Atividade ontem, hoje e amanhã na educação infantil: o que funciona na prática
A atividade de ontem, hoje e amanhã é uma das mais comuns na rotina da educação infantil, mas também uma das mais mal executadas. A maior parte dos professores que conheci transforma ela num preenchimento chato de sequência temporal, sem conexão real com o cotidiano das crianças. O problema não é a atividade em si — é como ela é aplicada.
Como montar uma atividade ontem hoje e amanhã educação infantil que funcione
Comece entendendo o objetivo real: isso não é sobre ensinar as palavras "ontem", "hoje" e "amanhã" como se fosse conteúdo isolado. É sobre desenvolver noção temporal e sequencial, que é uma competência cognitiva fundamental. Crianças pequenas pensam majoritariamente no presente. Colocá-las para refletir sobre algo que já passou e algo que ainda vai acontecer exige um suporte concreto. Eu costumo usar três colunas desenhadas numa folha A3 ou num mural de isopor, com imagens reais — não desenhos genéricos. Se a criança fez brincadeira na horta ontem, coloca-se uma foto dela lá. O que está acontecendo hoje deve estar visivelmente presente na sala agora. E amanhã precisa ser algo que elas tenham expectativa real de vivenciar. Já vi professor colocar "amanhã vamos ao zoológico" num cartaz, quando na verdade o passeio tinha sido cancelado duas vezes. A criança percebe. E a confiança cai.
O suporte visual é o diferencial. Sem imagem, vira ditado. A criança de 4 anos não precisa ler para participar. Ela precisa reconhecer, apontar, contar com as próprias palavras. Deixa ela ditar o que quer escrever e você transcreve. Isso leva mais tempo na hora da atividade, mas reduz drasticamente a frustração e aumenta o engajamento real.
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O problema que ninguém conta sobre essa atividade
Um problema específico que enfrentei e que raramente aparece em manuais: crianças com rotinas familiares instáveis. Quando um aluno fica mais tempo com um avô nos finais de semana, ou alterna entre casas dos pais, "ontem" não é uma referência compartilhada. Eu resolvi isso desdobrando a coluna "ontem" em "última semana" quando necessário, e conversando previamente com a criança individualmente sobre o que ela recorda ter feito. Não é perfeito, mas evita que a criança se sinta excluída do grupo porque sua experiência não cabe no padrão. Outro ponto cego: a pressão do currículo. Muitos municípios exigem registro fotográfico e portfólio do produto final. Isso transforma a atividade num show para a coordenação, não num momento de aprendizagem. A criança acaba produzindo um desenho decorado para colecionar, em vez de discutir o que viveu. O resultado prático é que a atividade perde o valor formativo. Recomendo documentar o processo — a conversa, o apontamento, a construção coletiva — e não apenas o desenho final. Isso é muito mais valioso para o portfólio do que uma folha colorida que não reflete nada.
Material e aplicação prática
Para montar o material, você pode começar simples: uma folha dobrada ao meio, três espaços demarcados, Canetões ou marcadores coloridos para separar as colunas. O ideal é manter o quadro visível por pelo menos uma semana, não apenas naquele dia. A referência constante ajuda a criança a internalizar a noção de sequência. No meu grupo de trabalho, adotamos o hábito de fazer esse registro sempre pela manhã, logo após a roda de conversa. Leva cerca de 10 minutos. As crianças passam à frente, apontam e contam. O professor faz a pergunta-chave: "O que mais gostou? O que foi diferente?" Isso transforma a atividade de mero registro em momento de reflexão linguística e emocional. Crianças desenvolvem vocabulário temporal naturalmente nesse contexto, sem necessidade de exercício de fixação.
Se precisar de uma base visual pronta para adaptar, existe material gratuito em portais de educação de vários municípios. A Fundação Victor Civita, por exemplo, disponibiliza templates editáveis. Mas o material impresso é só o começo. A qualidade da mediação é o que define se a criança aprende algo ou apenas preenche espaços.