Cantigas De Amigo Exemplos - Cantigas De Amigo Exemplos Atuais - REVOEDUCA
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O que são as cantigas de amigo

As cantigas de amigo são um gênero da lírica galego-portuguesa medieval, compostas entre os séculos XII e XIV. A voz poética é geralmente feminina e o tema central é a figura do amigo — o amor ausente, a saudade, a conversação com as amigas ou com a mãe. Diferente das cantigas de amor, em que o eu lírico é masculino e a estrutura é mais hierárquica e submissa, nas de amigo a voz tem mais espontaneidade e o mundo doméstico e afetivo ocupa o primeiro plano. A estrutura típica envolve estribilho e volta. O estribilho é uma frase ou grupo de versos que se repete no início de cada estrofe, funcionando como um ganho motival. A volta é o restante da estrofe, que se desenvolve a partir do estribilho. Muitas vezes há um recurso à invocação ("ai, amigas"), a uma pergunta retórica ou a um símbolo natural, como a água, a fonte ou o mar.

Os manuscritos de referência são o Cancioneiro da Biblioteca Nacional (o Colocci-Brancuti), o Cancioneiro da Vaticana e o Cancioneiro da Ajuda. Juntos, preservam cerca de mil cantigas dos três gêneros: de amigo, de amor e de escárnio e maldizer.

Cantigas de amigo exemplos essenciais

Exemplo 1 — João Soares de Paiva

Esta é provavelmente uma das mais conhecidas. O eu lírico feminino chama as amigas para lamentar a ausência do amado. Ai, amigas, quem vos coitou?
Ai, amigas, quem vos coitou?
Se coitada non sei eu,
mas coitados somos nós!

Ai, amigas, quem vos coitou?
Ai, amigas, quem vos coitou?
Se coitada non sei eu,
mas coitados somos nós! O estribilho aqui funciona como uma pergunta que se repete quatro vezes. A volta mostra que a queixa não é individual, mas partilhada entre as amigas. A repetitions é parte do recurso oral e performativo do gênero.

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Exemplo 2 — Paio Soares de Tavares

Outra cantiga notável, com invocação semelhante e uma dinâmica de conversa feminina. Ai, amigas, quem vos coitou?
Ai, amigas, quem vos coitou?
Se coitada non sei eu,
mas coitados somos nós!

Ai, amigas, quem vos coitou?
Ai, amigas, quem vos coitou?
Se coitada non sei eu,
mas coitados somos nós!

Exemplo 3 — Martin Codax

Martin Codax é um dos trovadores mais estudados precisamente porque seu corpus chega intacto com a música. Suas cantigas de amigo têm uma musicalidade evidente e um vocabulário mais depurado. Onde foste, Amigo, meu Amigo,
que tanto tardas, meu Amigo?
Ai, Deus! E se morreste, meu Amigo,
ai, Deus! onde jazeres, meu Amigo?

Non morrestes, meu Amigo, nem sei
onde viestes, meu Amigo;
ai, Deus! E quanto me coidava que morrera,
ai, Deus! de ti, meu Amigo! O estribilho é mais longo e atua como um lamento aberto. A repetição de "ai, Deus" funciona como um interjeição que marca o sofrimento. A fonte (o mar, em outras versões musicais) é o cenário habitual nestas composições.

Como ler e analisar uma cantiga de amigo

O primeiro passo é identificar o estribilho. Ele aparece no início de cada estrofe e se repete com pequenas variações. Em muitas edições críticas, o estribilho vem destacado ou em itálico. A volta segue em texto corrido e desenvolve a narrativa ou a emocio