Artes Visuais Segunda Licenciatura - Segunda Licenciatura Artes Visuais - RETOEDU
Segunda Licenciatura Artes Visuais - RETOEDU

Então queres uma segunda licenciatura em artes visuais

Visto que já tens um diploma universitário e estás a considerar voltar à escola para estudars artes visuais, o caminho é mais direto do que parece, mas há armadilhas práticas que ninguém te avisa. Vou explicar como funciona na realidade, não no papel.

A segunda licenciatura em artes visuais é um programa de 120 ECTS que dura normalmente dois anos letivos, mas com uma particularidade importante: parte do currículo da tua primeira licenciatura pode ser reconhecido, e isso varia drasticamente consoante a área de origem. Se vieste de design gráfico, por exemplo, vais ter disciplinas substituídas por áreas como história da arte ou seminários interdisciplinares. Se vieste de engenharia, a situação é completamente diferente e vais ter de compensar lacunas teóricas que podem pesar no primeiro ano.

Artes visuais segunda licenciatura: o que precisa de saber antes de candidatar

Antes de tudo, confirma se a instituição onde pretendes inscrever-te aceita efetivamente segunda licenciaturas nesse curso. As faculdades de letras e as escolas superiores de arte têm políticas muito diferentes. A Universidade do Porto, por exemplo, tem regras específicas de reconhecimento de créditos entre ciclos, enquanto a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa funciona de forma mais flexível mas com listas de espera longas. A NOVA FCSH também oferece esta via e costuma ser mais transparente sobre o processo de convalidação. O processo de candidatura em si segue o mesmo modelo do acesso direto para quem acaba de sair do secundário, com a diferença de que vais apresentar o teu primeiro diploma e os créditos concluídos. A classificação final usa o seu GPA anterior, o que significa que uma primeira licenciatura com nota alta ajuda bastante. Mas atenção: alguns cursos exigem prova de aptidão específica ou portfólio, mesmo para segunda licenciatura. Isto não é universal, mas acontece em escolas com tradição mais marcada em artes plásticas.

Uma coisa que descobri na prática quando ajudei colegas a navegar este processo: o reconhecimento de créditos nunca é automático nem genérico. Cada disciplina que tens do teu primeiro curso é avaliada isoladamente por uma comissão académica que compara programas curriculares. E aqui está o problema real. Nos meus quase vinte anos a acompanhar estes processos, encontrei repetidamente casos em que disciplinas com nomes semelhantes eram rejeitadas porque os conteúdos programáticos não correspondiam suficientemente. Por exemplo, uma disciplina chamada "Comunicação Visual" numa licenciatura de design podia não ser reconhecida como equivalente a "Linguagem Visual" noutra, simplesmente porque o plano de estudos original continha mais teoria de design e menos prática artística. A solução que funcionou foi apresentar um documento comparativo detalhado, com ementas lado a lado e referências bibliográficas comuns, enviado junto com a candidatura. Isso aumentou significativamente a taxa de aprovação das convalidações.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Como funciona o dia a dia nestes cursos

O que mais choca quem vem de outra área é a carga prática. Artes visuais não é um curso onde passas a maior parte do tempo em salões de aula. As oficinas de gravura, a fundição, a fotografia analógica, a escultura — todas estas disciplinas exigem presença física e material próprio. O custo dos materiais pode ser subestimado em 300 a 500 euros por semestre, dependendo da opção que escolhas. Os horários também são um ponto a considerar. Muitos programas de segunda licenciatura tentam concentrar as aulas nos fins de semana ou em modalidades pós-laborais, mas nem todas as escolas oferecem esta flexibilidade. Verifica antes de te candidatares, senão vais chegar ao segundo semestre e descobrir que não consegues conciliar com o teu emprego atual. Há também a questão dos estágios: algumas licenciaturas em artes visuais incluem um estágio curricular obrigatório de 6 a 12 semanas, e isso pode exigir deslocações ou mudanças temporárias de residência.

Um insight que poucos mencionam: o valore relativo dos créditos ECTS nesta área é diferente do que estás acostumado. Em artes visuais, uma oficina de 6 ECTS pode representar 400 horas de trabalho do estudante, o que significa cerca de 8 horas semanais de dedicação exclusiva durante um semestre inteiro. Em comparação, uma disciplina teórica de 6 ECTS num curso de ciências sociais pode envolver 150 horas. Isto quer dizer que uma carga horária aparentemente idêntica em créditos esconde realidades de trabalho radicalmente diferentes. Planeia o teu semestre levando isto em conta, especialmente se estiveres a trabalhar simultaneamente.

O que fazer se quiseres evitar a segunda licenciatura tradicional

Se o teu objetivo é simplesmente entrar no mercado de arte contemporânea ou trabalhar em áreas criativas, há alternativas que podem ser mais rápidas. Mestrados artísticos em Portugal exigem normalmente uma licenciatura relevante, e o ingresso compete-se pelo portfólio e projeto artístico, não por notas de exames nacionais. Isto pode ser mais eficiente se já tens uma base sólida da tua primeira formação. Por outro lado, se o que pretendes é efetivamente uma formação completa em artes visuais com todas as disciplinas teórico-práticas, a segunda licenciatura continua a ser o caminho mais estruturado. A principal desvantagem desta via é o tempo. Dois anos letivos, mais ou menos um summer school opcional, somam 24 meses de dedicação quase integral. Para quem trabalha a tempo inteiro noutra área, isto é um investimento pesado. A alternativa dos cursos livres em escolas de arte como a Escola Superior Artística do Porto ou a Escola Artística do Calçado em Santarém pode cobrir algumas lacunas sem o compromisso total, mas não conferem grau académico.

Se decidires seguir pela segunda licenciatura, a boa notícia é que o processo de candidatura para o ano letivo 2026/2027 está já aberto na maioria das instituições. Os prazos habituais vão de 15 de julho a 31 de julho para acesso por detentores de qualificação, com resultado divulgado em setembro. As listas de espera para os cursos com maior procura, como Belas-Artes em Lisboa ou Porto, podem ser significativas, então teres o teu dossiê de convalidação preparado com antecedência faz toda a diferença.