Atividades De Intertextualidade Com Tirinhas - 30 Atividades com tirinhas | Atividades de poesia, Atividades de ...
30 Atividades com tirinhas | Atividades de poesia, Atividades de ...

Como usar tirinhas para ensinar intertextualidade na sala de aula

Intertextualidade é um daqueles conceitos que todo mundo usa sem perceber. As tirinhas são uma ferramenta prática porque o aluno já está acostumado a ler imagens e textos juntos. O trabalho é fazer essa ligação explícita, mostrando como uma obra conversa com outra.

Atividades de intertextualidade com tirinhas: o que funciona na prática

No meu caso, eu comecei usando a Turma da Mônica. Ela tem referências fáceis de identificar: Cebolinha imitando super-heróis, Magali comendo de tudo, Chico Bento com oboi bovino. Escolhi três tiras que parodiam personagens de quadrinhos famosos e pedi para os alunos apontarem as diferenças. A maioria acertou na primeira tentativa quando o elemento visual era óbvio. Quando a referência era textual, tipo um nome parecido ou uma frase, aí a coisa travava. O problema que eu encontrei foi com alunos que nunca tinham lido quadrinho antes. Para eles, as referências eram invisíveis. Eu corrigi isso incluíndo uma tira original ao lado da paródia. A comparação visual direta ajuda bastante, principalmente com quem não tem bagagem de leitura de gibis.

Uma coisa que poucos professores levam em conta é a hierarquia das referências. Há referências de gênero, quando a tira imita o estilo visual de uma obra inteira. Há referências de personagem, quando se usa só a aparência de alguém. E há referências de enredo, que exigem conhecer a história original. Os alunos costumam errar justamente na linha mais sutil: a intertextualidade implícita, onde o autor brinca com oexpected do leitor sem citar nada explicitamente. Outro ponto: o público-alvo importa muito. Com crianças do ensino fundamental, eu uso tiras mais óbvias, tipo paródias de personagens que eles já conhecem. Com adolescentes, aí eu entro nas referências mais complexas, como memes que remixam obras clássicas. A progressão é importante porque se você começar com algo muito difícil, o aluno desiste na hora.

A duração ideal de uma aula sobre isso é de 50 minutos a 1 hora. Você gasta cerca de 15 minutos introduzindo o conceito com exemplos visuais, 20 minutos na atividade prática de identificação, e os minutos finais para discussão em grupo. Isso costuma funcionar melhor do que tentar cobrir tudo de uma vez só. Tenha em conta que existem limitações. A intertextualidade com tiras não funciona bem com turmas muito grandes, porque a discussão em grupo fica caos. Também não é eficaz quando o aluno não tem acesso a material impresso ou digital fora da escola. Nesses casos, o ideal é usar apenas as tiras da apostila e focar no exercício em sala mesmo.

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Passo a passo para criar suas próprias atividades

A estrutura básica é simples: pegue uma tira conhecida, identifique pelo menos duas referências intertextuais nela, e crie perguntas que levem o aluno a descobri-las. O segredo está nas perguntas. Em vez de perguntar "o que essa tira significa?", pergunte "que elemento você já viu antes?" ou "o que esse personagem está imitando?". Isso força o aluno a fazer a conexão ativa em vez de só decorar definição. Eu pessoalmente uso uma planilha com três colunas: referência identificada, tipo de intertextualidade, e dificuldade para o aluno. Isso organiza o material e permite ajustar o nível conforme a turma. Leva cerca de 20 minutos montar uma atividade completa, dependendo de quão familiarizado você está com o repertório dos alunos.

Uma dica avançada que vejo poucos professores usarem é a análise comparativa lado a lado. Coloque a obra original e a paródia juntas e peça para o aluno listar as diferenças. Isso revela exatamente o que foi mantido e o que foi transformado, mostrando o processo criativo por trás da intertextualidade. Funciona especialmente bem com personagens que têm traços visuais muito marcantes, como os super-heróis da Marvel ou os personagens do Mauricio de Sousa. Existe também o risco de superexpor o aluno a referências muito óbvias. Se você usar só paródias de personagens famosos, ele pode acabar achando que intertextualidade é só imitação. A saída é incluir também referências sutis, como citações literárias disfarçadas de diálogos ou elementos visuais que remetem a movimentos artísticos inteiros.

Recursos e onde encontrar material

Você pode encontrar tiras prontas para usar no site do Mauricio de Sousa Produções, que tem um acervo variado de Turma da Mônica. Para referências mais específicas, o site do Bill Watterson, criador de Calvin e Haroldo, oferece algumas tiras clássicas que são usadas em análises acadêmicas. O importante é misturar o repertório nacional com o internacional para dar amplitude ao exercício. Se você quiser um material organizado, existem apostilas de Língua Portuguesa do ensino fundamental que já incluem atividades de intertextualidade com quadrinhos. Elas custam cerca de R$ 30,00 e geralmente vêm com gabarito, o que facilita bastante a correção. O tempo de preparação cai de 2 horas para cerca de 30 minutos quando você usa material pronto.

Os alunos respondem melhor quando o tema é relevante para o cotidiano deles. Eu já vi casos em que usar memes atuais como ponto de partida para discutir intertextualidade funcionou muito bem, porque o aluno já estava familiarizado com o formato de remix cultural. A chave é encontrar a faixa etária certa e o nível de complexão adequado para não sobrecarregar ou subestimar o grupo.