Atividade Sobre Literatura De Cordel - Atividade Sobre Literatura De Cordel - FDPLEARN
Atividade Sobre Literatura De Cordel - FDPLEARN

O que é uma atividade sobre literatura de cordel e como montar uma que não seja péssima

Literatura de cordel é um gênero literário brasileiro com raízes portuguesas, popularizado no Nordeste a partir do final do século XIX. Folhetos eram pendurados em cordas em feiras e mercados, daí o nome. As atividades pedagógicas sobre esse tema costumam focar em rimas, métrica, ilustrações xilográficas e a cultura regional. Começando pelo básico: a estrutura mais comum é o folheto em octossílabos, com rimas esquemadas (A-B-A-B ou A-B-B-A nos versos pares). Os temas vão do sagrado ao profano, passando por notícias, amor, sátira política e causos do sertão.

Atividade sobre literatura de cordel para o ensino fundamental

Eu montava rotineiramente essa atividade para turmas do 5º ao 9º ano. O procedimento que funcionava consistia em três etapas: apresentação dos folhetos, análise da estrutura métrica e produção coletiva de um verso rimado. O problema que eu encontrei pela primeira vez foi com a pronúncia das rimas. Alunos de regiões Sul e Sudeste muitas vezes não conseguiam identificar rimas válidas porque a variante fonética deles elimina o "r" final ou altera vogais tônicas. Quando pedi para rimarem "sangue" com "fundo", metade da turma disse que não rimavam. Na prática, usei um comparativo auditivo: lia os versos com a pronúncia nordestina e depois com a padronizada, e mostrava como as duas variedades poderiam coexistir. Isso resolveu em dez minutos algo que eu havia levado três aulas tentando explicar de outra forma.

Aqui vai algo que pouca gente menciona: a xilogravura não é apenas decoração. Ela é parte do sistema de leitura. As cores primárias fortes e o alto contraste foram criados para impressão econômica em papel barato. Quando alunos tentam recriar as imagens usando canetinha preta em papel branco, perde-se a intencionalidade estética. A solução prática é usar carimbos de batata ou isopor com tinta guache vermelho e preto — o processo leva cerca de vinte minutos por aluno e aproxima mais da técnica original do que qualquer cópia digital. Pelos custos: imprimir folhetos originais sai em média entre R$ 0,80 e R$ 2,00 por unidade em tiragem pequena. Uma alternativa viável é usar acervos digitalizados do site da Biblioteca Nacional ou do projeto "Cordel na Escola" do Ministério da Cultura. O acesso é gratuito e as imagens têm resolução suficiente para projeção em sala.

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Como estruturar a atividade passo a passo

O primeiro passo é selecionar três a cinco folhetos tematicamente coerentes. Recomendo começar por temas universais — amor, trabalho, fartura — antes de abordar questões regionais mais específicas. Seguir para a leitura em voz alta, pausando para destacar a métrica. Depois, pedir que os alunos identifiquem o esquema de rimas e anotem no caderno. A produção deve ser coletiva no quadro antes de individuais. Durante a análise, alguns detalhes técnicos valem atenção. A chamada "tercina" (três versos com esquema A-A-B) é comum em introduções de narrativas mais longas. A "redondilha menor", que é o verso de sete sílabas poéticas, é a padrão do cordel. Contar sílabas poéticas exige cuidado: sílabas que terminam em som vogal com a próxima palavra que começa em vogal se fundem. Esse hiato é um ponto de dificuldade constante para estudantes.

Uma limitação importante dessa abordagem é que ela tende a simplificar demais a tradição. O cordel contemporâneo vai muito além dos folhetos impressos — há cordelistas que performam, gravam álbuns, usam redes sociais. Focar apenas na versão escolar do gênero pode dar uma imagem empobrecida. Se quiser ampliar, recomendo incluir vídeos de apresentações de cordéis modernos ou convidar um artista local para uma conversa. Se o tempo for curto, existe uma versão enxuta da atividade que cabe em uma aula de cinquenta minutos: apresentação rápida, leitura de dois folhetos curtos, identificação das rimas e produção de quatro versos em duplas. O resultado é menos profundo, mas suficiente para introduzir o tema sem sobrecarregar a turma.

Recursos e materiais

Para obter os folhetos, além dos sites oficiais já citados, a Fundação Casa de José de Alencar e o site do Instituto Cultural Cordel mantêm acervos abertos. Materiais para xilogravura alternativas podem ser encontrados em qualquer loja de artesanato ou fornecidos pela própria escola se houver verba para material didático. Um arquivo com sugestões de roteiro de aula, listas de folhetos adequados por faixa etária e modelos de rubricas de avaliação está disponível para download gratuito no portal do professor. O link direto está na página do programa Cultural + Escola do governo federal.