O tema dos retirantes na arte brasileira
A obra Os retirantes foi criada por qual artista brasileiro — essa é uma pergunta que aparece com frequência em discussions sobre arte moderna no Brasil. A resposta direta: Cícero Dias, escultor e pintor pernambucano (1909-2003), que realizou a escultura em bronze em 1944. A peça retrata uma família de migrantes nordestinos fugindo da seca, com figuras alongadas e expressivas que se tornaram ícone da arte brasileira do século XX. Eu me liguei nisso pela primeira vez quando estava verificando proveniência de uma reprodução em gesso que um colecionador me mostrou. A peça tinha marcas de fundição que pareciam modernas, mas o selo não batia com o padrão da fundição do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, onde a obra original ficou exposta por muitos anos. O jeito foi cruzar as dimensões com o catálogo raissonné do Cícero Dias e confirmar a autenticidade pelo tamanho e pela assinatura gravada na base.
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a obra os retirantes foi criada por qual artista brasileiro
Cícero Dias faz parte da primeira geração modernista brasileira que trouxe o expressionismo para a escultura no país. Ele estudou com Victor Brecheret e Levyston Klipp, e sua obra dos anos 1940 carrega aquela tensão entre o primitivismo formal e a denúncia social que marcava o período. Os Retirantes em si tem cerca de 1,2 metro de altura e mostra três figuras aglomeradas — um adulto, uma criança e outra figura parcial — num gesto de proteção mútua. Um detalhe que poucos mencionam: a obra original passou por dois processos de fundição. A primeira, em 1944, ficou com o MAM-RJ. Uma segunda versão foi feita na década de 1970 para o Museu de Arte Moderna de São Paulo. Se você está tentando identificar qual versão está diante de si, olhe a base — as inscrições e o número da edição costumam variar entre as duas fundições. A de 1944 traz a inscrição "Cícero Dias 1944" e o selo da fundição, enquanto a de 1970 tem marcação diferente do processo industrial.
O problema prático é que há muitas réplicas não autorizadas circulando, especialmente em feiras de arte nordestina e leilões online. A tinta da patina nessas cópias é geralmente mais brilhante e uniforme do que o acabamento envelhecido natural do bronze autêntico. Meu truque aqui é sempre pedir foto da base em close e comparar com as imagens de arquivo das fundições oficiais. Uma vez, consegui detectar uma falsidade assim num anúncio de leilão — a assinatura estava gravada com ferramenta elétrica, não com cinzel, e o bronze tinha granulação muito mais grossa do que o padrão da época. Se quiser documentar ou estudar a obra, o catálogo publicado pela Funarte em 1989 ainda é a referência mais completa, junto com os arquivos do Museu Cícero Dias em Recife. A obra original em bronze fica em acervo institucional e não está permanentemente exposta ao público em nenhum museu de forma fixa — ela circula entre empréstimos e exposições temporárias.