Cei 68 Gladys Moeckel De Togni Amaral - CEI #68 | APEI
CEI #68 | APEI

Guia prático para entender e aplicar a norma CEI 68

O texto cei 68 gladys moeckel de togni amaral é amplamente referenciado em laboratórios de ensaios ambientais no Brasil. A obra organiza os procedimentos da série IEC 60068 (CBET 38 no Brasil), cobrindo ensaios como temperatura seca e úmida, ciclos térmicos, vibração sinusoidal e aleatória, choque mecânico, e testes com umidade acelerada. O material serve como ponte entre a norma internacional e a prática do dia a dia em certificação de equipamentos eletroeletrônicos.

O que encontrar no conteúdo associado ao cei 68 gladys moeckel de togni amaral

A estrutura segue a lógica das normas IEC 60068-2-x, mas com ajustes que consideram as condições brasileiras de homologação. Cada ensaio é descrito com parâmetros de tempo, temperatura, umidade relativa, rampas de aquecimento e resfriamento, critérios de avaliação pós-ensaio e requisitos de instrumentação. O grande diferencial é a apresentação dos métodos de medição e aceitação em linguagem direta, o que reduz o tempo de interpretação antes de montar um plano de ensaio real. Na prática, isso significa que um técnico consegue montar uma sequência de testes sem precisar cruzar dez normas diferentes. Os diagramas de ciclo, as tolerâncias permitidas e os critérios de falha já vêm organizados em tabelas. Para projetos que precisam passar por certificação INMETRO ou Anatel, esse nível de clareza evita retrabalho significativo.

Um ponto que nem todo mundo leva a sério na primeira leitura são os critérios de avaliação C e D, definidos na IEC 60068-1. O critério C exige que as medições elétricas sejam feitas durante o ensaio, o que implica fiação de teste e condicionadores de sinal que suportem as condições ambientais. O critério D permite medição apenas após o retorno às condições ambientais de referência. Eu costumava ver protótipos sendo reproitados por falta de planejamento nessa escolha, com engenheiros tentando improvisar sensores em câmaras de teste que não foram projetadas para instrumentação interna. A solução é definir o critério ainda na etapa de planejamento do projeto, antes de fabricar o PCB ou encomendar a carcaça.

Como planejar os ensaios corretamente

O primeiro passo é identificar quais partes da série CEI 68 se aplicam ao seu produto. Um dispositivo médico precisa de Ensaios Baa (temperatura seca), Bab (temperatura úmida) e possivelmente Bd (vibração). Um equipamento de automação industrial pode exigir Ensaios Ec (choque mecânico) além dos já citados. A escolha errada aqui gera custos desnecessários ou, pior, rejeição na homologação. Depois de mapear os ensaios, construa um cronograma com as sequências mais demandantes primeiro. Testes de umidade e temperatura geralmente precedem testes mecânicos, pois a exposição prolongada à umidade pode alterar propriedades mecânicas dos materiais. Se você inverter a ordem, estará repetindo ensaios que já deveriam ter sido evitados.

A preparação das amostras também merece atenção específica. Cada dispositivo deve ser testado em sua configuração real de operação ou na configuração mais desfavorável, dependendo do objetivo. Eu já encontrei casos em que protótipos eram submetidos a ensaios de vibração com conectores não fixados corretamente, gerando falhas que nada tinham a ver com o projeto estrutural. O trabalho correto inclui registro fotográfico do estado inicial, medições elétricas de linha de base e definição prévia dos critérios de passagem antes de qualquer amostra entrar na câmara. Outro aspecto técnico importante diz respeito às tolerâncias dos ensaios. A norma IEC 60068 estabelece faixas de ±1°C para temperatura seca, ±2°C para temperatura úmida e tolerâncias específicas para umidade relativa entre ±2% e ±5%, dependendo do método. Se o laboratório não conseguir manter essas faixas, os resultados perdem validade metrológica. Verificar a certificação do laboratório e o controle de qualidade dos equipamentos é uma etapa que não deve ser pulada.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Erros comuns que atrapalham a conformidade

O erro mais frequente é subestimar o tempo de estabilização térmica. Amostras grandes, com massas térmicas elevadas, podem levar horas para atingir equilíbrio dentro da câmara. Iniciar as medições elétricas antes da estabilização gera dados inconsistentes que confundem a análise. Eu resolvi esse problema em um projeto de fonte chaveada grande adotando a prática de monitorar a taxa de variação de temperatura nos termopares internos e só iniciar o ensaio quando a variação ficasse abaixo de 0,5°C por hora nas três medidas consecutivas. Outro problema recorrente é a má seleção dos pontos de fixação em ensaios de vibração. A norma recomenda que a montagem da amostra sobre a mesa vibrométrica reflita as condições reais de uso. Fixações inadequadas criam modos de ressonância que não representam o comportamento real do produto, levando a falhas prematuras nos ensaios que não se repetem em campo. O ideal é usar placa de adaptação rigida e confirmar a resposta em frequência do conjunto antes de iniciar o perfil de ensaio.

A interpretação dos critérios de falha também gera confusão. O critério A permite pequenas variações que não comprometem a funcionalidade. O critério B exige manutenção das especificações nominais durante o ensaio. O critério C permite recuperação após exposição. Conhecer essas distinções evita que equipes descartem amostras que poderiam ser reprovisionadas e retestadas com sucesso.

Dificuldades e limitações que precisam ser consideradas

Esta abordagem de ensaios padronizados tem restrições importantes. Equipamentos com componentes sensíveis a radiação UV, por exemplo, podem sofrer degradação acelerada nos ensaios de envelhecimento que não ocorrem nas condições reais de operação. Da mesma forma, amostras com voltagens elevadas podem apresentar arco elétrico em câmaras de umidade sem que o defeito exista fora do ambiente de teste pressurizado. A norma também não cobre interações entre múltiplos estresses simultâneos de forma abrangente. Ensaios combinados de vibração e temperatura exigem protocolos específicos que muitas vezes estão fora do escopo padrão. Nesses casos, a recomendação é desenvolver um procedimento interno documentado, submetido a avaliação técnica, em vez de improvisar durante o ensaio.

Para produtos que operam em ambientes extremos, como equipamentos offshore ou aeroespaciais, os ensaios da CEI 68 podem não ser suficientes. Nesses cenários, é recomendável complementar com normas setoriais específicas ou ensaios customizados validados por engenharia de confiabilidade.

Próximos passos para implementação

Comece revisando a tabela de ensaios da sua norma de producto específica. Ela indica exatamente quais partes da CEI 68 são obrigatórias. Em seguida, monte uma planilha de planejamento com todas as variáveis: temperatura, tempo, umidade, critério de aceitação e instrumentação necessária para cada ensaio. Valide o plano com o laboratório antes de enviar as amostras. Esse processo reduz significativamente o risco de reprovação e economiza tempo de projeto.