O básico que todo mundo confunde
A dúvida aparece com frequência em fóruns de português, principalmente entre estudantes e pessoas que corrigem textos para clientes. A resposta curta é: cavalo é substantivo comum. Ele nomeia uma espécie, um animal genérico, sem identificar um indivíduo específico. Substantivo próprio seria algo como Borboleta, o nome de um cavalo específico, escrito com inicial maiúscula. Isso parece óbvio até você se deparar com um texto literário onde o autor usa "Cavalo" com letra maiúscula como referência a um animal específico da narrativa. Aí a coisa muda de figura. Não é mais sobre gramática normativa, é sobre escolha estilística.
cavalo é substantivo próprio ou comum — qual é a regra real?
A regra normativa está na gramática padrão: substantivos comuns designam seres da mesma espécie de forma genérica. Substantivos próprios designam entidades únicas dentro de sua classe. A diferença prática é grafia e função. No dia a dia, eu vejo esse erro acontecer quando pessoas acham que todo termo que recebe tratamento especial no texto vira próprio automaticamente. Não vira. Eu já perdi tempo revisando um catálogo de animais onde o cliente havia escrito "Cavalo", "Gato", "Cachorro" todos com inicial maiúscula porque "fazia parte do título da seção". Isso não os torna substantivos próprios. São subtítulos de categorias. O correto seria manter minúscula e usar formatação de destaque se necessário.
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Um detalhe que pouca gente leva em conta: substantivos comuns podem ser particularizados quando o contexto exige. Se num romance o narrador se refere a "o cavalo" como se fosse um personagem único e identificado, ainda assim permanece um substantivo comum particularizado. A maiúscula opcional do autor é uma questão de estilo, não de classificação morfológica. O truque prático para saber a diferença é simples. Tente antepor um artigo ou um determinante. "O cavalo correu" — funciona, é comum. "Borboleta correu" — soa estranho sem artigo, mas "Borboleta" funciona como nome próprio por si só. Se o termo precisa de artigo para ter sentido pleno na frase, é comum. Se funciona como identificador sem artigo, tende a ser próprio.
Quando a coisa fica complicada
Existem casos limítrofes que confundem até revisores experientes. Nomes de raças equinas, por exemplo: "Lusitano", "Árabe", "Quarto de Milha". Quando usados como nomes de raça, são substantivos comuns. Quando viram nomes de animais individuais registrados, passam a funcionar como próprios. "Meu lusitano ganhou a prova" versus "Lusitano é um cavalo maravilhoso". A primeira usa como comum particularizado; a segunda, como nome de raça. Outro ponto que gera confusão: substantivos abstratos personificados. "A Morte visitou a cidade". Aqui "Morte" recebe maiúscula por personificação, mas continua sendo um substantivo comum no plano morfológico. A maiúscula é discricionária, não transformadora de classe gramatical.
Se você trabalha com localização de conteúdo ou revisão técnica, anote isso: em documentos técnicos, a padronização exige que substantivos comuns permaneçam em minúscula mesmo quando se referem a indivíduos específicos. Alguns clientes insistem em maiúsculas "para dar importância". Explique que isso é erro normativo, não preferência estilística. A menos que seja literatura criativa, onde o autor tem liberdade. Resumo funcional: cavalo é substantivo comum. Sempre, na gramática normativa. Pode receber tratamento estilístico de maiúscula em contextos literários ou específicos, mas a classe morfológica não muda. Se alguém te cobrar o oposto, peça a referência gramatical específica. A maioria não tem.