficar bloqueado na conta incorreta e exigir processos administrativos longos para regularizar. Já perdi semanas lidando com isso quando uma empresa que adquiri mudou o CNPJ do banco de potência sem avisar o setor responsável. Se o seu objetivo é garantir suprimento de energia limpa de forma estruturada e previsível, o mais indicado é ir direto para a contratação descentralizada com fonte dedicada, combinando energia física e certificados em um único contrato. O CEL isolado funciona como ferramenta complementar ou como solução pontual, mas não substitui uma estratégia de sourcing bem construída.

Passo a passo resumido para aquisição

Passo 1 — Calcule o consumo anual em MWh da instalação que você deseja cobrir. Separe por mês se precisar de cobertura temporal específica. Passo 2 — Defina o tipo de certificado necessário. Verifique se a exigência é de CEL, CER ou ambos, conforme o framework de sustentabilidade ou regulação aplicável.

Passo 3 — Pesquise cotações no mercado spot e entre comercializadoras. Compare pelo menos três propostas antes de decidir. Passo 4 — Solicite a rastreabilidade completa do lote de certificados no SCPE. Confirme se não há transferência prévia ou pendência de cancelamento.

Passo 5 — Negocie o contrato de compra e venda de CELs, incluindo cláusula expressa de transferência de titularidade e cancelamento para contabilização ambiental. Passo 6 — Aguarde a quitação e o registro da transferência no sistema. Mantenha o comprovante de cancelamento para auditoria futura.

Passo 7 — Usar o certificado cancelado na declaração de escopo 2 ou no relatório de sustentabilidade da empresa. Isso pode levar de duas a seis semanas dependendo do canal escolhido e da complexidade da negociação. O mercado spot costuma ser mais rápido, enquanto contratos de longo prazo exigem mais tempo de due diligence e aprovação regulatória.

O que eu diria para quem está começando é: não pule a verificação da proveniência dos certificados. O preço atrativo é tentador, mas um certificado com histórico duvidoso pode transformar toda a iniciativa em um passivo reputacional. A documentação correta e o registro no SCPE são o mínimo que se espera de uma operação séria. everything else is just noise.