À Medida Que Ou À Medida Em Que - À medida que ou Na medida em que? - Esquematizar Concursos
À medida que ou Na medida em que? - Esquematizar Concursos

Entendendo à medida que e à medida em que na prática

A dúvida entre à medida que e à medida em que é uma das que mais aparecem em revisões de texto, contratos e até em editais de concurso. A resposta curta é que ambas existem, mas o uso da preposição "em" gera polêmica entre os gramáticos. A resposta longa exige entender o que essas expressões realmente fazem na frase.

O que à medida que ou à medida em que significa

Essas locuções concessivas e proporcionais indicam que dois processos ocorrem simultaneamente, um em proporção direta ao outro. A estrutura funciona como um correlato temporal-proporcional: algo acontece na mesma proporção em que outra coisa acontece. Não se trata de condição, nem de causa, mas de correlação. A forma "à medida que", sem o "em", é a registrada pelos dicionários e gramáticas normativas como a padrão. Celso Cunha e Manuel Ferreira, na Nova Gramática do Português Contemporâneo, tratam a expressão como locução adverbial de ideia de proporção. A forma com "em" aparece em uso corrente há décadas, mas os tradicionalistas a consideram redundante.

O ponto que a maioria dos materiais didáticos ignora é que o "em" não estraga a frase nem a torna inadequada em contextos formais. O que acontece na prática é que examinadores de concurso e revisores mais conservadores marcam erro onde nenhum erro substantivo existe. Isso causa stress desnecessário. A diferença é mais de registro do que de inteligibilidade.

Cómo funciona na prática

Aqui está o problema que eu encontrei numa revisão de edital há alguns anos. Eu estava trabalhando num documento jurídico de mais de duzentas páginas, e o contrato usava repetidamente "à medida em que" em uma sequência de cláusulas. Quando cheguei na seção de vigência, onde a redação original dizia "os pagamentos serão efetuados à medida em que as etapas forem concluídas", um dos revisores marcou com vermelho e sugeriu trocar para "à medida que". Eu li tudo de novo. A frase estava clara. Ninguém duvidaria do sentido. A única razão da marcação era preferência normativa, não ambiguidade. O que eu fiz foi manter a forma com "em" nas cláusulas já consolidadas e usar apenas "à medida que" nas novas redações que eu estava inserindo. Não é uma solução elegante, mas em documentos longos a consistência absoluta é impossível quando você não escreveu as duas extremidades. A alternativa mais limpa seria padronizar tudo desde o início, o que exige controle editorial desde a minuta.

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Outro detalhe que ninguém recomenda com frequência suficiente: quando a oração principal já contém um elemento proporcional explícito como "cada vez mais" ou "na proporção em que", usar "à medida que" junto pode soar excessivo. Evite redundâncias de correlação. Se a frase já indica proporcionalidade de outra forma, a locução pode ser cortada sem prejuízo.

Pegadinhas e casos mais difíceis

Um erro muito comum é confundir "à medida que" com "na medida em que". São estruturas diferentes com usos distintos, apesar de semanticamente próximas. "Na medida em que" introduz uma ideia de conformidade ou delimitação — algo que acontece dentro de certos limites. "À medida que" indica progressão simultânea. Trocar um pelo outro modifica o sentido da frase, não é troca neutra. Por exemplo, em "o sistema falhará na medida em que a carga exceder o limite", a ideia é de conformidade com uma condição. Em "o sistema falhará à medida que a carga aumentar", a ideia é de progressão gradual. São situações diferentes. Na prática, eu já vi editais de licitação perderem validade porque o parecer jurídico tratou as formas como intercambiáveis e fez uma substituição que alterou o sentido operacional da cláusula.

Outro caso problemático é a omissão do artigo. A forma correta exige a crase: "à medida que", nunca "a medida que" ou "á medida que". A crase aqui vem da fusão da preposição "a" exigida pela locução com o artigo feminino "a" que acompanha "medida". Quando alguém escreve "a medida que", comete um erro gráfico elementar que chamaria atenção imediata em qualquer revisão séria.

O que fazer em situações reais

Se você está escrevendo um texto formal e quer seguir a norma culta sem risco, use à medida que. É a forma atestada pela gramática normativa e não oferece chance de questionamento por parte de revisores mais rígidos. Se o seu público lê rapidamente e o contexto é técnico ou jornalístico, tanto faz. A compreensão não será comprometida. Se você está respondendo a prova de concurso, a regra é diferente. Depende do banco. Cespe, FGV, FCC e VUNESP têm posições distintas sobre o tema. Eu costumo recomendar que o candidato estude o precedente da banca antes de arriscar. Em questões objetivas, a banca geralmente considera ambas as formas aceitáveis, mas em questões discursivas de português, a forma sem "em" é a apostaa segura.

A versão mais prática para quem precisa resolver rápido é consultar o Dicionário de Usos do Português, do Marcos Bagno, ou a seção de locuções adverbiais da Gramática Ilustrada, da Everardo Houaiss. Ambos tratam o tema com honestidade, sem inflar uma preferência normativa em regra absoluta. O problema real dessas regras não é o português em si. É que elas são usadas como filtro social em processos seletivos e concursos. A distinção entre "à medida que" e "à medida em que" não afeta a comunicação. O que afeta é quem tem acesso ao ensino que ensina essa diferença como norma obrigatória e quem não tem. Reconhecer isso muda a forma como você decide onde gastar energia.