A diferença entre até onde e até aonde que todo mundo confunde
A maioria das pessoas usa "até onde" para tudo, mas existe uma diferença real entre as duas formas, e ela não é tão complicada quanto muitos gramáticos gostariam de fazer parecer. O problema é que a regra básica sozinha não resolve a maior parte dos casos que aparecem no dia a dia. Até aonde se usa quando há ideia de movimento, de deslocamento para um lugar específico. O "a" antes de "onde" funciona como uma preposição que indica direção. É a mesma lógica de "para onde". Se você pode substituir por "para onde", use "até aonde".
Até onde ou até aonde: qual usar em cada situação
Até onde, por outro lado, se usa quando não há movimento direcionado, quando a pergunta ou a afirmação é sobre extensão, limite ou alcance. Pode ser físico ou abstrato. É quando você pergunta sobre a distância ou o nível de algo, não sobre um destino. Pra facilitar, eu costumo testar assim: se a frase pede um complemento com "para", é "aonde". Se pede apenas "onde", é "onde". Simples assim na teoria. Na prática, tem gente que ainda trava em construções mais longas.
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Um exemplo claro: "Até aonde você vai com esse projeto?" está perguntando sobre o destino, o ponto final. "Até onde você confia nele?" não tem destino, é sobre o limite da confiança. Dá pra trocar a primeira por "para onde você vai" e a segunda não funciona como "para quem você confia". Eu já vi editores corrigirem textos e acabarem piorando porque seguiram a regra de forma mecânica. Achei isso numa revisão de texto técnico há alguns anos: o tradutor tinha colocado "até aonde chegamos os resultados" num relatório. A frase não indicava movimento algum, era sobre o alcance dos dados. Troquei para "até onde", que era o correto. O original do tradutor só tinha se confundido porque "chegamos" é um verbo de movimento, mas o sujeito da preposição não era a pessoa física se deslocando.
Outro ponto que pouca gente menciona: em linguagem informal, especialmente na fala, "até onde" aparece em contextos de movimento com frequência. Isso é comum no português brasileiro falado e não é necessariamente errado dentro desse registro. O problema é quando someone tenta justificar a forma coloquial como se fosse norma culta também. Se você escrever num contexto formal, tipo um documento técnico ou uma peça acadêmica, a distinção deve ser respeitada. Em posts de redes sociais ou conversas, ousage costuma ser bem mais flexível. Não adianta dar bronca em tudo quanto é lugar.
Outra pegadinha que todo mundo cai é com expressões fixas. "Até onde sei" é sempre fixo. Ninguém fala "até aonde sei". A mesma coisa com "até onde posso ir" em contextos figurados. Quando a frase já virou expressão, a regra perde força. Resumindo sem resumanhar: se tem movimento real para um lugar, use "até aonde". Se é sobre limite, alcance ou extensão, use "até onde". E se ficar na dúvida, reescreva a frase substituindo por "para onde". Se funcionar, é "aonde". Se não funcionar, é "onde".