Arvores Nativas Rio Grande Do Sul - Jornal Hoje | Floresta preserva árvores nativas no Rio Grande do Sul ...
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Escolhendo e plantando espécies nativas no RS

O Rio Grande do Sul tem uma variedade imensa de espécies nativas para restauração ou paisagismo. O problema real começa na hora de decidir qual planta onde. Não adianta comprar um pinheiro-do-paraná porque é bonito. Ele precisa de sol pleno, solo bem drenado e não vai sobreviver em área de várzea alagada. Antes de tudo, você precisa saber em qual formação vegetal sua propriedade está inserida. A Mata Atlântica de encosta, o Campo Limpo, a Floresta Ombrófila Densa. Espécies trocam de comportamento radicalmente dependendo da região fisiográfica. Uma sameira cresce rápido noPlanalto mas praticamente para de crescer nos solos ácidos das pradarias. Isso não é teoria, é o que você vê no campo depois de três anos acompanhando o plantio.

arvores nativas rio grande do sul para diferentes biomas

As espécies mais usadas em projetos de restauração no estado são: Pinus angustifolia (pinheiro-brasileiro), Myrsine coriacea (myrtle/cerejeira), Tabebuia alba (ipê-amarelo), Sorocephalus brasiliensis (sameira), Inga vera (ingazeira), Casearia sylvestris (casca-branca), Lithraea brasiliensis (lraveira), Araucaria angustifolia, Euterpe edulis (palmito-jussara), e Nectandra grandiflora (camboatá). Cada uma com exigências específicas que você consulta no catálogo do IBAMA para obtenção de sementes. O que pouca gente explica é que a época de coleta de sementes varia muito dentro do próprio estado. Sementes de ipê-amarelo no Vale do Rio Pardo amadurecem até duas semanas antes das mesmas espécies na Serra Gaúcha. Se você collectar no calendário genérico, as sementes podem estar subdesenvolvidas e a germinação cai para menos de 30%.

Processo prático de aquisição e plantio

O caminho mais seguro é pedir autorização de coleta no sistema do IBAMA ou comprar de viveiristas credenciados. Sementes de Araucaria têm vida util de poucas semanas fora do fruto se não forem semienxurradas. Já sementes de ingazeira mantêm viabilidade por meses se armazenadas secas em embalagem selada com sílica gel. Na minha experiência, o maior erro que vejo é o preparo do solo. Muitas pessoas cavam buraco grande, colocam adubo e plantam. O correto é fazer análise de solo primeiro. Solo do RS, especialmente na Região Metropolitana e Sudeste, costuma ser extremamente ácido e pobre em fósforo. Sem correção com calcário e fosfato natural, as mudas de várias nativas ficam com clorose férrica e crescimento atrofiado nos primeiros dois anos.

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Um detalhe técnico que faz diferença: o replante de mudas de nativas deve ser feito com o torrão intacto. Raízes de espécies como camboatá e ipê são extremamente sensíveis a danos mecânicos. Se a muda vier em saco, retire com cuidado o plástico sem quebrar o torrão. Se usar biodigestor, o ideal é cortar as paredes laterais e colocar a muda no buraco já com o substrato original. Eu já perdi quase 40% de uma leva de mudas de sameira porque forcei a retirada do saco de forma errada. A partir daí mudei o protocolo e a taxa de sobrevivência subiu para acima de 85%. O espaçamento varia conforme o objetivo. Para restauração de ND (Nascimento Diferenciado) com objetivo de fechar matriz em 8 a 10 anos, use densidade de 2.500 a 4.000 mudas por hectare em triângulo. Para paisagismo em terreno particular, 3 a 5 metros entre plantas já resolve. O custo de muda bem avigorada de espécie nativa rara como Spruce brazieliera pode passar de R$ 25,00 por unidade em viveiros especializados, enquanto ingazeira e caseária custam entre R$ 4,00 e R$ 8,00.

Problemas comuns e alternativas

Pragas são menos frequentes com nativas do que com espécies exóticas de rápido crescimento, mas não inexistentes. Broca-do-café (Hypothenemus hampei) ataca algumas leguminosas nativas. O principal inimigo mesmo é o pastejo livre de caprinos e bovinos. Cerca elétrica é indispensável nas primeiras três safras após o plantio. Se o seu solo for muito argiloso e encharcado na época das chuvas, evite espécies de raiz pivotante profunda como ipês e araçás. Prefira Myrtaceae adaptadas a varzea como Myrcia commons e Loropetalum chinense. O risco de perda por asfixia radicular é alto e não compensa o custo de reposição.

Não existe catálogo gratuito confiável e atualizado de todas as espécies nativas do RS disponível online de forma consolidada. O plano estadual de recuperação de APPs traz listas por mesorregião, mas você precisa cruzar com a classificação fitogeográfica do IBGE para ter confiança na escolha. Leva tempo, mas evita comprar espécies erradas para o local errado. O plantio propriamente dito deve ser feito no início da primavera, quando as chuvas regulares garantem umidade suficiente. Mudas plantadas em julho ou agosto no interior do estado frequentemente sofrem com geadas tardias e ventos secos antes de estabelecidas. Regeneração natural em áreas adjacentes pode suprir parte das lacunas se você proteger a área e esperar dois a três anos para avaliar o resultado final.